Depois da Guerra...

Por: Júlio César Anjos

É incrível ver que as pessoas sempre estão prontas para renovar a esperança, com o pensamento positivo apontado em direção a um mundo melhor, ao dar “colher de chá” para um governo tirano atual, acreditando que as coisas resolverão por si só. E isso se reflete da literatura até clássicos da ficção, pois, sabe-se que as pessoas carentes sempre esperam por um príncipe ou que, após conflitos terminem, tudo seja resolvido e melhorado pela mágica da suposição.

Se as pessoas não tentassem tapear a realidade, a vida seria dura. Caso não tivesse tal pensamento de superação, os indivíduos cometeriam suicídios aos montes, pois a verdade poderia se cruel. Ou se adaptaria no melhor estilo robótico de ser.  Por isso, sempre vem aquele refrão: “Ah, depois da guerra tudo melhorará”, já dizia um entusiasta qualquer. Dependendo do que estaria por vir, infelizmente não iria melhor nada, pois os vencedores da “guerra” seriam os atrasados que só querem manipular. Por isso que uma guerra, por si só, não é um “reboot” que a sociedade poderia fazer para limpar uma sociedade da degradação.  Antes de luta física, a luta mental tem que ser vencida, pois seria somente troca de poder se os dois lados conflitantes tivessem o mesmo jeito de pensar, com a confusão sendo eclodida por picuinhas, ao não resolver de fato o problema.

O ser humano acredita na renovação de esperança da Fênix, que ressurge das cinzas. Tal linha de pensamento condiciona que após uma ruptura destrutiva haveria uma renovação, o nascimento do novo. Essa é a simbologia do termo. Por isso que as pessoas pedem, até mesmo, para haver uma guerra civil, pois resolveria tudo na base da brutalidade, ocasionando a tal “cinza”, ao haver o ressurgimento de um novo diferente e melhorado.  Mas as pessoas não entendem, ou não querem entender que, após a Fênix queimar, o que volta das cinzas é a.. Fênix! Não uma pomba branca da paz (do Picasso) ou um periquito coloridinho e calmo, pois nessa vertente, o que ressurge é justamente aquilo que foi destruído, mostrando exatamente o seu inverso: que tal animal não pode ser aniquilado, por ter vida eterna! Ressurgir das cinzas, portanto, pode ser “Highlander” conceitual.

Condicionando a essa simbologia, os clássicos literários que viraram clássicos de ficção mostram a utopia de acreditar que a destruição de uma coisa constituída poderia gerar um melhoramento de outro.  Aldous Huxley – Admirável Mundo Novo; e George Orwell – Revolução dos Bichos e 1984, são livros que abordam as questões da premissa falsa que sempre quando há um rompante de guerra, há a reboque um melhoramento geral. No Admirável Mundo Novo, após a Guerra dos 9 (nove) anos acabar, o mundo aceitou a Administração Mundial. No Livro Revolução dos Bichos, após a guerra dos animais contra o homem findar, os bichos aceitaram a administração dos porcos. E no outro livro de Orwell, 1984, as pessoas aceitavam o governo por causa do inimigo Goldstein, levando ao povo uma abordagem que o mundo, nas mãos do “inimigo”, poderia ser pior do que o cenário visto naquela época. Portanto, tudo leva a crer que depois da guerra tudo poderia ser diferente, ser próspero e mudar.

No aspecto dos livros e filmes de ficção, hoje em dia, que são produções recauchutadas dos clássicos do século XX (citado no parágrafo anterior), há 3 (três) contos que mostram, de forma contundente, essa premissa falsa do melhor porvir depois da guerra. São eles: Jogos Vorazes; Divergente; E O Doador de Memórias. Nos Jogos Vorazes, há uma revolta de uma das “tribos”, em que o governo central, “para o bem de todos”, cria formas de tributação, condicionando as outras tribos ao interesse do capitólio. No filme divergente, novamente, depois da guerra se fez “necessária” uma organização social, com o governo central criando regras em que compreende sobre aquilo que é “melhor” para todos. E, por fim, no filme Doador de memórias, logo depois também de um colapso, o governo central decide aquilo que é melhor para “todos”. Portanto, há semelhanças entre os livros clássicos e os clássicos da ficção.

Isso tudo se dá por causa da revolução. Para uma revolução dar certo, há a necessidade de acontecimentos para chegar ao objetivo final, que é ter o poder total (totalitarismo) nas mãos, através de três atos: 1) revoltar; 2) retardar; 3) resignar. Tal compreensão já fora explanado em outro artigo do blog, intitulado de: “Ritual: Os 3 R’s do Socialismo”, mostrando que as etapas satisfazem o ato revolucionário e o sucesso da empreitada.

Pelo empirismo dá para apontar as semelhanças entre os regimes fechados totalitários de Cuba e Coreia do Norte. Os dois países que ainda estão na “guerra fria” do século XX lutaram contra o império americano e o capitalismo, se revoltado ao sistema, ao passo que retardaram (atrasaram) o povo, seja pela educação, cultura e/ou monetariamente, a fim de fazer lei suntuária e economia planificada, gerando um Estado Policial (Ninguém pode fazer negócio, usar roupas diferentes e/ou falar sobre as coisas do “inimigo”).   Após concluir os passos, o povo, sem força em lugar algum, fica resignado com a situação, não indo contra o status quo padrão. Ou seja, revolta, retarda e resigna para não gerar a resistência.

Nos dias atuais, a América do Sul sofre de problemas de convulsões sociais, pululando a possibilidade de conflitos, com a eclosão de revoltas populares (guerra civil). Talvez seja isso mesmo que o bolivarianismo queira como estratégia de conclusão, pois abriria o primeiro ato: revolta, para implantar a reboque o segundo ato: retardar, a fim de fazer a nomenklatura ter o poder sobre os homens através do terceiro ato: resignação.

Que o povo sul-americano seja a resistência que os países precisam, não deixando que o comunista conte a história, mudando tudo (desde o vestir até o negociar), sendo totalitário, degradante, mas sempre começando a ensinar, em uma lousa qualquer, a seguinte frase de iniciação: Depois da guerra...

 

Obs: É bem capaz que eu seja até processado por ter colocado a expressão “Retardar” embaixo da foto dos estudantes por ter ofendido por serem “retardadas” (com problemas mentais), mostrando o analfabetismo funcional por não entender que a palavra em questão significa atraso educacional, proveniente de doutrinação.
Mas isso seria irrelevante, pois mostraria de antemão que o país já estaria em um processo avançado de totalitarismo.


Ritual: Os 3 R’s do Socialismo:
http://efeitoorloff.blogspot.com.br/2013/01/ritual-os-3-rs-do-socialismo.html


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