Revoada de Ferreirinhas
Por: Júlio César Anjos
Ferreirinha
é uma ave parecida com o pardal, só sabe fazer sujeira e não canta. Também é
parecido com a política, pois não serve pra nada. Mas há um Ferreirinha que fez
político até ganhar eleição, ao gorjear inverdades na televisão. Aos
postulantes do poder que enxergam que tal ato seja bem sucedido, faz promulgar
a revoada de Ferreirinhas, a emporcalhar o meio político, para obter quinhão
eleitoral. Portanto, até findar a destituição de Dilma, muito Ferreirinha voará
por aí. Tomem cuidado; e prestem atenção. São os Ferreirinhas da destruição.
Quem
não é do Estado do Paraná, ou é uma pessoa muito jovem, talvez não saiba do
caso Ferreirinha, que fez o comedor de mamona, vulgo Requião, ganhar a eleição
estadual de 1990. Segue o caso: Requião e Martinez disputavam a eleição para
governador em 1990. Martinez estava liderando a corrida e seria o vencedor da
eleição. Mas na última semana de programa eleitoral gratuito na TV, Requião
veio com tal Ferreirinha, que disse na TV que Martinez teria mandado matar
agricultores no interior do Paraná. Tal pronunciamento era uma fraude. Enfim, a
fraude fez Requião vencer a eleição. O fim justificou o meio. E o comedor de mamona até hoje escarnece o
povo paranaense (e brasileiro) com as suas investidas a favor da ORCRIM –
apoiando o PT e asseclas.
Esses
casos nebulosos não afetam só o mundo político, pois a biografia da Agatha
Christie é recheada de confusão, em usar também uma estratégia Ferreirinha, no qual se pode provar
pelo enredo histórico. Segue: “O Mistério do desaparecimento – Em 1926, depois
de casada por 12 anos, Agatha descobriu que o marido tinha um caso. Em grande
golpe publicitário, Christie desapareceu. Seu carro acidentado foi descoberto
com malas e manchas de sangue, mas sem qualquer vestígio da dona. Os jornais
ofereceram recompensa para quem a encontrasse. Archibald Christie ficou sob
suspeita de ter assassinado a esposa. Depois de 11 dias de busca, ela foi
descoberta em um hotel em Harrogate, no norte da Inglaterra, registrada com o
sobrenome da amante do marido, alegando ter perdido a memória”. Ou seja, fez teatrinho para vender mais livros
policiais que ela escrevia. E, também, esse caso é semelhante ao filme “Garota
Exemplar” (Gone Girl), estrelada por Rosamund Pike e Ben Affleck. É um caso
Ferreirinha nível Hollywood.
Tudo
isso para dizer o simples: talvez o fim justifique o meio.
Por isso que a mídia em geral está fazendo há
uma semana essa revoada de Ferreirinhas, para tentar inibir a destituição da
ex-presidente em atividade, a tal de Dilma. Porque após passar o evento da
votação do impeachment, se conseguirem salvar o impedimento, a ressaca no dia
seguinte será na melhor das hipóteses apenas piada de salão; isso se não cair
no esquecimento. Porque depois do evento passar, os fins justificam os meios e
as ações praticadas anteriormente seriam até mesmo perdoadas, por serem erros
bobinhos cometidos por pessoas que estavam desesperadas. E tudo seria arquivado
na pomposa pasta da praxeologia histórica. Requião está aí, vivinho politicamente, em que não (me) deixa mentir.
E
mais revoadas de Ferreirinhas serão feitas até findar o impeachment, que, em
bando e emporcalhando por onde passa - assim como o passarinho age na natureza
-, cria na política o mimetismo ao bicho silvestre, no qual colocam casos de escândalo
até mesmo a nomeação do animal: Ferreirinha!
Enfim, Quantas
histórias semelhantes a essas que parecem possuir alguma graça (?), mas, ao
analisar bem, não passam de uma corrente de desgraça, são ouvidas e repassadas por tradição, pois o homem ironiza até
mesmo a tragédia. Em uma sociedade saudável, casos Ferreirinhas, tanto do
comedor de mamona quanto de Agatha Christie, seriam condenáveis e até mesmo apenariam
quem ousasse ir por esse caminho. Mas o homem é falho e sua falha faz as
pessoas caírem em complacência, perdoando aquilo que até mesmo nem poderia ser
perdoado. E é por isso que Ferreirinha é ousado a ser usado.
Portanto,
até a destituição da Dilma, revoadas e revoadas de Ferreirinhas cruzarão os
céus do país, que emporcalharão o meio midiático, que informará o planar do fim
que justificará o meio, mesmo esse meio sendo injustificável. São os
Ferreirinhas da destruição!

Revoada de Ferreirinhas de Júlio César Anjos está licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0 Internacional.
Baseado no trabalho disponível emhttp://efeitoorloff.blogspot.com.br.

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