Pesquisas Eleitorais Nem Deveriam Existir!

 


Deu na CNN [14/07/26]:

Abram-se aspas.

A Abep (Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa) criticou a proposta apresentada nesta terça-feira (14) pelo presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), ministro Kassio Nunes Marques, de criar um selo de qualidade para institutos cujas pesquisas fizerem as previsões mais próximas do resultado eleitoral.

A entidade afirma que “exigir que uma pesquisa ‘acerte’ o resultado é confundir ciência com bola de cristal” e que a medida gera um “incentivo perverso”.

Fecham-se aspas.

De fato, pesquisa eleitoral não é bola de cristal. E institutos de pesquisas não são videntes que leem o futuro.

Agora, responda a uma coisa. Qual é a utilidade de um serviço que, no final, não garanta o resultado pretendido?

Se não é bola de cristal e também não é um vidente que prevê o futuro, pesquisas eleitorais não deveriam existir.

Além disso, se as pesquisas eleitorais não existissem, sabe o que aconteceria com o andamento da política? Absolutamente nada.

Tudo ocorreria normalmente.

O calendário eleitoral segue normalmente, com ou sem pesquisa. Campanhas eleitorais também.

Agora, as pesquisas existem.

E são divulgadas constantemente.

Quem está muito rejeitado eleitoralmente acaba desistindo da corrida eleitoral.

As pesquisas criam na cabeça, e também no imaginário coletivo do povo, uma situação de fatalismo, em que nada parece mudar.

Desde a primeira pesquisa eleitoral divulgada para a sociedade que Lula e Bolsonaro estão liderando as pesquisas e fazendo a polarização.

As pesquisas eleitorais se iniciam a menos de 1 ano do pleito.

É sabido que as pessoas fazem comportamento de efeito manada.

E aí não se sabe se realmente a polarização está no patamar que a pesquisa publica ou se o martelamento das pesquisas todo santo dia, mostrando que nada muda, cria a polarização.

Sem falar que eleição de condomínio, de conselho de classe profissional, conselho tutelar, diretor de escola e eleições de colegiados Brasil afora não possuem pesquisas eleitorais para dar seguimento à democratização.

 Para critério de exemplo, João Dória, em setembro de 2016, tinha 3% nas pesquisas para prefeito em São Paulo. Um jornalista, com tom debochado, perguntou se conseguiria vencer a eleição, pois estava no rodapé nas pesquisas. Por incrível que pareça, Doria deu uma das respostas mais incríveis para a mídia.

Se pesquisa basta, não precisa fazer eleição. Faz umas 3 ou 4 rodadas de pesquisas, vê quem está na liderança, e o aclama como vitorioso.

Doria ganhou a eleição de 2016 para a prefeitura de São Paulo no primeiro turno, com mais de 50% dos votos válidos.

Outro exemplo é Zema, em 2018, que também não tinha nem 10% nas pesquisas de boca de urna no 1º turno e virou governador de Minas Gerais.

Alguns erros de amostragem mostram que nem as pesquisas de boca de urna funcionam, quiçá as que são feitas 6 meses ou 1 anos antes da eleição.

Agora, causa estranheza ver que os donos dos institutos de pesquisa estarem com medo de um simples selo.

Um selo que para ir para o sinal vermelho, tem que errar o dobro da margem de erro.

Levando em consideração que a margem de erro do instituto seja 3,5% para mais ou para menos, esta pesquisa para tomar cartão vermelho tem que errar em 7% a amostragem perto da eleição.

7% de erro em pesquisa eleitoral é muita coisa.

É um fenômeno raro de acontecer, como, por exemplo, um político ser preso faltando 20 dias para a eleição.

Só que esse fenômeno que gerou esse erro pode virar justificativa para o instituto não ganhar o selo vermelho de rejeição.

Na verdade, é que o sindicato dos institutos de pesquisa reagiu ao sentir a ameaça de romper o poder que possuem para manipular o jogo político.

Confessaram que o objetivo dos institutos de pesquisa não seja uma simples curiosidade política, mas um instrumento que gera um fatalismo, um determinismo para controlar o jogo do poder.

Deste modo, fica a provocação: pesquisas eleitorais nem deveriam existir.

 

Fonte:

https://www.cnnbrasil.com.br/blogs/matheus-teixeira/eleicoes/pesquisas-entidade-diz-que-kassio-confunde-ciencia-com-bola-de-cristal/

 

  

 

Comentários