Resposta ao Paulo Gala: Neoliberal Vilão!

Veja essa mensagem:

Paulo Gala trabalha com a lógica do: “passado glorioso”. Pela linha de raciocínio dele, antigamente o Brasil era maravilhoso. Aí apareceram os vilões neoliberais e destruíram tudo. Por isso é preciso resgatar este passado para o Brasil voltar a ser grande de novo. O problema é que é um passado glorioso que nunca existiu.

Nos anos 70, o Brasil construía aviões. E continua construindo até hoje. Embraer contrata muito mais mão de obra hoje do que na década de 70.

A mesma coisa ocorre com a Petrobras e com a Vale do Rio Doce.

O que quebra a falácia de que a privatização causou desindustrialização.

Computadores pra quem? Porque nesta época, ninguém tinha computador a não ser altos escalões do exército - e não era para uso doméstico. O primeiro computador doméstico é o Windows 95.

Telebras inovando pra quem? O telefone era mais caro que a própria casa do homem rico da elite.

“Venderam tudo prometendo o progresso”. O progresso se fez pela destruição criativa do capital.

A desindustrialização não ocorreu só no Brasil, mas foi um fenômeno global [nos EUA, a esquerda culpa Clinton].

Só que a desindustrialização nos anos 90 foi tímida.

 Aprofundou-se quando o Lula reconheceu a China como economia de mercado, em 2003.

A desindustrialização de 90 não recuou a participação do Brasil no PIB global. Essa pequena desindustrialização foi canalizada pelo agro e pelos serviços.

Na década de 90, pipocaram os shoppings, o que gerou expansionismo de empregos no setor de serviços.

Em Curitiba tem um exemplo notório de destruição criativa: o Shopping Estação, inaugurado em 1997, instalado em um terreno em que era terminal de estação de trem. Arquitetonicamente, é um dos mais bonitos até hoje.

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O que o Paulo Gala esconde de você nesta década de 70:

Recordes de mortes em acidentes de trabalho;

Aposentadoria aos 45 anos porque a expectativa de vida era baixíssima;

Mortes recordes por desnutrição infantil;

Pandemia de meningite escondida da população;

Produto produzido no Brasil destinado à exportação [o brasileiro produzia, mas não consumia o produto]. O “tipo exportação”.

Analfabetismo e pobres banguelas em números recordes;

Favelas construídas em lonas, madeirite e em palafitas [a maioria das favelas brasileiras, ao menos, hoje tem a construção feita por tijolos à vista];

E o início da hiperinflação [a industrialização (destinado à exportação) era baseada na artificialidade da moeda].

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FHC aumentou o PIB em serviços, o que aumentou números de supermercados, número de farmácias, número de shoppings, número de concessionárias, número de sorveterias, número de dentistas, número de locadoras de filmes e etc. ao replicar os serviços para os bairros. Um efeito multiplicador incrível.

Porque na década de 70 existia serviços. Mas concentrado no centro. A pessoa tinha que “viajar” até o centro para buscar roupa e comprar outros produtos e/ou serviços quaisquer.

  Lula se vangloria de dizer que no primeiro governo dele o pobre viajou de avião. Deve ser porque a Embraer privatizada começou a fazer produção em escala, para gerar serviços de venda de transporte para a população, visando lucro. Tudo isso com produções mais baixas de fabricação do que na década de 70. Na década de 70 o pobre nem sabia o que era avião.

Foi na época do FHC que o pobre começou a consumir iogurte. Antes, era só cesta básica. Porque o FHC implantou a economia de consumo doméstico.

Foi FHC quem universalizou a educação básica no Brasil.

E foi FHC quem estabilizou a moeda, ao criar o Real - moeda forte na mão das pessoas.

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Enquanto os desenvolvimentistas querem voltar à década de 70, o trabalhador no ramo de serviços pleiteia o fim da escala 6x1 [com redução de jornada de trabalho]. Boa sorte com o plano de vocês de tentar fazer o vendedor de shopping ir até uma indústria quebrar pedra.

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Por fim, Gala celebra a década de 70.

O que é irônico.

Já que foi em 1976 que o Geisel privatizou o Fenemê para a Fiat. Seria Geisel neoliberal?

O país que hipoteticamente sabia fazer de tudo, não conseguia fazer caminhão que subisse as ruas aclives do Brasil.

Deste modo, fica a pergunta para o desenvolvimentista: Como matar o trabalhador de tanto trabalhar, na década de 70, ao fazer uma ponte em uma rodovia, sendo que o caminhão Fenemê não chegava lá?

A realidade se impõe.

 Sobre a Uberização, colocar a culpa no FHC tem limite. Na época do FHC, o grande gargalo era universalizar a telefonia.

Hoje, o problema é o trabalhador que está em aplicativo na internet.

Essa culpa o FHC não carrega. Faz mais de 20 anos que o FHC deixou de ser presidente do Brasil.

Está na hora de parar de chorar sobre o FHC e começar a ver a realidade imposta no dia de hoje e cobrar os que estão no poder.

Muito confortável ser apenas um crítico e fazer o FHC de espantalho, mas nunca mudar as ações do ex-presidente neoliberal.

Esta é a resposta ao Paulo Gala, o economista do Master.

 

 

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