Protestos contra o Regime Aiatolá: Revolução Cultural no Iran
Não
é só pelos 20 centavos.
A
revolta popular contra a hiperinflação que assola o país descambou para uma revolução cultural, em
que o povo iraniano quer a mudança do regime aiatolá, do Ali Khamenei - que se
esgotou.
O
problema é o que será colocado no lugar.
A
Guarda revolucionária composta pelos generais simpatiza com o modelo da
dit4dur4 chinesa – aos moldes da ditadura militar.
A
elite tradicional - o Bazar - pende a querer a volta do Xá Reza Pahlavi – a
volta dos persas -, mas isso não é consenso entre os pares.
A
elite financeira, a mais fraca em convencimento popular, quer uma democracia
liberal aos moldes europeus. E também não tem uma liderança para chamar de sua.
É
preciso entender que a maioria dos povos no mundo aceita perder um pouco de
liberdade em troca de prosperidade.
Agora,
se o povo não tem liberdade nem prosperidade, lutará para ter ao menos
liberdade.
Um
exemplo prático: como que uma mulher vai comprar um véu para colocar na sua cabeça,
por imposição do regime ditatorial, sendo que está passando fome?
É
questão prática e objetiva. Quando comer é prioridade, o costume vira futilidade.
O
regime reprime e ainda joga o povo à miséria. Não se revoltar é a coisa errada
a fazer nestas condições.
O
problema é que quando se faz manifestações, as pessoas perdem o senso crítico,
fazendo ações das mais diversas.
A
foto de uma mulher usando o fogo da foto queimada do Ali Khamenei, ao acender o
seu cigarro, é uma comunicação desastrosa pelo ponto de vista de narrativa
política, porque representa justamente o que o iraniano rejeita: a degeneração
ocidental.
Para
o ocidente, a foto é contrarrevolucionária, estaticamente perfeita e que mostra
a indignação da população pela perspectiva da liberdade da mulher que pode até
mesmo fumar. Até o blog UOL do Brasil regozija-se de satisfação.
Porém,
na teoria dos passos, não se consegue mudar um regime aiatolá, que é
confessional, para ir direto para a democracia liberal - com as suas
degenerações.
Deste
modo, a foto em questão reforça, no Iran, mais a crítica da degeneração ocidental
do que um grito por libertação.
Como
comunicação para libertação da opressão, o melhor símbolo a ser usado é o da
mártir Rubina Aminian, moça jovem universitária morta com um tiro na cabeça pelo
regime repressivo ditatorial Aiatolá.
Aliás, o regime está caindo justamente porque está oprimindo o povo ao ponto de matar centenas dos seus cidadãos. Nestas condições, até os que estavam favoráveis ao regime começam a pender contra os Aiatolás.
O
que é consenso para a maioria da população iraniana é que o regime Aiatolá não
consegue mais trazer prosperidade para o seu povo. Além do desgaste pelo tempo,
muito provavelmente haverá mudança no regime político no Irã.
Porém,
pode mudar para pior.
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