Pobre Andando de Avião
Por: Júlio César Anjos
Antes
de tudo, cabe a ressalva de que “pobre hoje em dia anda de avião”. Mito grotesco,
uma mentira insuflada, que denota a perversidade do ser perante os demais. Há
situações, nos grotões distantes do país, em que nas favelas as pessoas, há
anos, não saem da circunvizinhança nem mesmo para ir ao centro da cidade, quiçá
sair para viajar por aí. O bem pobrezinho mesmo só se atenta para as
necessidades fisiológicas mesmo, não cabendo exceções. Mas, deixando de lado
tal observação, o foco do artigo é desnudar o mito de que o governo faz até pobre
andar de avião. Até porque, quem faz classe média viajar de avião é a companhia
de aviação.
Havia
um tempo que ninguém conseguia andar mais depressa, por terra, do que a
velocidade incutida do próprio cavalo montado, com tração animal, que tinha um
limitante quanto ao tempo entre baldeações. O capitalista, através da revolução
industrial, criou a Maria fumaça, que, além de comportar mais gente, tinha
velocidade, no início, pouca coisa inferior que o do cavalo. Após aposentar o
cavalo da escravidão móvel, o homem aperfeiçoou a máquina a vapor, gerando
maior velocidade, com menor despesa, custo operacional. E o capitalista fez
tudo isso somente para vender bilhete! Porém, bem no comecinho da
transformação, o bilhete era elevado, deixando, por ora, o pobrezinho de fora
do avanço social. Hoje o pobre pode desfrutar até do metrô, avançado, rápido,
seguro, e que beneficia o povo, porque lá atrás criaram e tornaram viável tal
condição. Com o avião é a mesma coisa.
Quem
inventou o avião, Santos Dumont ou os Irmãos Wright? Nesse momento não importa
discutir quem é o pai da criação, mas, com certeza, saber que eram
empreendedores, que gastaram tempo e dinheiro para gerar a concepção (ou seja,
eram capitalistas), para que, no final, governantes Estatistas utilizarem tal
invento, para matar pessoas, ao utilizar na guerra. Ou seja, o governo se arroga da boa ventura
da sociedade para até mesmo, após uma confusão, se aclamar vitorioso em um
conflito, mesmo todos sabendo que a vitória se deu pela invenção( dos
capitalistas).
Após
o planador utilizado por conflitos, criou-se o armistício e a humanidade decidiu
fazer o avião, outrora um artefato de guerra, agora um objeto para locomoção. E
aí surgiram profissões que até então não existiam, como operadores de tráfego
aéreo (entre outros). Mas para pagar salários e investimentos de toda essa
estrutura, é lógico que, no começo, os capitalistas resolveram cobrar ingressos
mais elevados, a fim de ser reembolsado e também recompensado por melhorar,
mesmo que de forma segmentada - por ora, a vida das pessoas.
Então,
o avião, mesmo como atividade de luxo, socializava os ricos, que dividiam
poltronas reclináveis, indo de manada fazer baldeação. Porém, o avanço
tecnológico e “humano” empurrou o mundo sob outra perspectiva, outra forma de
condução. Mas, antes da popularização do avião, houve a dúvida cruel, o que
veio primeiro: o ovo ou a galinha? Ou seja, os ricos compraram jatinhos e
helicópteros e isso fez com que o avião virasse mero transporte coletivo, ou a popularização
das companhias aéreas empurrou os ricos a outro segmento de mercado? A resposta
certa é a primeira situação. Os ricos, com grandes fortunas, entediados de ter
que dividir lugar até mesmo com outros ricos, optaram em comprar jatinhos e/ou helicópteros, e até mesmo contratar serviço de taxi aéreo. As companhias
aéreas, tendo que se adaptar ao mercado, teve que popularizar o serviço, fazendo
até mesmo, veja só, o milagre do pobre “andar de avião” (o que todo mundo sabe
que não é o pobre, mas sim a classe média – a verdadeira e não aquela fabricada
por estatística).
Em
2001 Goldman Sachs cunhou o termo BRICS, dizendo que se as políticas internas
dos países (no caso do Brasil, o FHC) continuassem do jeito que estavam sendo
conduzidas (por “livre mercado”), tal conjunto de países seriam importantes no
arranjo econômico mundial. Lula manteve algumas bases de FHC, que criou esse
“mito” pai dos pobres. Então, o “pobre”
começou a andar de avião – seja pela redução do preço ingresso, seja pela
melhora do poder de compra do povo. Mas, veja bem, não só o pobre brasileiro
começou a transladar por aí, os “pobres” de outros países também tiveram essa
abertura de tráfego aéreo, até mesmo a Bolívia do Zacarias teve esse acesso.
Tirando cuba e Coréia do Norte, todo mundo que aceitou essa forma capitalista
melhorou a condição do povo, em se tratando de viagem aérea.
