Dívida Pública Brasileira: 90% do PIB
Por: Júlio César Anjos
Deu
na CNN [12/04/23]:
Abram-se aspas.
O
Fundo Monetário Internacional (FMI) projeta que a dívida bruta do Brasil
fechará 2023 em 88,4% do Produto Interno Bruto (PIB). Segundo a instituição, a
relação vai avançar nos próximos cinco anos, atingindo 96,2% em 2028.
Fecham-se aspas.
Essa
notícia, apesar de “velha” ao ter sido divulgada 6 meses atrás, ela mostra que
a relação dívida/PIB do Brasil está aumentando a cada ano.
Na
reportagem, a notícia diz que o FMI usa método diferente a utilizada pelo Banco
Central do Brasil para calcular a relação dívida/PIB. A autoridade monetária
brasileira considera somente os títulos vendidos ao mercado em operações
compromissadas. O Fundo leva em conta
todos os títulos emitidos pelo Tesouro Nacional.
Deste
modo, qual é o método que o investidor avalia na hora de decidir comprar ou não
títulos brasileiros: o Banco Central ou o FMI? É óbvio que é o FMI. Sendo
assim, a taxa básica de juros da Selic estar em dois dígitos se faz quase que obrigatória
no mundo do mercado.
Quando
a dívida de um país aumenta de forma descontrolada, como ocorre neste governo
petista, quem se beneficia é o grande investidor que compra títulos do governo
para aumentar o seu patrimônio pela renda.
E
quem paga o preço pelo governo ser perdulário é a classe média que tem que
sustentar as dívidas petistas no âmbito federal, ao ter que enviar parte dos
recursos públicos para pagar juros da dívida.
Deste
modo, se o PIB cresceu, mas a sua vida não melhorou, isso se chama desigualdade.
O que adianta o PIB crescer na base do endividamento público para gerar Selic
em dois dígitos e a sociedade, no final, ter que pagar juros exorbitantes para
o rentismo? Não adianta nada. Porque no final a conta da farra sempre chega.
Países
desenvolvidos podem ter uma relação de dívida/PIB elevada, passando até mesmo
dos 100%. Porque esses países geram riquezas e demonstram segurança econômica.
Já
o Brasil, subdesenvolvido e com um governo petista gastador, a insegurança
econômica afugenta os investidores, atraindo só aqueles que estão dispostos a
contrair riscos ao aceitarem percentuais elevados da SELIC.
A
trajetória do crescimento da dívida pública não vem de agora. Ela começa, bem
verdade, no governo Bolsonaro na pandemia em 2020-2021, o que é justificável, e
na bolsa reeleição em 2022, o que não é justificável.
E
ao invés do governo Lula estancar essa sangria ao fazer um ajuste fiscal para
colocar as contas na régua, os petistas mantiveram a máquina do endividamento
girando, ao chegar nesse patamar de 90% da dívida/PIB.
Com o arcabouço fiscal, o ministro da fazenda,
Fernando Haddad, prometeu aumento de arrecadação para segurar esse aumento de
endividamento público. Não conseguiu o intento e agora a dívida começa a
galopar.
Neste
mês de outubro de 2023, a mídia solta outra matéria positiva sobre o assunto,
ao dizer que a dívida pública brasileira recuou de 88,4% para 88,2%. Incríveis
0,2%. Pela ironia, é de se comemorar.
O
que importa verificar é que na projeção de 5 anos a tendência é a dívida
pública brasileira chegar a 100%. Se chegar nesse patamar de países
desenvolvidos, seria um recorde histórico e um desastre sem precedentes. Até
porque, desde a ditadura militar, somente no governo Sarney, em 1989, chegou
nesse patamar de 100%.
E
nesse momento pergunta-se: cadê os economistas ativistas de esquerda que
ficavam pra lá e pra cá mostrando a “auditoria cidadã da dívida”? Onde estão? Só
porque a esquerda voltou à cena do crime isso não significa que a dívida
desapareceu. Pelo contrário, está mais incontrolável do que nunca.
Não
existe dinheiro grátis. E a conta uma hora chega. É inevitável.
Fontes:
https://www.cnnbrasil.com.br/economia/fmi-projeta-divida-do-brasil-em-884-do-pib-para-2023-e-aumento-gradual-nos-proximos-anos/
https://oantagonista.com.br/economia/divida-publica-brasileira-deve-cair-para-882-do-pib-neste-ano-diz-fmi/

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