Comitê Gestor da Reforma Tributária: Fim do Pacto Federativo e Centralização de Poder
Deu no G1 [13/01/26]:
Abram-se
aspas.
O
presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sancionou com vetos a lei que cria o
Comitê Gestor do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), tributo que vai
substituir o ICMS e o ISS e será compartilhado entre estados, Distrito Federal
e municípios nesta terça-feira (13). O Palácio do Planalto não informou os
trechos da lei vetados.
O
comitê será responsável por administração, fiscalização e coordenação a
operacionalização do novo imposto. Segundo o governo, a União, os estados e os
municípios vão atuar de forma integrada na gestão do novo imposto.
Fecham-se aspas.
A
primeira situação que salta aos olhos: o grande irmão observa você.
Ao
centralizar o imposto, o governo federal saberá absolutamente tudo o que é
movimentado no país. O governo federal saberá o que ocorre nos impostos municipais
e estaduais com precisão absoluta.
Outro
problema é que o comitê gestor federal irá operacionalizar os impostos
estaduais e municipais.
Ou
seja, quando houver alguma contenda entre quem emite nota fiscal e as receitas
fazendárias de estados e municípios, a judicialização irá para este comitê
gestor – que é federal. E só depois pode ser que caia na Suprema Corte.
Isto
tira o poder dos estados e municípios e controle sobre suas ações.
Outro
fator é a questão do lobby, conchavo e negociatas entre o capital e estado.
Antigamente,
este poder de conceder benefício fiscal, crédito tributário, redução de alíquotas
e outros benefícios fiscais ficavam a cargo das assembleis estaduais e municipais
[assembleias legislativas estaduais e câmara de vereadores], além dos palácios
estaduais e municipais [governador e prefeito].
Agora,
qualquer tipo de benefício será concedido em âmbito nacional pelo comitê gestor
federal.
O
comitê gestor decide e a colônia de vassalagem que não possui mais pode nenhum,
chamados de governos estaduais e prefeituras, terão que acatar os acertos porque
perderam o poder.
O
comitê gestor será a nova arena da guerra fiscal, em que os gestores do comitê poderão
beneficiar uns estados e munícios em detrimento de outros.
Mesmo que os fiscalizadores estaduais e
municipais consigam desbaratar práticas de descaminhos, este conflito jurídico
irá para o comitê gestor.
O
comitê gestor, praticamente, será a lei do mais forte.
A
reforma tributária serviu basicamente para acabar com o pacto federativo porque
retira a soberania fiscal dos estados e municípios.
Além
disso, como todo mundo já sabe, esta reforma não simplificou [só trocou de mãos:
das esferas estaduais e municipais para a federal o controle do fisco], não
desburocratizou [as formas para pagar o fisco continuam burocráticas e agora
devem passar pelo crivo do comité gestor federal] e não barateou o custo nem
para o emissor da nota fiscal nem para o contribuinte porque não acabou com o
efeito cascata dos tributos.
O
espírito das leis é feito com base ideológica. Não existe lei que não tenha uma
ideologia por trás.
Estados
e municípios se renderam ao lobby corporativista que faz simbiose com o governo
federal, o que é chamado por este que vos escreve de putinismo.
O
desenho tributário anterior tinha algumas falhas, mas dava soberania fiscal
para governos estaduais e prefeituras. Tinha uma pega municipalista e
respeitava a autonomia do pacto federativo.
Agora,
sabe-se lá qual conveniência, a maioria absoluta da elite política e financeira
aderiu a esta nova reforma tributária.
Vale
ressaltar que só quem foi contra a esta reforma tributária foi o Ronaldo Caiado
entre os presidenciáveis. Foi o único que conseguiu enxergar longe e ver os problemas
que surgirão.
Esta
reforma será pior do que a que já estava implantada. Parabéns aos envolvidos.
Fonte:
https://g1.globo.com/politica/noticia/2026/01/13/lula-cria-comite-gestor-da-reforma-tributaria-e-lanca-plataforma-para-novo-sistema.ghtml
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