Senado Rejeita Messias para Ministro do STF

 

 Deu na BBC [29/04/26]

Abram-se aspas.

A rejeição no Senado do nome do advogado-geral da União, Jorge Messias, para o cargo de ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), marcou uma derrota histórica para o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nesta quarta-feira (29/4).

A última vez que um nome indicado por um presidente para a Corte foi rejeitado pelo Senado ocorreu há 132 anos — o que fez com que parlamentares da oposição celebrassem o resultado.

Fecham-se aspas.

Quando um fenômeno que não ocorre há 132 anos volta a ocorrer, é porque tem algum problema muito grave no governo em curso.

Este Senado Federal é o mesmo que não gerou nenhum entrave para o governo Lula por todo este tempo, oferecendo-lhe todas vitórias nas votações congressuais. Porém, a eleição nacional está próxima e esta imposição de derrota do congresso contra o governo é uma sinalização.

É sabido que poucos dias antes da votação, o governo Lula agraciou o Senado com empenho [guarde esta palavra] de emendas parlamentares na ordem de R$ 12 bilhões de reais e liberação de cargos espalhados nos governos - estatais, órgãos institucionais, etc.

Por este prisma, o placar de 42 a 34 contra o Messias é uma derrota acachapante para o governo Lula porque, caso não houvesse esta intervenção, teria ainda menos votos, caso não tivesse prometido mais verbas federais e cargos no governo às vésperas da eleição na casa alta.

Outro fator a saber é que a oposição, principalmente a bolsonarista de hoje, não tem força para entregar uma derrota ao governo neste patamar.

Porque a lógica é simples: esta própria oposição não conseguiu segurar nenhuma demanda vinda do governo anteriormente. E não seria agora que iria triunfar.

O que é sabido de fato é que o Davi Alcolumbre é um presidente do Senado muito forte. Experimentado tanto nos governos Bolsonaro quanto Lula, já tem a casa alta em suas mãos por saber gerir os seus pares.

E o Senado Federal, como se sabe, tem mandato de 8 anos, o que gera um núcleo duro de representantes que possuem experimentação política.

Deste modo, a derrota humilhante do governo Lula para o Senado Federal tem os seus indícios.

1º emendas parlamentares e a diferença entre o empenho e execução.

O governo Lula empenhou R$ 12 bilhões para o Senado para garantir a vitória do Messias. Mas já tem um acúmulo significativo de emendas que foram empenhadas, prometidas, mas não foram executadas - que não foram entregues nas contas dos Senadores.

O nome disso é calote.

Se o governo não honra compromisso, o senado se vê no direito de não entregar os votos.

2º o vetor de poder está indicado para a direita.

Ao aceitar o Messias ministro do STF, que é mais um amigo do Lula que entra na Suprema Corte, tal sinalização mostra para a população que faz sentido renovar o senador na próxima eleição. Ou seja, demitir todos os senadores que possuem mandato no legislativo.

Sabendo disso, o Senado enviou um recado à sociedade, ao dizer que também não está satisfeito com o STF, o que satisfaz a força política do momento.

3º o PT é hegemônico, mas o Senado não é.

O PT quer ser hegemônico, colocar todos os ministros amigos de visita domiciliar do Lula no STF [como Zanin e Flavio Dino], sendo que a casa alta já havia entregado estes dois cargos ao governo e só queria uma cadeira como gesto de gratidão do governo.

Por isso que o Senado queria o Senador Rodrigo Pacheco como ministro do STF.

Lula teimou com o Messias e sofreu a derrota.

Estes são os 3 fatores que fizeram o presidente do Senado, o Senador David Alcolumbre, vencer o governo do Lula do PT: 1) emendas parlamentares anteriores prometidas e não pagas [época de eleição e o político tem que mostrar resultado e poder]; 2) sinalização para o eleitorado brasileiro de insatisfação com o “sistema”; 3) e a falta de retribuição de uma cadeira do STF para o centrão.

Lula achou que o STF virou  a extensão do seu governo e não uma instituição independente. Se deixasse, indicaria até o seu cachorro de estimação para a Corte.

Já o Centrão queria ser privilegiado ao ter um ministro para chamar de seu.

Não há nada de republicano neste embate. È apenas disputa pelo poder.  


Fonte: https://www.bbc.com/portuguese/articles/c0r28z2zrdpo

 

 

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