Meire Poza Vai Falar?

Por: Júlio César Anjos

 

O juiz petista Eduardo Appio foi afastado da 13ª vara de Curitiba. Mas antes de estar proibido de continuar no cargo, o magistrado reduziu o sigilo dos documentos que envolvem Meire Poza. Essa mulher é uma dinamite contra as instituições apodrecidas do judiciário brasileiro.

Meire Poza é a ex-contadora do doleiro Alberto Yousseff. O livro: “Assassinato de Reputações II – Muito Além da Lava-jato” praticamente só trata a respeito dos depoimentos dela. O livro mostra que não só os políticos cometem crimes, mas as instituições também estão relacionadas umbilicalmente com a bandidagem.

O terceiro andar da Polícia Federal de Curitiba era chamado, por Meire Poza, de sala dos meninos. A ex-contadora tinha uma relação próxima com o Rodrigo Prado, agente da polícia federal que já foi ator da Rede Globo. Chamou-lhe de “Deus Grego”. Tinha tanta intimidade que passava fax, imprimia documentos, pegava café e até conseguia acessar o e-proc, o sistema da Polícia Federal da época. Ou seja, uma bagunça total na Polícia Federal da República de Curitiba.

Meire Poza denuncia o que todos já sabem: a lava-jato deixou de ser uma operação contra o crime para virar instrumentalização política. Ou seja, destruíram a polarização PT versus PSDB para abrir caminho para o surgimento do fascismo do bolsonarismo.

Para colocar o debate nos dias atuais entre esquerda versus direita, é preciso entender que:

A esquerda diz que a corrupção vem dos mega-empresários [capital];

A direita diz que a corrupção vem dos governos e do Estado [establishment];

E Meire Poza surge para dizer que os dois têm razão, pois há uma fusão entre os mega-empresários corruptos com as instituições instrumentalizadas para deixar essa corrupção acontecer.

Além disso, há também a obviedade que todos que estão no mundo político já sabiam: o judiciário serve para preservar aliados e perseguir desafetos.

Lula não faria a corrupção do petrolão, com a Petrobras com mais de 700 advogados na época [entre concursados e contratados], se não houvesse leniência por parte daqueles que juram defender os cidadãos da corrupção dos políticos contra o Estado.

Isso quebra a fantasia de que o judiciário, das primeiras e segundas instâncias, são os mocinhos e os políticos são bandidos.

Ao contrário do que se imagina por aí, o PSDB, por exemplo, não caiu porque é corrupto; caiu porque não conseguia instrumentalizar agentes do judiciário. Porque o judiciário tem uma mistura entre ideologização e cometimento de crimes, duas coisas que os tucanos não fazem como método de poder. Já bolsonaristas e petistas fazem sem parar.

Talvez os tucanos tenham romantizado demais a ficção das instituições independentes e que não são aparelhadas pela política.

Deste modo, alegaram tanto o Sergio Moro ser tucano e o único político a ser preso injustamente 20 dias antes da eleição foi o Beto Richa. Se tivesse instrumentalização do judiciário local, nunca isto iria acontecer.

Além disso, os fatos falam por si. Sérgio Moro fez essa operação desastrosa, o magistrado saiu da justiça para virar ministro do Bolsonaro, elegeu-se presidente beneficiado por ele, virando hoje senador da república. E, por obviedade, a 13ª vara de Curitiba está condenada a ser bolsonarista para autopreservação. Se fossem isentos, teriam menos problemas.

A Meire Poza foi tolhida porque é um problema para as instituições corruptas do Brasil. Sabe muito e quer abrir o bico. Mas é impedida de jogar toda a merd* no ventilador. É uma dinamite ambulante do qual o Sergio Moro tem medo desta explosão. Se tivessem escutado Meire Poza, muita chicana judicial não teria acontecido. Mas o judiciário queria a chicana. Por isso que não a deixaram falar.

 Mas, agora, Meire Poza vai falar? 



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