Partido Liberal Oposição: O Discurso e a Prática

 

Por: Júlio César Anjos

 

O cruzamento de dados elaborado pelo PL [Partido Liberal] sobre a verificação de votação dos parlamentares com o governo petista é tão absurdo que nem errado consegue ser.

Porque a lógica é simples: o presidente da Câmara é o Arthur Lira, eleito na legislatura passada pelo Bolsonaro e mantido atualmente pelo Lula. Eu escutei: Sistema?

Quem decide o que será votado na câmara é o presidente que é alinhado ao bolsonarismo – Arthur Lira.

Portanto, se o Arthur Lira está forçando votações que beneficiem ao petismo, isso significa que o bolsonarismo e o PL também são parte deste problema e não a solução.

Além disso, há mais deputados insurgentes do PL que votam ou ficam em cima do muro às votações que beneficiam ao PT do que toda a totalidade dos tucanos no congresso.

Parlamentares que votam parcial ou totalmente junto com o PT, no PL: 19.

Todos os parlamentares do PSDB: 14 [10 votam com o Arthur Lira].

Só por aí já dá pra entender que o PL não está fazendo a lição de casa que é ser uma oposição efetiva ao petismo. Porque têm insurgentes.

Deste modo, vale destacar também que o PL está mais preocupado em ser oposição ao petismo do que convencer os eleitores ao orgulharem-se de serem do Partido Liberal. Ou seja, são mais antipetistas do que defensores do próprio partido.

 No PSDB, o trabalho está sendo feito para as pessoas serem primeiramente tucanas e somente depois aderirem contra outros grupos políticos.

Se for pela lógica de que quem vota junto com o presidente da câmara é apoiador do governo vigente, basta lembrar que o Bolsonaro, quando foi deputado federal, em 90% das vezes votava junto com o que queria o PT. Aliás, Bolsonaro já até mesmo confessou que já votou no Lula [tem até vídeo sobre isso].

E pra não ficar pedra sobre pedra, ainda há a questão de que o presidente do PL é o Valdemar Costa Neto, cujo foi preso no escândalo do mensalão junto com o José Dirceu. E para piorar a situação, o PL já foi vice do Lula com o José Alencar em 2007.

Ou seja, o PL já andou junto em eleição ao formar coligação com o PT, além de ter virado base de governo em congressos passados.

O PSDB nunca fez coligação ou foi base de governo do PT. Nunca. Isso é ser oposição de verdade. Porque os tucanos renunciaram as destinações de recursos e posições de poder ao se manterem oposição.

Já o Valdemar Costa Neto não expulsa os 19 deputados não alinhados com o partido porque está de olho em fundo partidário e eleitoral. E também colocou correligionários do PL em cargos de 2º escalão neste governo petista.

É preciso entender que nem todas as votações que aparecem no congresso são demandas do governo. Um exemplo crasso disso é a reforma tributária, cujo é um pedido dos empresários para reduzir a carga de impostos.

E o PSDB votou a favor; mesmo este que vos escreve, ao pensar ideologicamente, ter sido contrariado.

E se for fazer uma pesquisa bem feita com os eleitores que se dizem de direita, mais de 90% estará, com certeza, descontente com o PL como oposição. Porque o PL nunca foi e nunca será oposição de nada nem de ninguém. Entre o discurso e a prática, o PL não é oposição; é centrão. 

 





Fonte:

https://noticias.uol.com.br/politica/ultimas-noticias/2023/10/20/somente-1-a-cada-5-deputados-vota-majoritariamente-contra-o-governo.htm



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