Pequenos Ditadores da Internet
Por: Júlio César Anjos
A
internet tornou-se ferramenta útil para discussão profunda sobre alguns tópicos
sensíveis à população, como questões religiosas, políticas, sociais e etc. E
diante as querelas comunitárias do dia-a-dia, os embates viraram gamas de
informações anárquicas, sob a batuta de mídias sociais. Pode-se tudo, desde que:
não se infrinja os termos privados de norma, conduta e uso; e de legalidade, na
questão estatal. Mas mesmo nesse caos, aparecem indivíduos influenciadores, que
ganham projeção por serem porta-vozes de alguns posicionamentos estratégicos de
divergências quaisquer. E é aí que
aparecem os aprendizes absolutistas que querem dominar algum mainstream, que,
por mandarem, sabem que haverá uma plateia interesseira que deverá e/ou poderá
obedecer.
Antes
de tudo, o que é ditadura? No conceito macro e real da expressão, é a
concentração de poder nas mãos de um só homem - que é o ditador. O ditador pode
ser: tirânico – no sentido piegas do termo, que domina pelo medo; ou déspota –
o povo aceita ser regido por um soberano. Já no sentido micro de relações
interpessoais, há pessoas caricatas que se aventuram a tentarem serem figuras
proeminentes às demais. Por isso que na rede de computadores não é diferente, o
virtual apenas torna-se um reflexo do que acontece no mundo real, o que faz
surgir, nos países livres – no sentido de liberdade de expressão -, o pequeno
ditador de internet.
Diante
disso, o pequeno ditador de internet sempre será a figura ativa, por motivo
óbvio, pois sempre passará a informação que achará ser a verdade universal, em
determinada condição. E a figura passiva é o interlocutor, que absorve a
informação, entrando em estado de transe, em que começa até mesmo a acatar
ordens do locutor, que, nessas horas, já virou até mesmo um ser superior, com
iconografia, virando ídolo, tornando-se um ente intocável naquela atual
situação. Ou seja, na rede de computadores algumas pessoas querem fazer parte
do reinado desse déspota, aceitam ser feudalizadas, pois é o contrato social
realmente em ação.
Então,
alguns pequenos ditadores de internet não são soberanos porque agem com
coerção, mas porque as pessoas o delegam a “coroa” para que essa pessoa
influenciadora defenda o “reino” em questão, sendo submetidas a tal condição,
em que se geram desdobramentos dos mais variados. Até a internet, sabendo
disso, organiza o produto com expressões como Seguidores e Seguindo, mostrando
que há mesmo uma hierarquia de figura ativa e passiva. Mas existem diferentes
tipos de pequenos ditadores na internet, que será dissecado neste texto, para
que os leitores consigam desmascarar alguns embusteiros que praticam, até
mesmo, rituais de seita.
Segue
alguns tipos de pequenos ditadores, que ditam o que querem que você faça, em
questão: 1) Pequenos Ditadores da Internet Imperativo/Afirmativo; 2) Pequenos Ditadores
da Internet Negação; 3) Pequenos Ditadores da Internet Napoleão; 4) Pequenos Ditadores
da Internet Comportamentais; 5) Pequenos Ditadores da Internet Salivantes; 6) Pequenos
ditadores da Internet Censura.
Pequeno
Ditador da Internet Imperativo/Afirmativo – Que pode ser chamado de ditador
Coca-Cola (Beba Coca-Cola!) ou Baton (Compre Baton!). É o influente que utiliza
o verbo no imperativo e afirmando o desejo a ser satisfeito. Ou seja, utiliza o
termo no imperativo para modular os seguidores. Exemplos: Vote em fulano! Faça
isso! Vá naquilo! Leia esse texto!... Ou, como sugere a música da Pitty:
“Pense, fale, compre, beba/ Leia, vote, não se esqueça/ Use, seja, ouça, diga /
Tenha, more, gaste, viva”. São vários os players que fazem isso, às vezes pelo
automatismo, sem nem mesmo saber que está sendo um líder de seita autoritário.
Pequeno
Ditador da Internet Negação – É o locutor que utiliza o verbo no imperativo,
mas com o advérbio de negação antes da ação. Como exemplo contumaz nas eleições
de 2014, a propaganda do PSDB em que mostrava a campanha sórdida do PT, em que
pedia para não votarem no Aécio. Não
vote no Aécio! Não coma carne! Não julgue as pessoas! Não, não, não, não... Sempre
com o verbo no imperativo depois. Usa termos, também, como: "não adianta", para imobilizar o interlocutor.
Pequenos
Ditadores de Internet Napoleão – É o ditador “Vamos lá!”. Vamos lá! Dar deslike
no Porta dos Fundos; Vamos lá! Dar deslike na página do Aécio; Vamos lá! Fazer comentários
negativos contra quem não se gosta; Vamos lá! Defender quem o grupo gosta. E
por aí vai... São aqueles influentes que
fazem efeito de gangue contra ou a favor algum objetivo estabelecido. E não
precisa dizer que quem obedece sem ao menos pensar é uma marionete bovina.
Pequenos
Ditadores de Internet Comportamentais – Aqui se englobam pessoas que impõem o regimentar
de como se vestir, como se alimentar, como viver “em um mundo melhor”, um construtivismo
social aos moldes do ditador. Os exemplos são básicos, como: “se comer carne,
fará mal para o mundo”; Ou: “Se você se veste assim, é uma prostituta”; ou
então: “Come igual um porco e depois não quer virar um”. São geralmente ligados
à ditadura da beleza, somado com o aspecto cultural. São ditadores sociais.
Pequenos
Ditadores de Internet Salivantes – São os influentes que são aprendizes do Lula
e/ou fazem cosplay de Hitler. Usam da raiva na carranca para provar, pela “indignação”,
que estão certos, dando a entender que são perigosos, mostrando na tela um
verdadeiro ditador de prontidão.
Pequenos
Ditadores de Internet Censura – E, por fim, o tópico em que mais aparecem
pequenos ditadores, que são os que fazem censura na própria página. Apagam o
que não gostam de ler, ou sinalizam críticas negativas, para criar um cenário
de extrema concordância, dando ar de unanimidade, ao desempenhar status de
figura de proa na mídia social. Quem olha a interação acha que o retrato é de
total frisson, sem ter ninguém para discordar. Mas na verdade, a pessoa que se
diz figura pública, portanto popular, torna-se impopular ao censurar quem o
refuta, o interlocutor que até mesmo possa ser um fã em potencial.
Portanto, a questão é simples: o locutor manda;
e o interlocutor obedece. Esse é o contrato social da ditadura da internet.
Enfim, qual tipo de pequeno ditador da internet você segue?
"Me obrigue!"
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