Entrevista
Por: Júlio César Anjos
É
surreal ver na mídia que as pessoas perderam a racionalidade sobre a questão
referente à entrevista. Criando uma
miragem de agressão, o povo determina a entrevista como somente pergunta que o
entrevistador quer ouvir, ao passo que o entrevistador escutará o que já sabe.
Se for assim, não é entrevista, é apenas conversa entre fidalgos. Entrevista é
ferramenta para buscar informação.
Diante
disso, a saber, São quatro os principais tipos de entrevistas: 1) Entrevista de
emprego, 2) Entrevista de pesquisa; 3) Entrevista de ”talk show”; 4) entrevista
jornalística.
A
entrevista de emprego tem que fazer o entrevistador ficar nervoso, tenso, para
ver reação em momento de pressão. Dependendo da profissão, trabalhar sob
pressão é função precípua, por isso que uma entrevista gerando stress é a
melhor ferramenta para mensurar aptidão. Mecanismos são utilizados para ver a
comunicação visual e verbal, além de pescar informações de naturezas técnica e
sociais, a fim de contratar o profissional mais capacitado para tal vaga
ofertada. Perguntas capciosas, abstratas e intimas fazem parte dessa tratativa,
que tateia em analisar o candidato a vaga. É uma entrevista de cunho sério, que
pode ser afrouxada a tensão dependendo da condução do embate.
A
entrevista de pesquisa é de cunho estimativo, no sentido de obter dados
quantitativos e/ou qualitativos de alguma informação que será retribuída para a
sociedade, mesmo sendo pesquisa estatística de intenção de voto, ou de
estratificação de informação para gerar produto que tal comunidade gosta. São pesquisas diretas, temáticas, previamente
montadas, a fim de diagnosticar a situação da coleta capturada em um lugar qualquer.
São perguntas mais objetivas e informais.
Entrevista
talk show é mais aprazível. As perguntas são mais voltadas para o entretenimento
do ramo técnico, em que se torna bacana os debates entre estudos profundos,
desmistificando o teor maçante do pensamento intelectual. É uma conversa leve,
sem norma rígida alguma, apenas um bate-papo convidativo para entreter o
público presente. Dificilmente haverá em uma entrevista de talk show perguntas
picantes ou desagradáveis ao entrevistado. É mais harmonioso, irreverente, e
descontraído.
Entrevista
jornalística é de natureza formal, a fim de investigar o entrevistado,
colocá-lo na parede, para obter informações necessárias ao público específico,
público alvo. Deve conter perguntas capciosas e instigantes, para formatar o
perfil do entrevistado e satisfazer o público em geral. Tem que remexer o
passado, alfinetar o entrevistado, com o objetivo de obter a maior quantidade
possível de informação objetiva, direta.
Existe
também entrevista psicológica, entrevista jurídica, entrevista religiosa (se
confessar) e policial, importantes também, mas menos utilizados no cotidiano da
sociedade, por isso ficaram de fora do aprofundamento de explicação.
Para
tabular dados, o entrevistador precisa tatear o diferente, o fora da rotina,
senão o mecanismo de consumação de informação fica estéril, sem profundidade e
nem inovação, no sentido de obter informações novas. Para conseguir
referências, o entrevistador deve gerar fato novo, para pegar o entrevistado
até mesmo de surpresa. Caso o entrevistador forneça as perguntas previamente,
para o entrevistado, então não haverá de obter resposta crua, e desnudada –
límpida, nem na comunicação verbal quanto no não verbal. Salvará o entrevistado
de ficar pressionado no muro, sem ter onde correr, pois, como já treinou a
resposta previamente, além de segurar a emoção por saber que não haverá
imprevisto, acaba com a essência de ver o corpo falar e a voz gaguejar. Nesse sentido, entrevista não tem função de
existência.
Há
também as distorções. Uma entrevista jornalística, por exemplo, sem pergunta
capciosa vira automaticamente um talk show evasivo e sem investigação profunda.
Uma pesquisa de emprego sem mecanismos para refinar a seleção também não tem
função alguma, pois não trará dados para conseguir, através de tal ferramenta,
apontar o profissional mais qualificado para determinada função. E Talk Show
agressivo com o convidado, não deixando o entrevistado falar, torna-se um
entretenimento maçante, que perde a função existencial de diversão.
Toda
entrevista possui o próprio método de prospecção. Ser entrevistado, por exemplo,
jornalisticamente e indagado com pergunta capciosa, que cria saia justa ao
entrevistado, nunca será agressão, pois perguntar não ofende. O problema é que
no caso específico da entrevista jornalística, ao virar produto publicitário,
fez com que os jornalistas tivessem que suavizar as entrevistas, para vender
mais a imagem do entrevistador, do que retirar respostas objetivas de fonte
primária em execução.
As
outras entrevistas (de pesquisa, de emprego e de talk show) são fieis a estrutura
funcional. Já a entrevista jornalística, como produto publicitário de imagem,
tornou-se um equipamento relativo, que nada instrui e nada ensina. E do costume
de ser flertado, quando uma figura pública é entrevistada de forma certa (com perguntas
capciosas e investigativas) o entrevistado que sempre foi flertado acredita que
foi agredido por perguntas, sendo que perguntar não ofende.
Talvez,
o único setor jornalístico fiel hoje é o da área policial. O repórter policial,
ao entrevistar o meliante, faz perguntas que fazem o bandido ficar com
vergonha, tímido por ser indagado pela tragédia que fez. Dos outros
jornalistas, seja do ramo de entretenimento, esportes, cultura, lazer, política
e afins, como viraram peças mercadológicas, sendo vendidas como produto
publicitário, as perguntas ficaram sem essência, virando um talk show chinfrim,
que nem ao menos entretém.
Portanto:
Entrevista
de emprego = Refil;
Entrevista
de pesquisa = Estatística
Entrevista
talk show = Bate-Papo;
Entrevista
jornalística = Fonte Primária.
P.S:
Cabe alertar o que é entrevista e para que sirva, pois há gente dizendo que os
presidenciáveis brasileiros, em 2014, foram “agredidos” pelo jornalista William
Bonner, sendo que o ancora da rede globo, só exerceu a função dele, nada mais.

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Baseado no trabalho disponível em http://efeitoorloff.blogspot.com.br.
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