Reverencie, Defenda, Fuja

Por: Júlio César Anjos

Existe uma máxima na política [criada por mim] que é: Reverencie a Maioria, Defenda a minoria e Fuja de confusão com a “vaca sagrada” na política. Ao seguir esta receita, o político terá maior chance de sucesso eleitoral. Pois, é justamente nestas táticas que dá para fazer um político “do bem” virar uma “figura do mal”, considerado vilão, ao colocar a pecha que tal figura pública seja considerada inimiga de tais bandeiras e derivados, mitigando a sua popularidade por sujar sua imagem. É por isso que o político polêmico, dito como radical, tem dificuldade de se eleger de forma majoritária (principalmente em executivo), pois não segue essa regra valiosa do Reverenciar, Defender, Fugir. 

Primeiro, que se analise a respeito da maioria. A maioria é composta pelos seguintes tags sociais: Mulher; Hétero; classe média ou pobre (depende do país); Adulto ou idoso (também dependendo da situação do país); Trabalhador; e Conservador moral. Porque para uma eleição democrática majoritária [50%+1 (cinquenta por cento mais um)], na CNTP (Condição Normal de Temperatura e Pressão), posicionar-se contra tais grupos sociais é “suicídio”. Então, o que resta é reverenciar, exaltar, respeitar tais grupos sociais da e na política. Portanto, A regra na maioria é simples: se não vai pelo amor, vai pela dor, pois, ir contra a maioria não é bom negócio político.

Segundo, a minoria. A minoria tem que ser defendida por meio reacionário, quando alguém age e ataca de forma agressiva contra tal grupo minoritário, protegendo-os da covardia da maioria ou qualquer outro adversário politico em voga e que se estabelece hostil. A minoria tem os seguintes grupos: Homem (será explicado no parágrafo seguinte); gay; elite (explicado no parágrafo seguinte); criança ou vulnerável; desempregado (desde que haja crise); e demais religiões. A minoria, por questão óbvia, não faz passar as suas pautas em congresso e não faz presidente por si só, já que precisa da ajuda da maioria para ter algumas conquistas. No entanto, o maior erro da minoria é aceitar ser arma de ataque político contra outro adversário, diante luta de narrativa, pois isso macula a imagem dos grupos e faz retroceder os ganhos sociais, os avanços conquistados ao longo do tempo. Fazer da minoria só ativismo político mais atrapalha que ajuda. Pois, como se sabe, política é conversa e a raiva não governa, desgoverna.

Sobre a questão do homem e elite terem que ser ”defendidos” ao serem minorias, abram-se parênteses.  Na pirâmide etária, há mais mulheres que homens (por vários motivos). Acontece que se liberarem o aborto, como acontece nos EUA, a preocupação recai no perigo do feminazismo convencer as mulheres fazerem genocídio de bebês do sexo masculino, pois a mulher decide até o sexo que nascerá a criança. E quanto à elite, ai já é questão de evitar crise e perda de capital financeiro e social de um país, jogando tal nação à ruína (exemplo: Venezuela, em que a sua elite está na Flórida). Como, por exemplo, na ideia de Chomsky, em que: “todos devem garantir que os ricos estejam felizes”.  Não é nem defender, mas não deixar outros grupos criarem aberrações e comprometerem o bem-estar social e o bem da política. Fecham-se parênteses.

Terceiro, a questão da “vaca sagrada” na política. Aqui, constam as pessoas com condições de vulnerabilidade, categoria profissional de professores, e os animais de forma geral (embora o cachorro seja o bicho defendido em especial por ser pet). Se o político Entrar em encrenca com esse grupo é certeza de impopularidade. É por isso que sempre o PT (Partido dos Trabalhadores) tentou jogar os pobres e os professores contra os tucanos, por exemplo, pois sabem do poder destas faixas sociais, que são defendidas de antemão pela sociedade. O caso do professor, ao menos, por andar muito tempo com grupo político corrupto, está perdendo esse poder, pois passaram dos limites do ativismo político misturado com a bandeira profissional. Todavia, faz sentido e está certo esses grupos serem “vacas sagradas”, pois são defendidos pela aura moral de uma sociedade saudável.

Portanto, na política, o político tem que reverenciar a maioria, “defender” a minoria e fugir de confusão da “vaca sagrada”, se quiser ter boa imagem diante a população. Ser indiferente com as maiorias, ofender as minorias e criar confusão com as ditas vacas sagradas, é certeza de que o político terá complicações sérias em sua popularidade, sendo dispensado por não servir mais ao meio eleitoral ao não conseguir ganhar eleição. Mas dos três componentes, o mais impactante é a vaca sagrada. Com esse grupo, tem que tomar cuidado e se preocupar. Que isso sirva de lição a quem está querendo se aventurar em eletivo majoritário, principalmente o executivo, que é um cargo em que se governa para "todo mundo".




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