Política e a Corrupção de Valores
Por: Júlio César Anjos
Qual
é situação que é mais cara para leitor, em se tratando de corrupção de valores,
e, por isso, possui maior aversão diante esses dois casos: A) um roubo de um bate-carteira;
ou B) um adulto bater em uma criança? Lembrando que é uma escolha, portanto há
uma renúncia (ou “aceite” da opção não escolhida). Com certeza, realmente um
dilema difícil de tragar. Os dois casos são ocorrências de violência, portanto,
é algo que faz romper com valor social. A única diferença é que em um caso a
corrupção é de valor material (monetário), enquanto que a outra é de valor
moral. O texto embasará a diferença entre a Corrupção de Valor material e a
Corrupção de valor moral, a distinguir os dois casos e saber o que é mais
valioso para a sociedade em geral. E, para critérios políticos, o resultado
final será surpreendente; pode apostar.
O
povo foi às ruas protestar: “Xô, corrupção!”, em que tal malgrado se tratava
com certeza de um problema oriundo de situação de corrupção monetária. Afinal,
um político ladrão deixa de investir em saúde e educação, gerando crise,
criando circulo vicioso, com o país degradando por causa dos problemas da falta
de remuneração. Neste caso, qualquer político que não tenha histórico de
corrupção que se apresente como paladino, vira automaticamente um candidato viável
por ser considerado honesto. Mas, e quando esse mesmo político honesto na condição
material, em que não rouba o erário público, é um político que possui ideias
que são antagônicas aos valores morais da sociedade? Novamente, aparece o dilema: monetário x
moral. E, por incrível que pareça, esse escrutínio já aconteceu nessa última
eleição municipal (2016).
Segundo
turno na eleição municipal do Rio de Janeiro. De um lado: Crivela, dito
conservador, mas que estava implicado em corrupção na lava-jato; do outro,
Freixo, em que não há indícios de corrupção material (monetária), mas é adepto
aos valores individuais (liberação de drogas e aborto), que são alheios ao conservadorismo,
por ser considerado corrupto moral (lembrando que é corrupto no sentido de
romper com valores morais). O leitor carioca preferiu votar no suposto corrupto
monetário ao suposto corrupto moral. Outro
exemplo: em Curitiba, Greca estava a ganhar até mesmo no primeiro turno, contra
o seu adversário cheio de aliados que estavam implicados na lava-jato, e se o
atual prefeito (Greca) não tivesse escorregado em uma palestra, ao ser mal
entendido e ter dado munição para o seu concorrente, neste sentido, quase que Greca perde a eleição, só porque o adversário incutiu a
ele a insinuação de ser “Caco Antibes”, ao ter “horror a pobre”. Como é sabido, a política
possui algumas “vacas sagradas” que não podem ser atacadas por terem a defesa
de cunho social (vaca sagrada é um aspecto de valor moral, como, por exemplo, pobre e professor). Já em São Paulo,
Porto Alegre e Belo Horizonte houve o fenômeno de outsider, político sem
histórico para fazer comparação.
E
isso leva a um aprendizado interessante, pois, se as pesquisas estiverem
corretas, em que no segundo turno estariam Lula e Bolsonaro, já dá para saber
quem será o presidente em 2018. O Lula é o chefe da quadrilha do Power Point do
Dallagnol, é corrupto, mesmo dizendo não ser. Já o Bolsonaro é “honestão”, na
teoria, por não estar em corrupção material (mesmo sendo muito esquisito aquele
estorno no caso Friboi). Mas em questão moral, Bolsonaro é simplesmente inviável
como político, pois, com todos os discursos proferidos por ele ao longo de
tantos anos, a agressividade deste candidato é muito sensível aos valores morais
da sociedade. Ao contrário do que o Bolsonaro afirmou em entrevista (vídeo no
fim do texto), a sociedade não é a favor de tortura, genocídio, violência
contra minorias, muito menos aceita a arbitrariedade para resolver um problema,
a chamada ditadura. O Lula também já falou bobagem, mas a vantagem do politico
do PT ao Bolsonaro é que o primeiro ao menos foi considerado um “bom”
presidente – e o Bolsonaro não tem experiência em gestão. Então, no dilema entre corrupção moral x
corrupção material, pendendo fator positivo que o corrupto monetário (Lula) ao
menos saiu da presidência com popularidade elevada, no fim, com essa escolha, o
povo irá de Lula, mais uma vez, o fazendo presidente por causa da análise comparativa
destes dois candidatos em questão. Para dissolver o Lula, só se aparecer um
outsider, um político que se apresente como não político, que tenha curriculum
de sucesso, e que não tenha antecedentes, nem de corrupção material nem de
corrupção moral. Um Zé Limpinho.
No
caso específico de Lula, poderá haver impopularidade nele na questão de valor
moral, ao ser misógino ao colocar a culpa na Marisa Letícia, e desdenhar de um tríplex,
fazendo com que o pobre deixe de apoiá-lo pela arrogância de ser burguês, sendo
que a corrupção monetária, embora algo desprezível, ao menos é de menor
intensidade do que a loucura, por exemplo, de um adversário que se apresente a favor de ditadura,
censura, tortura, genocídio e etc., como o "solução" Bolsonaro, a resolver o problema. O
Lula é desprezível, óbvio, mas os adversários não são tão melhores assim que
ele. E, como disse Reinaldo Azevedo, se todos os políticos são iguais, Lula é
melhor. Aí que mora o perigo.
Portanto,
as pessoas preferem defender os valores morais aos valores materiais, diante de
algum dilema em que tenha que fazer uma escolha em dada situação. E a política
sempre escrutina. Por isso, por causa do empirismo já condensado em resposta,
em um embate entre um corrupto moral contra um corrupto monetário, dependendo
da situação, o corrupto material ainda terá mais chance de vitória na urna e
conseguirá ser eleito, pelos motivos já explanados. Porque, por exemplo, o
Bolsonaro "fascista" não tem a menor chance contra o Lula chefe da ORCRIM, num
possível segundo turno, por incrível que pareça. Pra quem achava que corrupção material
(monetária) é o suprassumo condicional para inviabilizar político, saiba que o
empirismo das eleições municipais ensinou algo muito valioso: a corrupção moral
é pior que a material. Que fique essa lição, pra depois não ficarem chorando
que as urnas estão fraudadas. A fraude está em não enxergar o óbvio, pela
miopia política diante os políticos imperfeitos e as escolhas imperfeitas do
eleitorado. O Recado tá dado.
___________________
Setembro
de 2018, no calor eleitoral (em cadeia nacional), eis que os adversários
apresentam para a maioria silenciosa o outro Bolsonaro: versão "Fascista".
Político arruinado. Acredite: a maioria silenciosa, que só vê eleição no
período eleitoral, ainda não conhece esse outro lado do Bolsonaro.
Daqui
pra frente, postarei 1 ou 2 vezes por semana. Redução de publicação por motivos
extraordinários.
Baseado no trabalho disponível em http://efeitoorloff.blogspot.com.br.

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