Leprevost: O Tapume do Gordo Fuleiro

Por: Júlio César Anjos

Jaime Lerner, ao escrever o livro “Acupuntura Urbana”, um livreto - que pode ser considerado de bolso [que eu recomendo que o mundo inteiro leia] -, teve a constatação de que se você vendar os olhos de um indivíduo e levá-lo para o interior de qualquer shopping do país, e desvendá-lo, esta pessoa não saberia precisar onde a estaria de fato, não teria localização certa daquele município em questão, simplesmente porque todos os shoppings por dentro são iguais – arquitetura parecida. O que determina uma cidade são suas peculiaridades, diferenças que as tornam únicas, sutis, fazendo a identificação daquela região. Aí vem a eleição municipal, e um gordinho aventureiro, ao ofender o povo inteiro, tasca a dizer que a cidade é tapume. Alto lá, Leprevost, seu gordo fuleiro.

Ao estudar história clássica, mais precisamente as civilizações antigas, como seriam possíveis estabelecer regras, e saber que as civilizações, tais como: egeia, egípcia, e romana existiram? Por causa daquilo que foi deixado como pista, as suas engenharias urbanas (urbanismo), suas arquiteturas, suas formas de grafias, seus artesanatos, suas indumentárias, suas músicas, enfim, a sua cultura registrada na cidade. E, outra pergunta, por que alguém vai visitar Paris? Para saborear toda a beleza desta joia do mundo, construída para ser algo aprazível aos olhos de todos, com harmonia, zelo, dedicação, amor, tudo embalado em uma só região. É eterna inspiração de Woody Allen. E, que se vá além, para pensar até mesmo naquilo que está a ser comparado com Curitiba, o tal da cidade do velho oeste, como é possível precisar que é realmente faroeste? A resposta também é simples: Só é identificável como faroeste porque tem a assinatura arquitetônica de construção de FAROESTE! Entenderam, seus “sem cultura”? Sem aquilo que o Hobbes disse sobre “imaginação”, que vem de imagem, não há como nem mesmo inventar, quanto mais copiar algo que já existiu. Faroeste tem o seu próprio formato, sua própria definição, por isso que é uma construção única.  Mas para o onipresente, onisciente e onipotente Leprevost, isso tudo pode ser considerado tapume. Porque ele é um homem sem visão.

Sobre a tal da comparação do faroeste, abram-se parênteses. Ainda querem comparar Curitiba, uma metrópole, com cidades isoladas no meio do deserto, em séculos passados, do velho oeste. E mesmo no deserto, com homens brucutus, onde não vinga nada na terra, totalmente distante de tudo, ainda assim, as cidadezinhas do faroeste ainda se dedicavam para fazer uma fachada aprazível, como os “saloons”, tapumes de estabelecimentos, coisa que o Fruet sequer fez em 4 anos de governo e que o Leprevost, pelas criticas, também não fará. Lavem a boca pra falar de tapume. O tapume ainda serve para alguma coisa. Fecham-se parênteses.

É fácil identificar Curitiba, basta ver uma fotografia. Por exemplo, Museu Oscar Niemayer, Opera de Arame, Praça do Homem Nu, Parque Tanguá, Estação Tubo, são todas construções feitas por criação humana. Porque Curitiba não tem beleza natural. E toda a contemplação da cidade que tanto orgulha os moradores é feita artificialmente, por homens como Lerner e Rafael Greca que amam Curitiba e decidiram dedicar a profissão à cidade, tornando-a impecável aos olhos dos moradores e turistas, com a assinatura da cidade em cada uma das construções. São profissionais que merecem respeito e atenção.

O problema é que agora mais um aventureiro está a querer saltear a cidade de novo, um gordinho fuleiro, que acha que a história da cidade se resume a tapume. Leprevost não se difere muito ao Fruet, ex-prefeito que achou absurdo e impediu a conclusão da instalação de granito no Batel, pois a calçada do Bigorrilho tem que ser igual a do Sitio Cercado. Esses homens ignorantes não entendem que cada região tem o seu infortúnio, a sua idiossincrasia, e que o pedido de uma região abastada é diferente de uma região que precisa e necessita de coisas básicas, em que a cidade tem que atender a todos de forma diferente. Se não for assim, instale de uma vez o comunismo da igualdade: casas iguais, roupas iguais, vidas iguais e chorem depois com a desgraça. Pois, para a maioria, a pluralidade é linda!


Todavia, o Leprevost fez ao menos um favor a todas as pessoas que olham clinicamente para as situações ocorridas no país. Com essa conclusão, Ney mostra que é por isso que a música é Funk, a indumentária é decadente, o analfabetismo funcional impera, e o candidato a ir para o segundo turno é o Leprevost, em que critica de “tapume” as obras arquitetônicas de urbanismo na cidade. Perdeu-se a arte clássica, daquilo que se conclui: “se é belo, é bom”. Agora, o que é utilitário, o que é descartável, o que é barato que é aceitável. Mas ainda bem que há luz no fim do túnel e parece que Leprevost perderá a eleição. Agora, caso Leprevost tivesse possibilidade de vencer, seria interessante e engraçado ver uma obra de arte feita de Tapume, com assinatura do gordo fuleiro. Seria mais assustador ainda ver a inauguração da porcaria, com o discurso robótico do candidato do PSD. Ainda bem que é só ilação e não concretização do absurdo.

Por fim, o leitor reparou que a pessoa que critica o Greca por ter dito que não quer que Curitiba fique conhecida, com razão, como a “Masmorra do Brasil” – em alusão da cidade ser sede da Lava-Jato -, é a mesma que não fica inconformada com o Leprevost ofender a história da região, ao dizer que as construções urbanísticas da cidade são tapumes (?). É a Aristocracia Curitiboca formada por gente que vota no obtuso Leprevost, o gordinho fuleiro.  

Portanto, Leprevost é um homem obtuso, sem visão, que não respeita os valores da cidade em que quer ser prefeito. Ney critica as assinaturas arquitetônicas da cidade como sendo meros tapumes, adornos da cidade que não possuem expressão. Por fim, desnuda a visão decadente da ignorância encalacrada no seu reger vivencial, ao não dar valor aquilo que é até orgulho para o curitibano: as fotografias da cidade.   

Obs: Eu exijo que ele prometa que não irá destruir o Tanguá e outros “tapumes”. Porque depois dessa do tapume, eu fiquei com medo.

Obs2: Eu estou sob medicação de gripe e resfriado, então, se esse texto não ficou tão bom em coesão e coerência, relevem, pois estão sem condição de ofertar qualidade (Curitiba: Semana passada teve geada que parecia neve e ontem a temperatura chegou a 30ºC, então não há saúde que resista).





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