A Fissura da Secessão

Por: Júlio César Anjos

Pulula na internet a ideia “brilhante” de separatismo, a secessão, entre as regiões do país. Parece que o desquite virou uma forma de milagre, em que basta os estados da federação serem “livres”, que tudo se resolverá por si só. É um pensamento tanto quanto pueril; para não dizer que é uma ideia estúpida. Até porque há mais pontos negativos que positivos no desmembramento das unidades, por isso que não vale a pena o fracionamento pelo lado racional, assim como é difícil desapegar pelo prisma emocional.

Primeiro, o lado teoricamente positivo da secessão dos estados da federação. Em um primeiro momento, Estados como São Paulo, em teoria, teriam um razoável desempenho, realmente com a separação, já que é um polo autossustentável. Em segundo lugar, por exemplo, todas as federações separatistas deixariam de fornecer recursos ao poder central – Brasília -, ao passo que isso seria benéfico para os divisionários, pois não faria o sistema de funil de recebimento e recolhimento de impostos, cujo recurso dos entes do pacto seriam apropriados nos respectivos estados e municípios, “lugar onde as pessoas moram”.  Pelo terceiro fator, cada unidade federativa possui sua cultura, sua idiossincrasia, por isso que a secessão represaria o “helenismo cultural”. Cada “macaco” no seu galho; cada um no seu lugar. E, por fim, pelo lado de blocão, de grande área de extensão territorial, realmente dependendo do sistema implantado pode não dar certo o resultado esperado (de sinergia), em que a separação se faz necessária, diante do resultado de fracasso dessa concepção, como os ocorridos pela junção da antiga Iugoslávia e a “extinta” URSS (União das Repúblicas Socialistas Soviéticas). Nesse caso, é totalmente crível fazer a separação entre as unidades que sofrem com essa "escravidão".

Agora, o lado positivo da união feita pelo pacto federativo. A primeira questão que escancara em beneficiamento se dá pelo artigo que já fora escrito pelo blog, chamado “Contém e Está Contido”, em que demonstra a sinergia – o todo é maior que a soma das partes.  É justamente o Brasil ser esse conjunto de estados, formando uma grande nação, que dá o poder em ser a 8ª maior economia do mundo, tendo poder de barganha pela globalização, por ser um país, de certo modo, potência mundial. Faz o Brasil ser um país que dá as cartas na mesa, no cenário internacional. Outro fator importante é que cria leque de disponibilidades em recursos dos mais variados, desde os humanos até materiais, com riqueza natural a reboque. Para quem gosta de trocas voluntárias, ter um país tão miscigenado é algo sensacional, “multi-mundos” dentro de um mesmo país. E, também, a união possui grande gama de potencial para turismo, que vai desde serra que deflagra frio bem rigoroso até lindos paraísos naturais. Esse último item, porém, realmente leva à defesa emocional, pelo passional de viver no Brasil.

  No entanto, guiado pelas paixões, algo que também tem que ser contabilizado se tal argumento é valido ou não diante a uma possível secessão, é se o brasileiro aceitaria perder todo o composto de riqueza que possui o Brasil? Como exemplo, cita-se: Os Lenções maranhenses ou Fernando de Noronha, no nordeste; O pantanal do centro-oeste; a Amazônia "pulmão do mundo" no norte; o eixo Rio-Sampa, do sudeste, tão querida por todos; além de Foz do Iguaçu, no sul [Sem falar em outros lindos cenários exuberantes que existe país afora]. Perder toda essa riqueza imensurável, que se potencializa em um Brasil plural beira à loucura. É por causa desse “TODO” que muita gente ama o país. Tal diferença entre regiões mostra também que os usos e costumes são variados, podendo ser permutados, gerando uma riqueza de povos diferentes, mas unidos pelo mesmo ideal: que é fazer o Brasil próspero, lindo e triunfal.

