Interdição D-ND Senil
Por: Júlio César Anjos
O
conteúdo apresentado neste texto é um assunto escamoso, complexo, que requer
atenção. Até porque muita gente com ampla capacidade de interação, em pleno
gozo de consciência, achará que se trata de um provável preconceito ao possível
vulnerável em questão. Porém, o tema é de suma importância a ser debatido,
discutido, para que se evitem transtornos maiores por causa de haver justamente
omissão. Portanto, é salutar requerer,
quando possível, Interdição por Doença
NeuroDegenerativa devido à Senilidade (Interdição D-ND Senil). Ou seja, em
outras palavras: Tornar inapto aquele que, por falha das faculdades mentais,
devido à velhice, crie desconforto por não estar em perfeito funcionamento de
consciência e/ou percepção.
É
difícil falar nesse tema complexo porque mexe com o brio dos velhinhos, além de
que ninguém quer ser forçosamente inativo, então só a menção dessa
possibilidade conflagra uma reação de repulsa aos idosos, como se fosse insulto
por impedirem de agirem normalmente; ao passo que não entendem que, justamente contrária
a essa “imposição”, é contumaz proteger o senhor de idade para que não manche a própria biografia ou cometa até mesmo crime em execução. O vulnerável, dependendo do
agente inescrupuloso influenciador, pode aviltar essa pessoa frágil,
manipulando-a como quiser. Tal malogrado é visto tanto em netinhos dando golpes
nos avós até no quesito mais amplo, em colocar palavra na boca de um senhor
intelectual, que, por estar debilitado, dá a impressão que tal ancião tenha
realmente dito o que fora destacado. A vida impõe limites. Tanto é que até a
legislação indica desde a PEC da bengala até aposentadoria. Portanto, “Todo
carnaval tem seu fim”.
O
maior exemplo, talvez, no campo intelectual se deva ao Nietzsche, pensador
niilista, em que a sua irmã, ao se beneficiar de tal seara, usou dos últimos
trabalhos feitos em rascunho do mentor, para cimentar a ponte do “nome-status”
do intelectual ao idealismo extremista. Embora o filósofo tenha morrido aos 56
anos de idade, é notório saber que, naquela época, a longevidade era muito
menor que hoje em dia, por isso que é crível que a doença depauperante tenha
minado sua sanidade mental. Se o Nietzsche tivesse uma interdição por não estar com as
faculdades mentais em dia, a irmã não conseguiria usar seus trabalhos póstumos,
e hoje não haveria a suposição e ligação de Nietzsche com o nazismo. E são justamente os trabalhos de fim de vida
do pensador que são os mais polêmicos e utilizados para fins torpes.
Diante
disso, as figuras mais proeminentes no campo político do Brasil possuem idade
elevada, o que mostra, além da falta de oxigenação do “novo”, que a utilização
da fragilidade destes vulneráveis possa ser uma ameaça real. Figuras de proa como Fernando Henrique Cardoso
(FHC), Olavo de Carvalho, e Michel Temer, possuem idade elevada de 70 (setenta)
anos ou mais. FHC, por exemplo, nos últimos tempos, deu a fazer entrevistas sem
se importar com os desdobramentos que sua opinião possa influenciar em
determinado sentido. O exemplo mais crasso se dá na sua “convicção” sob a legalização
das drogas, tema sensível ao Brasil, que o antigo presidente tende a opinar sem
se importar com os pormenores. Já o grande pensador Olavo de Carvalho, grande
filosofo da atualidade, também começa a modular a forma de pensar, o que faz
gerar algumas duvidas as quais pairam no ar [e fica aqui uma dica: caso não
confesse que em tal data se aposentará, deixará em aberto ilações, podendo
gente próxima ao pensador meandrar tais posições do jeito que se queira, nos
mesmos moldes de manipulação que fizeram com o Nietzsche, postumamente, sujando
sua biografia impecável até o momento]. E, por fim, o Temer, como possível chefe
de executivo, possui 75 anos, idade elevada para quem é presidente de uma nação
tão grande como o Brasil, tendo que articular com essa carga pesada de vida,
além de ter que resolver a situação que se encontra o país. Infelizmente, o que fora
apresentado no parágrafo não é uma chicana a “velhos gagás” que merecem ser
calados por censura, mas que tal condição problemática possa ocorrer de fato,
por isso que para evitar pormenores, aposentadoria total também é sapiência, também é erudição.
Por
isso que dependendo da manipulação que o malandro faz a tal vulnerável, é
crível que haja, sim, um dispositivo que funcione para ativar a interdição
neurodegenerativa diante a senilidade, para preservar a imagem de quem tanto
contribuiu a vida toda, que, por infortúnio do acaso, caiu em lapso mental no
fim da jornada, podendo até mesmo manchar biografia; por isso que tal recurso
de intervenção possa ser até mesmo fundamental. E, também, a cabeça fresca de
um homem na flor da idade não se compara ao funcionamento de um cérebro de um
longevo, por mais que seja sadio, pela própria degeneração das células que mais
morrem do que nascem, faz compreender que o imperativo da aposentadoria forçada
seja algo real.
Pois
então, qual a solução? Em primeiro plano, a maturidade tem que vir do próprio
idoso que se aposenta e torna pública a saída de “campo”, ou seja, parando por
ali a execução, em que tais pensamentos póstumos a tal data seriam apenas
opiniões vãs de um cidadão qualquer – e não artigos embasados que definem um
posicionamento em uma questão. Em segundo lugar, o “desconfiômetro” tem que vir
dos terceiros, que, sabendo que não podem atingir vulnerável, não os usam para
fazer qualquer tipo de ilação – como o exemplo contumaz de jornalistas fazendo
entrevista com o FHC e distorcendo os “fatos”. E, por fim, prescrever em lei
tal condição. Já há dispositivo, como a própria aposentadoria que confessa a
degeneração do trabalhador, por isso a existência da previdência, além da PEC
da bengala no judiciário; porém, é preciso também fazer ao menos algumas
modificações pontuais. Assim como há um recurso que impede, pelo piso, a certa
idade um candidato ser presidente (35 anos, parece...), deveria haver um
dispositivo que criasse um teto de idade para concorrer ao executivo nacional:
60 anos, se houver reeleição; 65 anos no máximo, em mandato único.
Enfim,
muita gente com idade elevada poderá tomar o embasamento como insulto, não
compreendendo que a articulação é fomentada justamente a preservar a
integridade do idoso que talvez possa sofrer tal ardil. A medida se faz
necessária para que lapsos ocasionados por falhas nas faculdades mentais,
devido à degeneração natural ocasionada pela velhice, não gerem mal entendidos,
que instiguem problemas de interpretação, mitigando a possibilidade de manchar
o curriculum, a biografia, da figura pública. Portanto, que a discussão fique em aberto,
para que se possa achar uma solução plausível sobre essa condição.
Obs: A Erundina deveria ser a primeira pessoa a sofrer Interdição D-ND Senil. A velhota enlouqueceu e resolveu virar presidente da câmara dos deputados por vontade própria. Diante tais fatos, tenho certeza que estou certo quanto a isso.

Interdição D-ND Senil de Júlio César Anjos está licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0 Internacional.
Baseado no trabalho disponível emhttps://efeitoorloff.blogspot.com.br.

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