Princípios e valores para um novo Brasil
Por:
PSDB – Partido da Social Democracia Brasileira
Brasília, 3 de maio de 2016
1. Combate irrestrito à
corrupção
É
imperativo que o novo governo assegure expressamente que todas as investigações
em curso – em especial as empreendidas no âmbito da Operação Lava Jato com foco
no combate à corrupção – terão continuidade, sem serem submetidas a
constrangimentos de quaisquer naturezas. Também estará garantida a
independência funcional dos órgãos de controle externo e interno, como CGU e
TCU, e de investigação e persecução criminais, como a Polícia Federal e o
Ministério Público.
2. Reforma política imediata
Defendemos
a realização de uma imediata reforma política que busque garantir máxima
legitimidade e representatividade aos eleitos, que tenha como uma das
prioridades a imposição de cláusula de desempenho eleitoral mínimo para o
funcionamento dos partidos políticos, além da adoção do voto distrital misto e
do fim das coligações proporcionais. Defendemos também mais rigor da Lei das
Inelegibilidades e da Lei da Ficha Limpa. Devemos criar as bases de um novo
sistema político para que possamos voltar a discutir a implementação do
parlamentarismo no Brasil.
3. Renovação das práticas
políticas e profissionalização do Estado
O
novo governo deve estar comprometido com o combate incessante ao fisiologismo e
à ocupação do Estado por pessoas sem critérios de competência. Ministérios e cargos
comissionados devem ser expressivamente reduzidos. Por outro lado, as carreiras
típicas de Estado e os gestores públicos devem ser valorizados. Os cargos na
administração devem ser preenchidos com base na estrita observância à
qualificação técnica do indicado, tendo sempre como norma a busca pela maior
eficiência no uso do recurso público e a promoção da meritocracia na
administração pública, inclusive em empresas estatais, agências reguladoras e
fundos de pensão. As ações do Estado devem ganhar transparência e sujeitarem-se
ao escrutínio e à fiscalização da sociedade.
4. Manutenção e qualificação
dos programas sociais, com redução da desigualdade e promoção de oportunidades
Numa
situação de crise aguda como a atual, deve estar garantida a manutenção e a ampliação
dos programas sociais que se direcionam para os segmentos mais vulneráveis e de
menor renda da população, em especial o Bolsa Família, o Minha Casa Minha Vida,
o Pronatec, o Fies e o Prouni. Adicionalmente, os programas sociais precisam
ter como foco a melhoria da educação e a promoção de oportunidades iguais para
todos os cidadãos, com vistas a diminuir sua dependência em relação ao Estado.
Neste sentido, especial atenção deve ser dedicada às mulheres, aos jovens e às
pessoas com deficiência. Nenhum resultado, porém, será satisfatório sem que o
país obtenha a retomada do crescimento econômico, com ênfase na geração de
empregos.
5. Revisão dos subsídios
fiscais para fomentar o crescimento
É
necessária a reformulação da política de subsídios, renúncias fiscais e
financiamentos patrocinada por bancos públicos e agências de fomento. Os
subsídios financeiros e creditícios precisam passar por rigorosa revisão e as
linhas de crédito de bancos públicos, em especial do BNDES, devem ser
conduzidas com absoluta transparência. A prioridade deve ser dada a projetos de
elevado retorno social, em especial projetos com maior capacidade de geração de
empregos nas seguintes áreas: saúde, educação, saneamento, segurança,
mobilidade urbana e tecnologia.
6. Responsabilidade fiscal
Um
governo comprometido em cuidar bem do dinheiro dos contribuintes não pode
gastar mais do que arrecada e deve ter compromisso com o equilíbrio das contas
públicas. O Executivo deverá apresentar, em no máximo 30 dias, um conjunto de
medidas para a recuperação do equilíbrio das contas públicas que sinalize o
controle do crescimento da dívida pública até 2018. É, também, imprescindível a
promoção de reformas que garantam a sustentabilidade do nosso sistema de
previdência social.
7. Combate rigoroso à inflação,
preservando o poder de compra dos salários
A
inflação deve ser tratada com tolerância zero, para o que é fundamental o
auxílio da política fiscal (controle de gastos públicos), de forma a reduzir o
papel das taxas de juros no controle da inflação.