Quanto a São Paulo se beneficiar com a separação, cabem ressalvas. Abram-se parênteses. São Paulo, certamente, se beneficiaria em não ter que ser apenado toda vez que o orçamento da união é aprovado, em que o dinheiro vai para Brasília bem gordo e volta para o estado bem magro. Mas, São Paulo também perderia posição em escala geográfica, sendo uma unidade de negócios que atenderia somente a região, somente pontual, perdendo o poderio de representante do Brasil como um todo. Ou seja, A grande São Paulo dos business que tanto faz acordos em nome do Brasil, perderia grande quantidade de valores financeiros porque, após a separação, representaria apenas a “nação bandeirante”. São Paulo é rico, também, porque representa o Brasil nos negócios. Perdendo o Brasil, perde-se também esse grande valor agregado. Simples assim. Sem falar que perderia poder de barganha, por ser só mais um país mediano negociando com o mundo. Fecham-se parênteses.

Portanto, pelo prisma obtuso em olhar somente PIB, em dados absolutos, muitos adeptos da separação se esquecem de olhar “os contras”, focando só “os prós”. O maior problema no quesito de riqueza monetária se dá no poder de barganha internacional. Pois, uma coisa é se impuser ao mundo sendo a 8ª maior economia do mundo; a outra, figurar, ao se separar, por exemplo, lá pelo 45º lugar em posição no ranking de PIB, não apitando nada no cenário internacional. Sem falar nas perdas de riquezas naturais abundantes em outras regiões que se esvai pela divisão, em que não se pode colocar tal ativo em uma mesa, ao fazer um acordo bilateral. Ou o leitor acha que a Canada (9º colocado em ranking do PIB) tem menor poder de influencia internacional que um Irã (29º colocado no ranking do PIB), por exemplo? Portanto, PIB conta sim! Ao fazer a separação geral, todos os blocos fragmentados perderiam a sinergia da união, além de perderem barganha no âmbito internacional; sem falar que perderia a pluralidade de riqueza natural.

O fracasso de um sistema absolutista, com o poder todo concentrado em Brasília, está fazendo brasileiros de todas as regiões quererem a separação.  Porém, é certo que controle central em toda a região é muito parecido com blocão socialista, com a escatologia do fracasso de forma igual. Talvez os brasileiros estejam confundindo independência dos estados (secessão) com autonomia das regiões – um tipo: “Estados Unidos do Brasil”. Por isso, há de mudar, realmente, em algumas hastes de sustentação o pacto federativo, dando mais poder aos estados e municípios, mitigando o poder central de Brasília. Além de que o povo clama pela mudança de Brasília para uma capital “povoada” (para o político sentir o bafo do povo). Goiânia seria uma boa opção. E é sim perfeitamente crível fazer tais mudanças sem precisar de cisão. Por isso que é bobinho o argumento pelo simples achismo da separação.

E não é também pelo fato do PT ter roubado todo mundo que tal condição embase separação, pois seria, por um exemplo esdrúxulo, como uma empregada ter roubado um casal, e o marido [que ganha mais que a sua companheira (em que ela ganha pouco, mas ajuda em casa) e por isso o homem paga a maioria das despesas da residência] queira a separação porque a doméstica era de confiança da esposa (em que o marido não queria a contratação da profissional do lar em questão). É assim que se vê alegoricamente, quando o sudeste, por exemplo, ataca o nordeste de ter apoiado a Dilma na eleição de 2014. Não se acaba com um casamento por causa de um motivo torpe; assim como não se faz secessão sem haver uma justificativa ao menos plausível para tal.  

Enfim, ao olhar holisticamente, diante um assunto tão complexo como a secessão, há de verificar ao menos os prós e contras do desdobramento desse suposto processo que seria colocado em execução. Só o achismo bobinho de “sim” ou “não” não é solução. Porque a causa pode gerar um efeito totalmente ao contrario ao que se acreditava acontecer, gerando um problema, em que se acreditava fazer uma solução. Por olhar o quadro por completo, nota-se que não é de bom tom, no Brasil, triunfar a divisão. É mesmo a fissura da secessão; ser gamado por quebrar.





 

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