Resenha sobre o aumento da passagem de ônibus em Curitiba 2017

Por: Júlio César Anjos

O que se vê agora em Curitiba é a queda de braço político sobre o aumento da tarifa de ônibus na cidade. É o terceiro turno da eleição passada, pois os derrotados na urna não querem, em hipótese nenhuma, que o Greca faça boa gestão. Então, minam como podem a sua administração. O fato é que o Greca lutou quase que sozinho contra a lava-jato nível quintal atuante na capital. E o atual prefeito venceu o pleito sem demagogia, o que dói demais para os bandidos sediciosos pelo poder. A causa de tarifa de ônibus é só o começo de uma gestão que será atribulada desde a largada até a sua saída, independente se Greca ficará até 2020 ou 2024 (com reeleição) no poder.

O ex-prefeito Fruet foi incompetente e demagogo em sua gestão [não só na questão de transporte, mas em tudo]; e o Leprevost, oposição da eleição do segundo turno, foi demagógico em campanha e, por lógica, faria uma gestão incompetente. Porque incompetência e demagogia andam lado a lado. E a ferramenta utilizada para tal ardil chama-se subsídio, a artificialidade administrativa equivocada e pueril. Porque subsídio, seja de transporte ou outra pasta qualquer, é ladrão de orçamento. Esse mecanismo falso rouba dinheiro da saúde, da educação, dos investimentos em geral, tudo para atender uma satisfação demagógica momentânea, que de fato, não resolve nada. Por isso, para uma boa administração, o subsídio deve cair; ao passo que o preço da passagem tende a subir. Pura questão de lógica.

Após o prefeito anunciar o possível aumento da tarifa para dirimir ou reduzir o GAP entre o subsídio e o valor real da passagem [e isso vale para qualquer prefeitura do país], os bandidos da coisa pública até friccionam as mãos de felicidade sob tal situação, pois podem implantar a oposição suja, diante estratégias de atuação, que atende a seguinte receita de bolo: 1) Grupo de MAV (movimento de ambiente virtual) começa a atacar o prefeito na internet [já está acontecendo]; 2) A mídia local (monopólio da gazeta do povo) começa a minar a hipótese de aumento de passagem a conta-gotas, a fim de mitigar a popularidade do prefeito [já está acontecendo]; 3) A ínfima oposição começa a fazer bazófia e ter espaço na mídia [já está acontecendo]; 4) Mas se mesmo assim o aumento manter-se em curso, chegando próximo de sancionar o novo preço da tarifa, um juiz rábula qualquer, a pedido de algum grupo, despacha uma liminar impedindo aumento da passagem sem eficácia jurídica (que será cassada), apenas para ganhar tempo; 5) Ganhar tempo para as ONGS e Sindicatos começarem a fazer barulho a contento [protesto pacífico]; 6) com isso, o prefeito tem que ir para a mídia, com os veículos de comunicação cobrando um preço alto pelo espaço, fazendo a mídia ganhar dinheiro somente por causa de chantagem; 7) Por fim, se mesmo tudo isso não funcionar, e a tarifa seja aumentada após todo esse ocorrido, após a sanção poderá haver protesto violento, com queima de ônibus e quebradeira no centro.

Essa é a receita de bolo para que os marotos da coisa pública rapinem o caixa do estado, sendo pelo meio direto, com o prefeito pagando aos interesses que os convém, seja por meio indireto, para demagogos e hipócritas vencerem a eleição e saquearem pela manutenção corrupta do poder. Porque, não importa se é gari ou o Papa, vagabundo sempre será vagabundo.  

É sabido também que a esquerda gosta tanto de pobre que perpetua e prolifera. Não basta só aumentar a pobreza, há também de tornar a mazela eterna, para que os elitistas de um município, estado ou país tornem-se os coronéis da miséria. O leitor acha mesmo que ONGS, Sindicatos, mídia, juízes “equivocados”, vereadores de oposição e sediciosos de internet estão preocupados com o pobre? Esses aí nem andam de ônibus, quiçá perdem o sono com os menos abastados. São rapinas que só querem mais poder, dinheiro e status.

Agora, ao fazer uma análise comparativa, na questão de transporte, quem é realmente pelo pobre: Fruet ou Greca? Fruet, em 2015, aumentou a tarifa de ônibus em R$ 0,45 (Quarenta e Cinco Centavos), mas nada se viu de melhoria no sistema de transporte, pelo contrário, houve mais e mais deterioração deste modal público na cidade. Já o Greca vai aumentar a tarifa em R$ 0,55 (Cinquenta e Cinco centavos), R$ 0,10 (Dez Centavos) a mais que o antecessor. Só que estes R$ 0,10 (Dez Centavos) farão com que haja 500 (Quinhentos) novos ônibus em circulação, garantia de recomposição de salários dos trabalhadores da categoria, além de alguns investimentos na infraestrutura. Objetivamente, Greca é pelos pobres, óbvio, enquanto que o Fruet é pela aristocracia curitiboca, que, curiosamente, ficou taciturna quanto ao estelionato que o Fruet praticou ao povo, em não entregar nem mesmo um sistema funcional, mesmo aumentando a tarifa em R$ 0.45 (Quarenta e Cinco Centavos). Com o Fruet ficaram calados, com o Greca ficam escandalizados. Estranho, não?

Mas, apesar de não ter cometido falha em gestão até o momento, o Greca cometeu erros políticos. O primeiro lapso foi achar que a gestão de 2016 seria equivalente à gestão de 1993. Infelizmente a cidade mudou, não é mais a mesma dos anos 90, e houve metamorfose cultural que impede em tornar célere a coisa pública, problema que não é local, mas também é nacional. O segundo engano se deu em não colocar no mesmo saco a condição da integração da região metropolitana com o aumento na tarifa de transporte. Como Maquiavel presumia, há de fazer o mal pesado de uma vez só, para aí sim fazer o bem aos poucos, se o político quiser ser amado pelo povo. Ou seja, era para ter implantado a integração depois do aumento da passagem, como forma de benevolência de um prefeito bondoso. E, por fim, o erro maior foi errar a estratégia de aumento na tarifa, em que o certo seria a prefeitura pedir um aumento estapafúrdio, por exemplo, de R$ 4,60 (Quatro Reais e Sessenta Centavos) por tarifa e ir barganhando até chegar ao valor desejado desde o início: R$ 4,25 (Quatro Reais e Vinte e Cinco Centavos). Isso é estratégica psicológica mercadológica/politica comumente utilizada pelo PT, que o Greca, pela inocência na alma e no coração, assim não a fez.
        
Portanto, a turma do quanto pior melhor não irá sossegar enquanto não conseguir manter o status quo da cidade caída, quebrada, abandonada, para botar a culpa no atual prefeito, se fazendo de vitima, defensora de pobre, para obter o poder. Com a inflação gerada pelos 14 anos de PT, esses 55 centavos são até irrisórios, já que o poder de compra do pobre foi destruído faz tempo mesmo. A passagem é apenas uma muleta para que os sediciosos provoquem a sanha na população, consigam justificativa para “estarem certos” e fazerem, à sua maneira, a narrativa e a ilustração. Quem pode salvar é a elite; mas é a elite que quer essa revolução. Enfim, se os opositores não ligam em destruir o sistema de transporte, ligariam caso a cidade inteira fosse destruída? É apenas a lógica que faz prevalecer.
   




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