A Moda na Cultura Ocidental
Por: Júlio César Anjos
O
que é moda? Uma forma de mostrar a cultura, através de indumentária, em certo
período de tempo. A roupa que mostra a tendência de usos e costumes de uma era
(pode ser: meses, anos, décadas ou até mesmo milênios). É a vestimenta que se
une à tradição ou à política de um determinado tempo em curso. Moda é um
símbolo, um pedacinho de pano que tudo diz a respeito daquela sociedade em
questão, em tal período a contento. E, diante de todas as circunstâncias, a
moda floresce mesmo no ocidente, onde tem livre trânsito para criações das mais
variadas, da comportada à despojada, só se importando com a aprovação mercadológica e mais nada.
A
moda ocidental só varia de forma incontrolável na indumentária feminina. Na
roupa masculina, desde a silhueta Dândi, no período pré-Vitoriano, predomina
nos ternos bem alinhados até hoje, com pouca mudança em curso. Então as mulheres
estão sempre mais receptivas às mudanças de vestimentas, por isso a pujança de
modificações, de tempo em tempo, sob novos conceitos no ramo da moda.
Das
roupas femininas, há quatro tipos de conceitos que realmente quebram paradigmas.
São eles: Garota Gibson (1906); Melindrosa (1926); Pin-Up Girl (1941) e a “Exposta”
(1993). A Gibson, no início do século XX,
cria a espécie de mulher perfeita – do mesmo estilo do “Deus grego” esculpido
-, que até hoje é contextualizado ao arquétipo ocidental como padrão de beleza
feminino. A Melindrosa é uma tendência “pró-democracia”, que gera a independência
da mulher, ao ter poder até mesmo para votar. A Pin-UP Girl é a moda que mostra
a sensualidade da mulher, ao exalar sexo a quebrar o estilo recatado do sexo
frágil “dona de casa”. E a “Exposta”, já nos anos 90, começa a trazer a mulher
com a roupa íntima visível, mostrando tudo, ao trazer como roupa definitiva a
vestimenta intima somente.
Na
moda ocidental, o sistema é de “empurra” (vende), ou seja, o estilista ou a “Maison”
(“casa” onde contem marcas famosas) empurram a tendência para o cliente.
Geralmente no estilo “Pret-à-Porter” (pronto para vestir). Se agradar o público alvo, o sucesso estará
garantido e o lucro certo. A iniciativa sempre parte de capitalistas que
trabalham em tal ramo, sendo concorrentes uns dos outros, introduzindo conceito
da moda, alinhando algum viés pela roupa estilosa. Esse estilo de vida,
portanto, só funciona se o capitalismo triunfa (A máxima de Ford: “Se eu não
pagar bem meus funcionários, quem comprará meus carros?”). Caso contrário, a moda
seria “decadente” ou até mesmo “desconstrutivista” (decadência oriunda de grupo
de pressão). E, é claro, a burguesia “puxa” (compra) aquilo que quer usar. Casamento
perfeito entre oferta e demanda.
A
moda pode ser política? Sim, pois a roupa é um símbolo ambulante. Pode ser um grito de descontentamento ou uma
aprovação a algum regime, tanto faz, é a expressão visual básica, a foto do
momento, a radiografia social. Para critério de exemplo: O Terno Zoot (Símbolo
da vestimenta negra contra a divisão racial); As roupas Preppy e Bobbysoxer [(“Filme:
Tempos da Brilhantina”) vestimenta contra a tradição dos pais]; Os mods (grupo
de jovens Ingleses - influenciados pelos italianos - que expressavam preocupações por meio de casacos militares
e as boinas pretas); E a linha anarquista (desconstrutivismo, da internacional
situacionista, financiado pela união soviética, para sabotar a burguesia), são
exemplos claros de que a moda é regida também pela política e influencia, a fim
de manobrar, o gosto da maioria populacional.
No
Brasil, os brasileiros com a renda (grana) “curta” não conseguem acompanhar nem mesmo a
tendência de moda de varejo ("sacolão"), quanto mais o refinamento como essa
tendência burguesa. Mas o país possui
muita imposição construtivista e desconstrutivista no meio acadêmico. É só ver
a “impressão digital” do construtivismo russo nos uniformes escolares do ensino
público (peças iguais e baratas). Além de verificar o desconstrutivismo nas
universidades, em que os universitários se vestem como mendigos (Já que o
socialismo fracassa e a tendência da moda é o fracasso da favelização geral,
então o universitário se adapta ao meio ao invés de modificá-lo).
Portanto,
a indumentária identifica tendência cultural na cultura ocidental. Porém, não
em todos os lugares, pois os países latinos são tão atrasados que a
desigualdade social começa a virar uma igualdade fracassada, com a pobreza em
evidência, com a identificação visual da roupa sendo decadente. O Ocidente
(tirando os latinos) tem uma variedade incrível de tendências que marcaram a
história das gerações que puderam usar tais roupas e, com isso, tiveram a experiência
aprazível de vestir-se como queira, sendo livre para escolher o que deseja ser,
sem imposição de nada e de ninguém.
_______
Obs:
A
encadernação: Tudo Sobre Moda – de Marnie Fogg deveria ser vendida na livraria,
no Brasil, no setor de ficção. O livro é excelente, recomendável (o único problema
é não colocar a burca como moda, já que a roupa Kente – africana, e o Poncho –
latino entraram na encadernação).
Obs2: Vocês sabiam que em 1947 os russos zombaram da calça que viria a ser febre no mundo (e até hoje é), o jeans Levi's 501? Construtivismo russo "tirando sarro" do jeans, inacreditável...

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Baseado no trabalho disponível em http://efeitoorloff.blogspot.com.br.

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