Sobre a Agressão do Hamas a Israel: Considerações
Por: Júlio César Anjos
Sempre
quando acontece um incidente internacional, seja catástrofe climática, mudanças
ambientais ou guerras, a internet entra em ebulição ao aparecer os
especialistas tudistas, aqueles que sabem tudo e por isso dão suas opiniões no
mesmo instante, muitas delas sem fundamentações, como se fossem emissários de
verdades universais. Agora, neste exato momento, pipocam aos milhares
especialistas que juram conhecer tudo sobre o arco histórico entre Palestina e
Israel, cujo culminou no ataque do Hamas contra os israelenses. Este que vos
escreve só sabe o básico de tudo o que acontece nesta região, não tendo a
coragem, nem a cara de pau, de se autointitular um mero entendedor deste
conflito regional. Mas há algumas observações a fazer.
A
primeira coisa que se observa quando há uma ação como essa é a que se
estabelece sobre o tempo. O que é chamado de “momento propício”. Esse ataque do Hamas coincidiu com o início das
festas que acontecem em Israel chamado de Simchat Torá. E no campo global, hoje
quem preside temporariamente o conselho
de segurança da ONU é o Brasil, cujo tem o presidente Lula um político de
esquerda que é pró-palestina.
Outro
fator primordial se dá naquilo que é chamado de gesto político. No campo geográfico, há poucas semanas o príncipe
herdeiro da Arábia Saudita, Mohammad bin Salman, fez um discurso em que os árabes
devem se unir para haver desenvolvimento e prosperidade para todos esses povos [o
que não é considerado de modo algum errado]. Ou seja, a partir deste discurso,
a Arábia Saudita vira aliada do Irã. E o Irã controla o Hamas. As coisas são
o que são.
Há
também a questão da política doméstica
em Israel. No campo político, Natanyahu, para se manter ao poder, faz acordo com
extremistas de direita na região. Ou seja, esse ataque, embora fragilize, num
primeiro momento, o primeiro-ministro israelense ao não conseguir proteger o povo,
libera automaticamente condições para que Israel possa fazer retaliação contra
a Palestina.
A retaliação,
que é reação ao ataque, com certeza virá de maneira desproporcional. Ou seja, o
ataque que Israel sofreu justifica uma força mais incisiva na região Palestina
daqui pra frente. Querendo ou não, a resposta sempre vem.
Além
de tudo isso, é preciso versar sobre o prisma da democracia. E diante esse drama que envolve esse conflito em
especial, o certo é que partidos democráticos estabelecidos em países com um
mínimo de democracia em vigor devem de prontidão rechaçar de forma ríspida qualquer
ação que seja considerada terrorista, como o que o Hamas fez em Israel.
No mundo
geopolítico em muitas vezes não existe a figura da vítima e do vilão, pois,
todos podem ser vilões e vítimas no mesmo momento. Só que em grupos democráticos
há ampla defesa de pautas e bandeiras que versam sobre autodeterminação dos
povos, soberania nacional e paz mundial.
Até
porque quem defende a democracia não apoia ditadores. E quem defende o sistema
ditatorial do Hamas não pode se considerar defensor de liberdades universais, direitos fundamentais e direitos humanos.
O que o Hamas fez foi
barbárie. Foi incivilizatório. Além dos bombardeios, dos
sequestros, do massacre, ainda mataram uma mocinha alemã, chamada Shani Louk, e
fizeram-na de troféu ao saírem às ruas, mostrando toda a perversidade
incompatível com a racionalidade humana.
O
Hamas fez quase todos os crimes de guerra
que são categorizados pelo tribunal penal internacional:
O
Hamas lançou ataques propositalmente
contra civis israelenses.
O
Hamas pegou israelenses reféns entre
a população civil.
Há
indícios de estupro e agressão sexual
vinda do Hamas às mulheres israelenses sequestradas.
Note
que esse texto em nenhum momento versou sobre as diferenças dos povos entre etnias,
religião e poder econômico que geram guerras culturais. Mas a simples questão
humanitária já faz com que o Hamas seja considerado um grupo terrorista que não
pode, de jeito nenhum, ser normatizado como um simples grupo político hostil. O
Hamas é um grupo terrorista. E por ser terrorista, tem que ser extinto.
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