PÂNICO!

Por: Júlio César Anjos

O Impeachment melhorará a economia de fato? A resposta é curta e grossa: Não. Para melhorar a condição econômica é preciso usar outros remédios e doses para essa tal enfermidade chamada crise, em que não adianta uma homeopatia para curar uma doença grave. Ou seja, só impedir a “presidenta” não resolve muita coisa. Apesar de ser quase que uma questão obrigatória destituir Dilma do poder, tais acontecimentos mostram que dependendo da decisão politica no congresso, o país poderá, infelizmente, entrar em depressão, em desespero, e até mesmo em PÂNICO.

É muito obtuso olhar o impeachment pelo aspecto somente econômico. Há outros fatores de desdobramento, como os mencionados no artigo com o título: “Porque sou a favor do impeachment” (link no final do texto), ao demonstrar que a destituição é algo realmente benéfico para o país. Neste artigo, em nenhum momento afirma-se que impeachment é sinônimo de melhoramento econômico a médio e longo prazo. Talvez seja remédio para curto prazo, num ínfimo período de tempo. Até porque a economia é complexa, por ter uma parte que pode ser mensurada, chamada de econometria, e a outra que não pode ser medida, que recai no aspecto de comportamento humano. Conclui-se, então, que a sociais e aplicadas é  de fato um campo científico enigmático.

Todo mundo que se diz sério, que acompanha politica de perto, já ao menos deu uma analisada no artigo do Plano Temer, o tal “Ponte para o futuro”, o que é jocosamente descrito pelos interlocutores como “Ponte para Terabítia”. É uma fábula, porém isso é irrelevante.  Mas as 19 laudas do documento se resumem a um tripé simples: 1) Reforma Trabalhista; 2) Reforma Previdenciária; 3) Reforma Tributária. Muito blábláblá para dizer o óbvio. O que não é óbvio é o PMDB estar 13 anos no poder, junto com essa organização criminosa da bandeira vermelha, e não fazer o mínimo esforço para ao menos se debruçar e debater sobre as matérias. Mas divaga-se sobre isso.       

Enfim, a economia melhorará somente após serem feitas as reformas mencionadas. A conclusão, então, é que só trocar quem sentará na cadeira presidencial, no final das contas, não resolverá nada.  Mas aí, alguém dirá: “Está vendo, não adianta tirar a Dilma de lá”. É o mesmo pensamento obtuso do ministro do “supremo” tribunal federal, o tal do Barroso, que nas horas vagas deve ser jogador de búzios, pois lascou um “meu deus” ao ficar estupefato com a possibilidade do Temer vestir a faixa presidencial, como se o governo petralha já não fosse um “meu deus” por si só.

Já o mercado financeiro brasileiro, um termômetro do que acontece no mundo econômico do país, está um pouco eufórico com a possível saída da Dilma – e do governo petralha - do poder. Isso significa dizer que, apesar do Temer ser horroroso, pelo menos o líder do PMDB ainda tem alguma credibilidade, mesmo que seja ínfima, para os operadores do mercado.  Caso contrário, mesmo com o impeachment em voga, o mercado reagiria negativamente à mera troca de chefe de estado. Conforme as datas para votação do impeachment vão afunilando, mais o mercado vai ficando "feliz", apostando na destituição. Ou seja, no aspecto econômico, o Brasil pode ter ao menos um alívio para poder fazer as mudanças para médio e longo prazo. E, por incrível que pareça, esse comportamento do mercado também dá outra resposta afirmativa, caso a Dilma permaneça no poder....

Que será o PÂNICO! Se a Dilma for salva na votação na câmara dos deputados ou no senado, tanto faz os pormenores dessa seara, o mercado, após a “absolvição” da incompetente, entrará em PÂNICO. Isso é certeza. O pregão no dia seguinte irá fechar (fuga de capital), a inflação tenderá a disparar, junto com o dólar que decolará, além de que as pessoas retirarão os bens dos bancos para se proteger do desastre. Com o viés de apocalipse, Estados e Municípios não conseguirão pagar as obrigações correntes (Salários e despesas de operação), além de que a violência poderá sair do controle (fora da normalidade a violência já está faz tempo). E aí, amigo, bem vindo ao mundo do “arrocho” salarial, do “gatilho” salarial e do “overnight” (além da dominância fiscal). Bem vindo à Venezuelização!

Após a remoção da presidente no poder, o país mostrará ao menos, de forma superficial e artificial, que não possui aparelhamento entre os órgãos institucionais (executivo, legislativo, judiciário), pelo menos de forma momentânea, no qual responde aos interlocutores que o legislativo é uma casa independente, embora o judiciário seja vacilante sobre os aspectos dos acontecimentos que vivenciam os dias atuais do país. Lembrando que aparelhamento dos 3 (três) poderes significa ditadura. Ou seja, ao menos quebraria uma haste do tripé ditatorial do poder do Montesquieu.

Se olhar de forma holística, o impeachment da Dilma é algo muito benéfico, talvez de suma importância, para o país. Agora, pelo aspecto especifico e/ou pontual, a destituição realmente não acabará com a corrupção, nem instantaneamente findará a crise, muito menos será a tábua de salvação para a nação. Porque o Temer está anos/luz de ser o cordeiro de Deus que removerá os pecados do mundo. Todavia, demover Dilma do poder mostra ao menos, nem que seja de forma tímida, que o Brasil não é um boteco, que há pelo menos um restolho de segurança jurídica, econômica e social, o que impediria ao menos o caos no dado momento. Dilma mantenedora do poder faz revogar a filosofia do Tiririca (“Pior que tá não fica”), em que: “pior do que tá fica sim”.

Portanto, realmente o Temer não será o messias que melhorará a economia do Brasil. Porém, ficar com a Dilma é gerar catástrofe ainda maior do que se apresenta nesse momento histórico que passa o país, em que se pode gerar PÂNICO – principalmente no aspecto econômico -, por causa da continuação da absolutista no poder, em que será, certamente, um cenário de apocalipse (Venezuela). Temer não é salvação, é apenas uma solução temporária para que a nação ganhe tempo para se reconstruir. A fotografia do Brasil hoje é calamitosa, mas ainda não é de desgraça, embora a permanência da Dilma no poder seja, com certeza, uma tragédia. O petralhismo jaz.



Obs: Vamos assistir de camarote quem são as lesas-pátrias que se ausentarão ou votarão pela permanência da ex-presidente em atividade, a tal Dilma Rousseff. Se Dilma se safar, seja na câmara ou no senado, a luta será de uma nação inteira contra meia dúzia de marginais com mandato político. Será interessante... 

Obs2: Interlocutores disseram-me que o mercado não aguenta mais a Dilma. São fontes primárias fáceis de serem encontradas, basta uma pequena conversa à boca miúda, ao pé do ouvido de alguns executivos, para saber que a mídia nem de longe está mostrando o que se passa no país de verdade. Muitos empresários não aguentam Dilma até 2018, por isso a campanha de não pagar o pato da FIESP e sistemas "S" em geral.



Link do artigo: Porque sou a favor do impeachment da Dilma



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