Eleição Curitiba: Rodchenko X Exomarketing

Por: Júlio César Anjos

Uma coisa é certa: as duas equipes de marketing, dos candidatos de Curitiba, nesta eleição de 2016 estão de parabéns! Foi uma aula de inserção de ferramenta publicitária no horário eleitoral gratuito. E o mais interessante é que foram duas produções bem diferentes, quase antagônicas, como a inserção “Rodchenko”, do Grega e a linha Exomarketing, do Leprevost.  E quem ganhou com isso foi o estudante de marketing político, além de interessados neste assunto.

O que o estudante de Administração estuda, quanto a marketing? Cinco Forças de Porter, Análise SWOT, 4P’s (Preço, Produto, Praça, promoção) e a pirâmide de Maslow. Todas essas ferramentas são boas, mas não são indispensáveis para fazer uma boa campanha política. Porque o que funciona em política, como ferramenta, são esses instrumentos: Rodchenko, Goebbels, OBEY e Exomarketing (MKT Multinível). Pois tais funções agem para promover uma pessoa e/ou um ideal e não um produto especificamente.

 Diante disso, que se faça primeiramente análise Rodchenko/Greca. A propaganda do Greca foi basicamente um “Power Point” narrado. Aparecia foto em preto e branco, musica leve de violino ao fundo, com o Greca falando algo que tenha a ver com a imagem em questão, com o letreiro graúdo aparecendo somente pincelando as palavras-chave, como TAG de informação. Parece inofensivo, né? Mas a música ao fundo serve para distração; a imagem serve para fixação; e o letreiro “gigante” trabalha para fazer REFORÇO de informação, para a comunicação penetrar a mente como uma lança, de forma direta (por isso que as palavras eram unidas, sem espaço nem vírgula). Isso é feito para mitigar o mecanismo de defesa do consciente e do inconsciente.

Greca: Rodchenko

Então, com essa conclusão, alguém dirá: “vamos usar Rodchenko para ganhar eleição”. Não é bem desta forma, pois, assim como uma ferramenta só serve para fazer determinada tarefa, o instrumento político só serve para o candidato e as condições certas.  Greca, em 2012, disputou a eleição daquela época, ficando em 4º lugar, com 6% (seis por cento) de votos globais – nos válidos ficaria ainda menor. Portanto, O prefeito Greca ganhou também por causa do tempo de TV e da equipe de MKT do PSDB. Porque sem condição de mostrar proposta e sem instrumento, a pessoa não se elege nem para síndico de prédio. A ferramenta Rodchenko só casou com o candidato porque Greca discursa de uma forma poética e rimada, dando mais ênfase ainda nas TAG’s de informação. Caso contrário, poderia ser até mesmo um desastre.

Diante disso, agora, que se analise a linha Leprevost/Exomarketing. A campanha de Ney fez inserção de propaganda com o mote de grupos de pessoas sorridentes, com músicas alegres, fotografias e vídeos em cores, como se a felicidade e a vitalidade [coração batendo (plágio da campanha do Lerner)] fosse o novo. Pessoas bonitas e bem sucedidas instigam o eleitor a querer fazer parte daquilo, pois é uma micareta muito efusiva que dá gosto em “estar lá”. Deriva mais sob o aspecto motivacional. Por isso “motiva a ação” em votar em Ney. Película brilhante, profissionais qualificados e não há o que contestar sobre o quilate do grupo de MKT do Leprevost.  Aliás, a cantora da campanha do Ney é excelente!

Leprevost: Exomarketing

Todavia, alguém dirá: “Mas o Leprevost não ganhou, então esse Exomarketing na política não dá certo”. De jeito nenhum, muito pelo contrário, O Exomarketing funciona melhor hoje do que o Rodchenko (por causa da falta de qualidade dos candidatos). O problema é que o político não ajudou. Ney é muito inexperiente, além de ter “olhos tristes”. Como encaixar um programa eleitoral feliz, se o candidato não é efusivo? Se o Ciro Bottini, do Shoptime, por exemplo, fosse candidato, aí sim daria certo esse instrumento de marketing. Sem falar que em quase todas as inserções de vídeos do Ney foram feitas no “croma key”, além do eco do estúdio, que escancarou a artificialidade em campanha. Isso fez o programa soar falso. E a artificialidade não pegou bem para o Leprevost.

Contudo, os dois candidatos desta eleição fizeram situações complicadas, para botar tudo a perder. O Greca, ao ser mal interpretado e o Ney por pura preguiça (inserção de vídeo em movimento no “croma key”. Sério?). A vitória do Greca se deu mais pela habilidade de candidato do que falha do grupo de MKT do Ney. O Greca desiquilibrou nas sabatinas e nos debates, locais em que dependia do Ney para obter resultado. E é por isso que não dá mais para eleger poste (candidato que entra só com o rosto e o MKT faz o resto), pois as equipes de Marketing estão cada vez melhores.

Portanto, não basta só contratar uma boa equipe de marketing, se quiser ter sucesso na urna. É preciso, também, que o político tenha qualidade intrínseca, vocação, para ser político de “profissão”. Sem falar que eleições de legislativo e executivo são completamente diferentes na corrida eleitoral, pois para ser deputado não há ataques; enquanto que para cargo executivo, o político fica em evidência e sofrerá desconstrução de imagem. A eleição de Curitiba, ao ter dois conceitos totalmente diferentes, teve como lado bom o “case” para aprendizado em classe, em sala de aula, pois nitidamente era visível o posicionamento antagônico das duas candidaturas desta eleição. Muito bom. Assim dá gosto de ver.

Obs: Rodchenko foi o pai da propaganda (tanto política quanto mercadológica, pois influenciou o mercado publicitário).
Obs2: Peguei os dois últimos vídeos dos dois candidatos. Sugiro que assistam os dois vídeos até o fim, para ver a diferença gritante entre os dois.

Dicas de filmes: Branded (Rodchenko) e Rebirth (Exomarketing ou MKT Multinível). Os dois são encontrados na Netflix.
   
 
Rodchenko


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