Comparação de Preços no Governo FHC e os Seus Sucessores: Correlação Espúria

 

Por: Júlio César Anjos

 

Ao navegar na internet nessa era de explosão de informações nas redes sociais, muito produtores de conteúdos mostram os preços dos produtos nos anos 90 dando a entender que no passado tudo era mais barato, sendo que hoje tudo está mais caro.

Essa linha de raciocínio está errada porque há o componente inflacionário que altera tanto o preço dos produtos quanto a correção do salário mínimo vigente. Tudo é reajustado por causa da inflação.

Porém, muita gente também tenta dizer que o governo FHC [Fernando Henrique Cardoso] não foi bom porque ao fazer o comparativo pelo reajuste da inflação, os produtos nos anos 90 eram mais caros do que os atuais.

Essa linha de raciocínio é mais cafajeste que a anterior.

Porque além da inflação, há componentes que não podem estar ausentes na análise ao fazer comparação entre o passado e o presente: 1) tecnologia; 2) escala 3) demografia.

Nos anos 90, a tecnologia vigente era a máquina de escrever, não havia wifi, as colheitadeiras não possuíam a autonomia que possuem hoje [sendo que há máquina sendo guiada sem nenhum condutor] e as produções eram mais difíceis de serem finalizadas do que hoje em dia.

Ou seja, o custo de produção nos anos 90 era maior do que na atualidade. Porque a tecnologia gera a escala. E a escala barateia o custo de produção.  

Para se ter uma ideia, a China só foi reconhecida como economia de mercado em 2006 no governo Lula. E só após esse reconhecimento que a China começou a operar em produção de escala global barateando os preços globais.

Ao analisar os aspectos inflacionários, de tecnologia e escala, é possível dizer sem medo de errar que nos anos 90 os produtos eram mais baratos do que hoje em dia.

Porque mesmo com a correção da inflação, a mudança tecnológica e a escala, os produtos não estão tão diferentes na comparação entre a era FHC e os dias atuais.

A diferença, bem verdade, deveria ser bem maior do que a que consta atualmente. Ou seja, o Brasil empobreceu porque mesmo com tecnologia e escala, os produtos não ficaram tão deslocados dos que eram praticados nos anos 90, ao descontar inflação.

Outro fator que poderia mudar os preços é a demografia. Mas o Brasil está num crescimento baixo populacional que não muda muito o status quo de consumo. E daqui pra frente o Brasil não terá mais bônus demográfico, o que mostra que o Brasil ficou velho antes de ficar rico. Não aproveitou a vantagem tecnológica nesse meio tempo. Décadas de PT no governo corrói o Brasil.

Deste modo, a menos que você seja economista da Unicamp que dá entrevista no UOL, não é possível comparar, mesmo pelo parâmetro da mesma moeda Real, a economia do governo Fernando Henrique Cardoso com os seus sucessores.

Porque a tecnologia que gera patamar de produção em escala é diferente. Isso também conta no custo final do produto ao ser adquirido pelo consumidor final.

Aliás, hoje em dia estão fazendo reduflação para esconder a perda de poder de compra do brasileiro. Reduflação é o processo em que os produtos diminuem de tamanho ou quantidade, enquanto que o seu preço se mantém inalterado ou aumenta.

Portanto, simplesmente não adianta nada mostrar produtos vendidos no passado para fazer comparação no presente porque isso é simplesmente uma correlação espúria: relação inexistente entre duas variáveis completamente distintas.

 




                      

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