Por: Júlio César Anjos
Lula:
O PT faz cálculo e escolhe adversário
Em
2014, a Marina Silva, após o “acidente” que culminou morte do Eduardo Campos,
tinha ganhado popularidade por causa do desastre aéreo do seu candidato, com chances
reais de ir para o segundo turno, e vencer a eleição contra o PT. A Marina seria
um problema no segundo turno para os vermelhos.
O
PT fez o cálculo, entendeu que tinha que dinamitar a Marina Silva para ela não
chegar ao segundo turno porque havia mais chance da petista ganhar a reeleição
ao disputar o 2º turno com o Aécio Neves como algoz.
Hoje,
na eleição de 2022, o Lula entende que consegue ganhar facilmente do Bolsonaro no
embate para presidente, por causa da sua estratosférica rejeição, e na eleição
para governador de São Paulo, o melhor concorrente seria o Tarcísio Freitas
[Tarcísio que já foi do governo Dilma] para ser adversário do Haddad.
Deste
modo, então, é preciso expurgar o centro e, preste atenção, elevar um pouco a
candidatura do seu algoz, o Bolsonaro. Essa lógica é assustadora, mas é real,
Lula ajuda o Bolsonaro subir um pouco para que a farsa da polarização mantenha-se
ativa, para no final o petista vencer a eleição.
Como
critério de exemplo, a Cidral no UOL levanta a bola para o Tarcísio cortar e o
Lula levanta a bola para o Bolsonaro cortar.
Lula
já entendeu que a questão da rejeição impede o Bolsonaro de se reeleger.
Lula:
A sua força está na contradição
O
Lula, ao dar uma palestra para os sindicalistas, defende questões como aborto,
racismo e até feminicídio. Contraditório? Não. Porque ele sabe que os sindicalistas,
presentes naquela situação, ele já tem o apoio. Então, é preciso fazer uma
abertura para que os sindicalistas aceitem o progressismo.
O
Lula, ao dar uma palestra para os progressistas, defende questões como direitos
trabalhistas, de classe operária, crítica o capitalismo e defende melhor
bem-estar material. Contraditório? Não. Porque ele sabe que os progressistas,
presentes naquela situação, ele já tem o apoio. Então, é preciso fazer uma
abertura para que os progressistas aceitem o sindicalismo.
E
nesta contradição, você tem a progressista Pabllo Vittar se abraçando com o
sindicalista Rui Costa Pimenta.
E
quanto à questão de esquerda versus direita, Lula sabe que ele deve somente não
tomar 7x1 nas bolhas referentes ao agro, religião e militares. Dividir para
conquistar.
Lula:
Cacareja para aliados, mas põe ovos para os “adversários”
Lula
vai cacarejar para os progressistas sobre aborto, feminismo, questões raciais,
minorias e etc. Vai também cacarejar para o sindicato, ao falar sobre
desemprego, inflação, aumento de salário, relação patrão empregado e etc.
Mas
o Lula, ao chegar ao poder, vai aumentar orçamento para os militares, vai
anistiar igrejas, vai negociar com o centrão, vai baixar a bolinha sobre a
questão de ser contra os EUA e etc.
Porque
o Lula sempre foi assim. Dizia defender o trabalhador, mas negociava o fim da
greve com o patrão. Dizia ser preso político, mas era informante do DOPS.
Também
tem que pagar o acordo tácito feito na ala da direita justamente por não ter
tomado o 7x1 nas bolhas da direita.
Lula:
O Pop Star Sindicalista
Lula,
na época da ditadura Geisel-Golbery, em 1977, chegou até a dar autógrafo para o
filho de um empresário que lhe gostava muito. Lotava os pátios das fábricas, ao
fazer grandes shows aos trabalhadores. Ou seja, um sindicalista pop star.
Sindicalista
pop star na ditadura. Geisel-Golbery derrubaram o AI-2 [Ato Institucional 2] em
1979. Em 1980 o partido dos Trabalhadores é criado. Essa teoria traz a lógica
de que o Lula foi criado pelos militares, pois a ditadura estava descontente com
os EUA diante os problemas sobre a independência de Angola e a negociação de
bomba nuclear entre o Brasil e a Alemanha.
Lula,
no seu governo, investiu pesado nas forças armadas. Os militares gostam do
Lula.
É
por isso que o sistema restaurou um ladrão ao poder.
***
Lula
não ficou caduco. Caduca é essa lógica inocente de achar que o Lula ficou
caduco, sendo que sempre foi contraditório desse jeito mesmo.
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