A
esquerda mundial se arroga como criadora de um arranjo econômico capitalista, diante tal mudança de status das companhias aéreas, como se o Estado, através de
uma varinha mágica, pudesse fazer o milagre de o pobre viajar, fugindo de
prerrogativas de mercado, e ocultando o fato que quem faz o preço do bilhete, ingresso, passagem,
é o proprietário da companhia aérea, ou seja, o pobre viaja de avião porque faz
parte do segmento de mercado do capitalista de trafego aéreo, e não ao
contrário. E aí há um fenômeno sem igual: Na Bolívia, o Zacarias fala para
todos que fez o milagre do pobre poder viajar de avião; O mesmo ocorre com o Apedeuta
no Brasil; o mantra continuou com o “Chaves” na Venezuela e por aí vai. Ou
seja, todos os políticos da esquerda se arrogam de algo que o mercado se
encarregou de fazer, jogar a companhia aérea para o segmento popular, pois não
podia competir com outros segmentos de mercado: Jatinho particular, taxi aéreo
e até concorrente indireto, por exemplo, como trem bala (a nível mundial). Eles
subestimam a inteligência do povo. E dá certo.
Mas
até a empresa aérea, ao ter como demanda o povo “pobre”, tem que obter lucro
(Sim, o tal do “demônio” materializado em dinheiro). Se não tiver lucro, babau,
as companhias simplesmente deixam de atender a demanda, pois não tem
atratividade em tal segmento. Seja por confiscar o “mais valia” ou por criar
tantas barreiras “burocráticas” que impedem o fornecimento de serviço de forma
adequada e viável, tal empresa fechará o trafego naquele país, valendo-se da
premissa de autodefesa, pois está sendo massacrado por um governo maçante,
estatista e asfixiante, que só quer tributos e que as empresas caiam de joelhos
perante o Estado.
É
o caso das empresas de companhias aéreas ao fornecer, hoje, serviço na
Venezuela. Muitas empresas aéreas
desistiram de fornecer serviços para a Venezuela e outras, até operam, mas
dedicam somente 40% da capacidade de fornecimento de serviço, mostrando
claramente que o governo, ao atacar o capitalista pela mão do estado, faz o
curso inverso, tornando indisponível o serviço até mesmo para a classe média do
país. A situação é simples: O preço é congelado, mas a inflação pressiona
aumento de preços. Tal situação faz o capitalista ter que fechar a companhia,
naquela região, por ser inviável tal execução mercadológica. Empresas grandes
como a Air France, por exemplo, deixam de fornecer o serviço para a Venezuela,
impedindo a empresa de lucrar e do povo ter o benefício de um serviço funcional,
tudo por causa do Leviatã muito sedento, dirigido por pessoas incapazes de
governar o Estado.
Com
a redução de baldeação das companhias aéreas, não é só as pessoas que trabalham
no ramo específico (como pilotos, aeromoças, operários de manutenção, e outros
serviços) sofrem com tal problema do setor. Os empresários que fornecem
serviços de hotelaria, gastronomia, turismo e outros arranjos também sofrem
perdas significantes, tendo até que fechar a atividade fim por causa de
problemas extraordinários (governo ceifando a empresa aérea, reduzindo a
demanda para o serviço).
Nesse
sentido, ao invés do estado, representado pelos estatistas “estadistas”,
reconhecer o erro, afrouxar os mecanismos limitantes do mercado, a fim de
voltar ao núcleo de boa ventura de um mercado saudável, o Estado vai contramão
do racional, chegando ao ponto de estatizar algumas empresas nacionais ou até
mesmo culpado o problema de mercado ao capitalista, o malvado da história. É o
que ocorreu com a empresa Malaysian airlines, que foi estatizada após alguns
casos de acidentes, algumas situações que empresa nem teve culpa. Criaram a
dificuldade para vender a oportunidade, nada de novo, ao vir do estado. Até
porque o estado não tem uma máquina “Minority Report” para enxergar o futuro e
evitar a tragédia antecipadamente. Acidentes sempre ocorrerão.
Portanto,
é a companhia aérea, através de preço de mercado, que faz o valor do ingresso.
Ao baixar o valor de passagem para ser acessível para o povão, a companhia nada
mais está fazendo do que atacar um nicho econômico, através de alta demanda,
para oferecer serviço por elevada oferta. Lei de oferta e demanda somente, sem
que o governo tenha sucesso ou fracasso nessa situação. O povo não pode mais deixar o estatista se
arrogar de uma premissa puramente mercantil. Ao deixar o PT dizer que: “através
o governo deles, pobre começou a andar de avião”, é demagogia somente para
vencer eleição, pois é mentira tal concepção.
Povão
anda de avião porque o rico foi deslocado para viajar em jatinho particular. Pura evolução capitalista que traz bons frutos
para a sociedade, gerando mais esse bom serviço para o povo. Se o governo não
atrasar avanço, sendo rudimentar por se atravessar no lucro do empreendedor
(sedento por ser parasita estatal), tudo indica que o povo, em um futuro
distante, poderá ter o próprio “jatinho particular”, sendo a sociedade
organizada como o desenho: “Os Jetsons”. A depender do governo, a sociedade
regredirá a Flinstones.
Avanço
ou atraso, você gosta de governo ou do capital? Fica a pergunta retórica. Pelo andar
da carruagem, e pelo comportamento do brasileiro, já dá para saber a resposta
com precisão.

Pobre Andando de Avião de Júlio César Anjos está licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0 Internacional.
Baseado no trabalho disponível em http://efeitoorloff.blogspot.com.br.

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