Paulo Freire: Mais Liberal que a Esquerda Atual
Paulo Freire: Mais Liberal que a Esquerda Atual
O
primeiro indício de que a ditadura militar do Brasil ficaria um bom tempo no
poder ocorreu quando Paulo Freire foi exilado em 64.
Pela
centralização, a ditadura tinha o controle das escolas do Brasil.
Mas
não tinha controle das iniciativas “voluntárias” de métodos de ensino em casa
ou nas comunidades.
Para
retirar qualquer ameaça do caminho, a ditadura resolveu perseguir quem
ensinasse fora do controle do Estado, como foi no caso de Freire.
O trabalho de Freire nada mais foi do que uma
descentralização da educação, em que o controle educacional não está
relacionado ao Estado.
É
justamente o que o Freire começou a fazer lá pelo meio da década de 1940.
Freire
investiu na iniciativa de ensino coletivizado.
Hoje,
enquanto que a esquerda se assemelha à ditadura de 64 com a tendência de querer
centralizar o ensino, a direita se concentra em duas frentes: militarizar
escolas públicas e trazer o homeschooling como alternativa a doutrinação através
da descentralização.
Se
ressuscitasse Paulo Freire, ele diria que não há mais esquerda no Brasil.
Por
isso que não dá para colocar tudo em caixinhas entre esquerda e direita. Até
mesmo os vetores de defesa de pautas políticas são trocados com o tempo.
Professores
do ensino público de grandes centros urbanos no Brasil sempre louvam o Paulo
Freire, mas nunca quiseram ter o mesmo modo de vida freiriano.
Não
querem perder a estabilidade para fazer as malas e sair por aí lecionando nas
comunidades. Porque, ao fazer isso, terão que viver a comunidade, ou seja,
sentir os dramas e dilemas daquela sociedade para fazer corpo e se integrar ao
ensino de maneira imersiva.
Ou
seja, viver como o pobre porque é um deles.
O
atual professor servidor público dos grandes centros urbanos até dá aula nas
periferias. Mas logo volta para a sua vida, ao retornar para o seu bairro de
classe média.
Este
professor, sindicalizado, quer romantizar Freire, mas não quer a
descentralização do ensino.
Freire
já profetizava a esquerda de hoje com a sua frase: “quando a educação não é
libertadora, o sonho do oprimido é ser opressor”.
Ao
controlar a educação estatal de forma centralizadora, com medo da
descentralização da educação [como homeschooling], a esquerda que se diz
oprimida virou o que mais temia: opressora.
Sendo que a essência do Freire é a
descentralização do ensino e universalização liberal da educação, mesmo sendo
de maneira coletiva.
A
ditadura tinha medo de uma suposta doutrinação do Freire.
A
esquerda atual está com medo de perder a doutrinação que faz ao ter o controle
da educação pública no Brasil com a descentralização do ensino.
Freire,
pela visão de John Stuart Mill, é mais liberal que muitos ditos liberais do
Brasil.
***
Texto
Complementar: Teoria das 4 Liberdades de Júlio César Anjos [para quebrar o binarismo forçado entre coletivismo marxista versus liberalismo econômico - existem coletivismos e liberdades para além destas caixinhas]:
São
quatro situações de liberdade que se entrelaçam entre individualismo e
coletivismo. São eles:
A
liberdade pode ser o coletivo contra um indivíduo. O povo contra o rei.
A
liberdade pode ser o indivíduo contra o coletivo: o homem contra o sistema.
A
liberdade pode ser o indivíduo contra outro indivíduo. Sequestro.
A
liberdade pode ser um coletivo contra outro coletivo: Guerras.
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