Carpideiras da Democracia

Por: Júlio César Anjos

Candidato que finge sentimento para ganhar voto não merece ser eleito. E das trapaças, o choro falso é a materialização da mentira sensível, em que um representante do povo se transforma em uma carpideira (mulheres que são pagas para chorar em um velório) eleitoreira, que busca um naco de projeção via viés da sensibilização.

Abram-se as comportas da hipocrisia e verás que sairá uma leva de candidato chorando, no Brasil inteiro, junto com tal sentimento, pedindo voto de confiança, por ser confiável ao ter “coração”. Para o governante hipócrita, chorar significa que o candidato se importa. Como se o poder de chorar (algo que até Aspie treinado consegue fazer) o fizesse uma pessoa pura, que compreende a dor de outrem, com a lágrima sendo o fim proposto em execução.

Chorar é inato. Todo mundo que não tenha algum tipo de transtorno, ou seja, que tenha saúde mental, tal sujeito possui sentimento e chorará quando necessitar. Dizem que homem não chora à toa, o que não é verdade, pois, se tivesse uma câmera escondida, deflagraria muito grandalhão chorando em uma sala fechada qualquer. O problema ocorre quando o choro vira uma ferramenta eleitoral, com a finalidade de utilizar o sentimento para ganhar projeção (e eleição). Nesse sentido, chorar é mais uma vigarice de candidato raposa felpuda, que trama pela astúcia, a lágrima proposital como mercadoria de voto.

“Há de matar com ternura”, já dizia um tirano psicopata ao chorar durante pronunciamento. E Bandido também chora, até mesmo se fazendo de vítima, quando é presa. Chorando, o bandido após ser preso diz: “não fui eu não, senhor, fui preso por engano”. Há criança que faz manha, chora e só reclama, para tentar conseguir, pela chantagem emocional, o que deseja da mãe. E até choro falso em velório de ente querido, em que o familiar finge situação para não ficar fora de herança. Então, choro falso também tem o seu valor.

Tal observação não cria o imperativo: “não chore!”, somente contesta de forma veemente que choro não significa que o candidato se importe com o eleitor, pode ser que o representante do povo se importe somente com ele mesmo, querendo se eleger ou reeleger pelo lacrimejar. Quer chorar? Então chore no cantinho, pois não precisa tornar o choro um status público, com o midiatismo da lágrima, como panacéia dos problemas sociais. Para resolver situação de região problemática, Chefe de Estado tem que ser forte e encarar os entraves com solidez, sendo forte.

Uma figura pública tem que passar confiança, solidez, força e certeza de que está guiando a população para um melhor porvir. Até porque candidato que chora todo momento dá margem a entender que tal representante é fraco, em que não encara nada com virilidade, desdobrando pelo choro qualquer seara que enfrenta em dado momento. Já se viu de tudo: desde mulher se fazendo de vitima para ganhar eleição; até homem parrudo chorando para ganhar atenção. E que fique bem claro que se importar não é sinônimo de chorar. Se o candidato confunde uma coisa com outra, então esse cidadão que busca cargo no governo não merece confiança – o voto.

O choro poderia ser exposto ao publico a fim de mostrar que o homem tem compaixão. O problema é que candidato, na eleição, é sintomático astuto usar dessa sujeição para ganhar eleição, dando a entender até mesmo que o oponente não tem coração porque não chora - o que obrigam os outros também a chorar.

E se a população fizer da lágrima mercadoria de político, depois não deve reclamar que só verá choro, ao invés de propostas, nos programas eleitorais. Depois não reclame que não existe proposta de melhoria e que só existe projeto de poder, pois se der poder para vigarista chorar, o canalha vai usar do lacrimejar para vencer eleição. E ocorrerá, até mesmo, disputa de quem chora mais, pois o inútil eleitoral disse que o choro é o principal mecanismo de projeção popular.

O certo é não banalizar o choro. Toda escolha gera uma renuncia e a pessoa que decidiu tal situação (liberar o choro) terá que conviver com os desdobramentos de tal satisfação (carpideiras pedindo o seu voto). É lei de economia, quanto mais pessoas demandam que o político tem que chorar, mais haverá carpideiras da democracia chorando por aí.

 O povo que tem que chorar ao ver tanto político usando do choro para se projetar, isso sim.

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