8. Simplificar o sistema
tributário, torná-lo mais justo e progressivo
Deve-se
buscar a unificação de tributos e a redistribuição mais justa da carga. O
Executivo deve apresentar uma proposta de simplificação radical da carga
tributária e iniciativas para aumentar a progressividade e a justiça tributária
na cobrança de impostos. Qualquer medida nesta área deve ser a mais horizontal
e equilibrada possível.
9. Reformas para a
produtividade
É
imperativo que o novo governo proponha, em regime de urgência, uma agenda de
reformas estruturais que criem condições para que o Brasil volte a ser um país
competitivo, com melhores condições de gerar emprego, renda e bem-estar para as
pessoas, e com equilíbrio nas contas públicas. E, ainda, recupere as agências
regulatórias por meio de gestão profissional que busque de forma equilibrada o
interesse da sociedade e o aumento significativo do investimento em
infraestrutura, baseado num programa consistente de privatizações, concessões e
PPPs. Estes serão os motores para a retomada do crescimento, para o
fortalecimento da indústria, da agricultura, dos serviços e do comércio, as
premissas para a melhoria das condições de vida e o aumento da produtividade no
país.
10. Maior abertura e
integração do Brasil com o mundo
Para
recuperar seu papel no concerto das nações, o país precisa reorientar sua
política externa e comercial de maneira enérgica para que possa se reintegrar à
economia global e ampliar as oportunidades de empresas e de cidadãos
brasileiros. Nossa diplomacia deve se guiar pelo interesse nacional e não por
ideologias.
11. Sustentabilidade em
prática
O
Brasil tem condições de liderar a agenda global da sustentabilidade, começando
por ampliar e inserir mecanismos de adaptação e mitigação aos efeitos da
mudança climática em todas as políticas públicas. É imperativo também que o
país acelere a consecução das metas de redução de emissões de gases de efeito
estufa estabelecidas no Acordo de Paris.
12. Reformulação das
políticas de segurança pública
A
segurança pública deve ser objeto de trabalho integrado das polícias, de
modernização das formas de combate ao crime organizado, de uma política
adequada de enfrentamento à questão das drogas e de maior proteção de nossas
fronteiras, com vistas a reprimir o tráfico de armas e entorpecentes,
capitaneados pelo governo federal.
13. Educação para a
cidadania
Os
recursos disponíveis precisam ser mais bem aplicados, a começar pelo apoio a
estados e municípios que cumprirem metas rigorosas de cobertura e melhoria da
qualidade e equidade nos sistemas de ensino, associado a um amplo programa de
formação e valorização de professores, com ênfase na meritocracia. Uma das
primeiras tarefas do novo governo é redefinir as novas bases curriculares, para
que realcem a cidadania e efetivamente contemplem saberes que abram portas para
crianças e jovens. A educação deve estar voltada ao desenvolvimento humano e ao
trabalho.
14. Mais saúde para salvar
vidas
A
atuação do Estado na saúde deve estar voltada a salvar e melhorar a vida dos
brasileiros, e não a remediar arranjos político-partidários. É preciso aumentar
a eficiência e a sustentabilidade financeira do sistema, que hoje desperdiça
recursos. Com sua base de financiamento cada vez mais reduzida, o sistema
público tem que dar prioridade aos mais pobres. O primeiro passo deve ser
ampliar a atenção básica com medidas estruturantes.
15. Nação solidária: mais
autonomia para estados e municípios
Defendemos
que a relação entre União, estados e municípios seja mais equilibrada, pondo
fim a uma política marcada pela subserviência e pela troca de favores. É
urgente a definição de um novo pacto federativo que fortaleça e aumente a
autonomia de estados e municípios, para que possam gerir melhor os bens
públicos, aplicar melhor os recursos e, desta maneira, fazer aquilo que de fato
devem fazer: cuidar melhor das pessoas. É imperativo que o governo federal lidere
este pacto, inclusive para superar impasses como os que hoje se encontram
pendentes de decisão do Supremo Tribunal Federal.
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O
documento foi assinado pelo presidente nacional do PSDB, senador Aécio Neves, e
pelos governadores Beto Richa (PR), Marconi Perillo (GO), Geraldo Alckmin (SP),
Pedro Taques (MT), Reinaldo Azambuja (MS) e Simão Jatene (PA). Clique AQUI para
ver a íntegra do texto, com a assinatura dos tucanos.

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