Grécia Comunista

Por: Júlio César Anjos

O partido comunista – pelo eufemismo de Syriza (Coligação da Esquerda Radical) - venceu a eleição falando a mentira ou a verdade. Em qualquer uma das situações, a Grécia está condenada. Pois, se mentiu, perde credibilidade e confiança do mercado; Se falou a verdade, a ideologia se encarrega de afundar mais ainda o país. Justamente porque o comunismo não funciona na prática. O que essa linha utópica pode fazer é somente postergar o tempo de comando majoritário nas mãos dos comunas no executivo nacional, com as estratégias das mais variadas. Só isso, nada mais.

Como já dito antes nesse blog, o comunismo se insere na carência. O plano de austeridade para limpar a Grécia de devaneios provou-se ineficaz, pois a sociedade grega não foi produtiva e/ou capaz suficiente de pagar as próprias contas que produziu num passado não muito distante. Diante da fragilidade da população em se apegar a qualquer coisa como sendo herói, o grego caiu no bojo comunista, que sempre tem uma solução mágica e pronta do tipo “macarrão instantâneo”, para saciar a fome da ignorância política. Não existe atalho para o sucesso, o grego terá que pagar a conta criada pela própria sociedade ou jogará o país num caos maior ainda, no longo prazo, do que o apresentando nesse momento.

Suponha que os comunistas estão mentindo sobre o que propuseram em campanha. Isso é algo normal vindo da moral e ética de um comuna, não chega surpreender ninguém. Então há um paradoxo difícil de resolver que é dar calote geral e manter-se na união europeia. Em um ponto aí o comunista mentiu, pois calote é igual sair do bloco econômico. O comunista, então, não estaria preocupado em resolver as questões do país, mas resolver a própria situação, em favorecer somente quem estiver alinhado a eles, não ligando para o povo em questão. Fizeram como na eleição presidencial no Brasil, em que usaram estelionato eleitoral somente para beneficiar a nomenklatura no poder. Ou seja, em questão política os comunistas já mentiram.

Mas suponha, também, que os comunistas estão falando a verdade quanto à ideologia pura, dos conjuntos de crenças e valores que permeiam os políticos do partidão. Nesse caso a Grécia se afundaria muito mais, pois atacariam a propriedade privada, planificariam a economia, taxariam os ricos (que não são da nomenklatura, é claro), fariam da Grécia uma Cuba, Coréia do Norte, ou, até mesmo, como exemplo empírico atual, a Venezuela. O grego certamente se apegou ao comunista porque essa vertente deve ter prometido o paraíso na terra e não a escravidão ideológica que a utopia sempre se encarrega de fazer. O grego quer opulência e não escassez, justamente por isso que foi contra o plano de austeridade, porque quer melhoramento real da própria situação, o que a ideologia comunista, de forma pura, não consegue (e nunca conseguirá) prover.

Então, os comunistas lutarão, a partir de agora, para ficar o maior tempo possível no poder. E como conseguirão tal proeza? Simples, basta copiar o Brasil e fazer um “bunker de máfia” com mensalão, petrolão, BNDES e afins, segurando todos os agentes e grupos de pressão, além da aprovação do povo, através de compra direta de bolsa auxílio, para obter o monopólio do apoio incondicional político. Ou seja, comprar todo mundo para não ter o contraditório e não sofrer por mentir e não estar com a razão. E no aspecto mundial, basta esperar alguns paisinhos comunistas darem alguns equipamentos para criar o “Plano Marshall dos Comunistas”, em que ao fazer tais oferendas, seja de infraestrutura ou empréstimo a juro baixo, fortalecerá o bloco “socialista” no mundo, não se importando com os problemas de uma região (ou de todas as nações socialistas), mas defendendo o melhoramento dos companheiros de ideologia, que ficariam ricos por serem estelionatários eleitorais.    

Não precisa nem entrar no mérito que quem jogou a própria Grécia nessa crise sem fim foi a corrente socialista do passado – não muito distante -, com a direita entrando no poder para tentar limpar a sujeira através de austeridade, perdendo agora a eleição para uma esquerda mais radical ainda – mais ineficiente, incompetente, e estelionatária do que outrora.  Portanto, caro leitor, sabe como o partido comunista subiu na Grécia? Pelo mesmo motivo que o nazismo subiu na Alemanha. Pela carência de um povo que se apega a qualquer herói que esteja disposto a trazer alternativa ao imaginário perante a realidade. É na carência que o comunismo se instala, não se importando em resultados positivos para a população na prática, é certeza de sucesso somente ao dar lucro para a nomenklatura, sob o convencimento em eleição, através de roubo e fraude eleitoral.

Mas pode ocorrer do comunismo, finalmente, condensar o milagre e trazer o paraíso na terra que tanto prometem tais ideários durante décadas. E, se caso esse fenômeno ocorrer, o blog seria o primeiro a se adaptar, se retratar e aconselhar que o comunismo seria o paraíso na terra prometida, ao povo prometido. E, sendo assim, acabariam as criticas contra essa “maravilhosa” ideologia, que deixaria de ser utópica para ser concreta, não cabendo contraditório algum. Mas enquanto o comunismo não chega nesse cenário maravilhoso pintado por alguns idealistas inúteis, que mostra o ideário ser justamente o inferno na terra ao invés do paraíso nas laudas dos livros doutrinadores, as pessoas de bem, que enxergam a manipulação, têm a obrigação de denunciar o embuste que é o comunismo. Mas a promessa de defender essa doutrinação se dará somente se resolver de verdade a condição da Grécia e não somente uma melhora de morte pontual que o comunismo sempre costuma fazer antes de afundar de vez um país. 

Nem precisa comentar, também, que Platão, ao elaborar A República, está se revirando no caixão ao ver o próprio povo, que fora culto nas civilizações antigas, retrocedeu ao ponto de ser mais atrasado conscientemente que os povos mais rudimentares da história conhecida. A Grécia vendeu a alma por causa do desespero do momento. Complicado.

O comunismo é colírio para cego, em que o deficiente visual pinga gotas do produto, acreditando que voltará a enxergar. É muleta para carente, que se apoia em qualquer pessoa que traga uma suposta formula mágica para melhorar a condição de tal comunidade em degradação. Por isso, adapta-se o refrão do Tiririca (deputado analfabeto do Brasil): Pior que tá fica sim!


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