A Terceirização da Atividade-Fim

Por: Júlio César Anjos

O que está em debate, neste instante no congresso, é a votação da flexibilização do trabalho, dito como a lei da terceirização. Tal medida institucionaliza a possibilidade do empregador fazer terceirização até mesmo da atividade-fim, com o objetivo de dinamizar a empresa e o mercado de trabalho.  O documento será aprovado com certeza, e isso não é uma profecia, porque essa mudança é questão de sobrevivência do que resta de economia brasileira, sendo esse artificio mais uma medida a ser tomada pelos congressistas, para convencer empresários que se pode continuar a produzir no país. Mas há outras estratégias em ação.

Quem está fazendo Lobby para aprovar essa medida? Certamente são os empresários. Pois, se não aprovar a atividade-fim, será o fim das atividades no país. As empresas vão fechar. Simples assim. Porque o problema agora é estrutural e também conjuntural. Estrutural porque só existe “direito” e pouco “dever” na legislatura do Brasil, além da produtividade ser risível. E conjuntural porque as consequências da falta de estrutura cristalizam o PIB negativo. Enfim, o empresariado até quer manter a atividade, acredita ainda, mesmo tudo dando sinal que a teimosia é burrice, que as coisas vão progredir e o Brasil terá um futuro melhor. Por isso que a terceirização das atividades-fim, na teoria, é uma coisa boa, sim.

Essa lei, também, na teoria tirará o poder chantagista do sindicato em fazer paralisação "a torto e a direito", colocando as empresas de joelhos aos interesses da sindicalização. O empresário acha que, se atividade puder ser terceirizada, basta fazer contrato de “tiro curto” com as fornecedoras de mão de obra, que é só descartar após expirar o contrato e tudo se resolverá por si só. Isso não dará certo por um simples motivo: os sindicatos se adaptariam ao sistema e fariam paralisação na terceirizada, pois a velocidade de contratação e demissão é engessada, além de haver multa por quebra de contrato, deixando a empresa presa, só que agora pela concessão da atividade. Para ficar livre do sindicato, só se houver uma reforma trabalhista ou encher de lei acessória junto à terceirização, para enfraquecer os sindicatos em outras frentes. Achar que essa terceirização deixará o empresário livre de sindicato é burrice.

Mas se é uma coisa boa para o país e também beneficiará o PT, porque supostamente manterá o pátio fabril em operação – manutenção de empregos, impostos, circulação de mercadorias e serviços, lucros, entre outros –, por que, então, o PT insiste em ser “contra” tal elaboração?  Porque o PT trabalha com a dialética. E a dialética é a estratégia do: “se não der de um jeito, dá de outro”. Também porque a linha ideológica do partido é contra esta terceirização, com o partido não podendo ser flexível no ideal, quanto mais à legislação. Mas a principal estratégia é mesmo obter o quinhão político da lei em vigor. Se a lei for bem sucedida, a economia volta aos trilhos, o PT arrecada mais e mais, o “sucesso” da empreitada impulsionará a falsa sensação que o PT melhorou a coisa toda, pois seria um partido mágico. Se não der certo (o que muita gente acha que não dará mesmo), o PT já tem o discurso prontinho, mostrando que foi contra ao erro de estratégia. Pura dialética.

    O PMDB e PSDB são linhas auxiliares nessa empreitada. Primeiro que esses dois partidos são mais abertos à república do que a ideologia propriamente em si, além de que possuem relação amistosa com empresariado (O PSDB mais que o PMDB, óbvio).  O PMDB acredita que pode controlar o PT (não pode, pois o PT tem militante, enquanto o PMDB tem filiado no máximo). E o PSDB se satisfaz com o “status quo”, da dominação da esquerda no cenário político. Monopólio da esquerda no poder. Portanto, esses dois partidos trabalham em conluio com a estratégia de domínio político/econômico socialista de maneira geral, com o sistema escolhendo a dedo quem é oposição, aliado, e quem estará no “comando”, mas com todos se beneficiando com a orquestração. E o empresário, ao pedir penico com essa lei inócua chamada “terceirização”, acha que tudo se resolverá e poderá, em paz, trabalhar para obter lucro, porque o PMDB prometeu que seguraria a sanha do PT - sendo que na ideologia os dois partidos são iguais.

Portanto, a lei é inócua. Porém, a medida será aprovada em breve, para satisfazer empresário, que no final das contas está fazendo papel de lesado, ao pedir penico para político ensaboado.  A estratégia serve para o PMDB e PT manterem um pouco de atividade fabril no país, convergindo, através de manipulação, os empresários para as próprias garras da esquerda. Para o PT, o quinhão do sucesso e fracasso será contabilizado dependendo da narrativa apresentada, pois o PT trabalha com dialética e sempre obtém sucesso pela malandragem. É lei só para apagar incêndio, que, no frigir dos ovos, não resolverá nada, pois não terá parâmetro com leis acessórias, além de não inibir a sanha dos sindicatos, ao colocar o empresário no tronco. Só fará, no fim, infelizmente, fazer o Brasil virar mais Chinês. Bem-vindo à Nomenklatura.

E, por fim, Dilma sancionará a lei, mesmo fingindo não querer. Porque fingir, assim como mentir, é a vitamina do PT. É estratégia para salvar o país do bolivarianismo em curso. Mas, não dá mais para fazer "remendo". Para salvar o Brasil, só tirando o PT do poder. 

Impeachment da Dilma, já!




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