Onde Queres Revolver, Sou Coqueiro!
Por: Júlio César Anjos
Com
o cenário de anomia provocada pela violência exacerbada, o povo começa a criar
soluções fáceis para situações complexas, achando que a posse e o porte de
armas, por si só, são as resoluções para os problemas sociais e de segurança
pública. Com esse movimento em voga, grupos que fazem lobby sobre armas de fogo
ganham projeção, conseguem serem escutados, diante a justificativa dos crimes
acometidos na sociedade. Essa marcha de adoração por pistolas, criando até uma
tara pelos seus calibres “elevados”, geram também assédios gerais sobre a
criminalidade. Porque quem gosta de arma necessita da violência para justificar
a sua loucura em idolatrar arma de fogo. E, por isso, se queres revolver, o
escritor que vos escreve quer coqueiro!
Eis
que começa a tocar a música “Quereres”, interpretada por Caetano Veloso, com os
dois primeiros versos no rádio ou no celular: “Onde queres revolver / sou
coqueiro...”. Mas o leitor sabe o significado desta expressão? É simples: onde se
tem guerra, como na Síria, por exemplo, o Caetano Veloso está em lugar calmo,
como, por exemplo, a praia de Porto Seguro (Bahia). Pois, por regra gramatical,
“onde” significa advérbio de lugar (tanto no sentido estrito quanto no
figurado). Ou seja, revólver é igual à morte e coqueiro é igual à vida. Quem é
da paz, do amor, da compaixão, nunca será favorável por revolveres e seus
calibres, pois o estilo de vida é totalmente contrário a ter esse fetiche
nefasto por armas de fogo. Já quem é tarado em gostar de revólver, aí é caso
para fazer alguns exames para constatar se há algum problema mental, sendo até
mesmo um psicopata.
Mas,
infelizmente, o escritor que vos escreve é favorável ao indivíduo ter a posse
da arma de fogo, por critério de liberdade individual. Ter uma arma em casa, ou
qualquer outro estabelecimento privado, é direito natural de legítima defesa e
proteção, pela justificativa apenas psicológica, pois não faz sentido lógico a
arma significar fim de crimes. Porém, o problema recai no porte de arma de
fogo, pois isso significa o indivíduo poder andar em ruas, parques, terminais
de ônibus órgãos públicos e qualquer outro lugar, seja público e privado, pois
o porte também significa posse de arma de fogo. Porque o individuo pode ter a
posse de arma de fogo sem poder portá-la; ao passo que se o civil tem o direito
ao porte de arma, então isso significa que já possui o direito à posse do
revolver embutido. Ou seja: o porte dá direita à posse; mas a posse não dá
direito ao porte. O melhor seria proibir os dois, mas, diante anseios
individuais, que se libere somente a posse de arma de fogo para, e somente
para, os cidadãos legais.
Diante
disso, com a impossibilidade de portar arma na rua, o simples ato de fazer a
portabilidade, sendo o porte considerado transporte de armas (considerado até
mesmo proibitivo em áreas públicas), de um lugar para o outro deste instrumento,
seria tão penoso e burocrático quanto um agente biológico ter que transportar
um produto químico extremamente perigoso, diante problemas de enfrentamento
burocrático. Ou seja, com a liberação da posse sem o porte, só seria possível a
pessoa de bem portar arma de fogo em área púbica depois de se livrar das
amarras burocráticas, ao estar em ordem com os aspectos legais, sendo que se o
sujeito for pego sem tais liberações, terá que ser apenado com apreensão da
arma (e perda do direito de posse), fichamento deste cidadão por descumprir a
regra (deixando de ser pessoa de bem), além de multa pesada por desrespeitar a lei.
Portanto, a liberação da posse com essa nova norma seria uma proibição maior
ainda do porte de arma hoje.
Mas
alguns querem até mesmo a proibição da posse de arma pelo civil, como é o caso
do Leonardo Stoppa. Stoppa, em um dos seus vídeos chamado “armas pra todo
mundo” (vídeo no fim do texto), compara um invasor de residência a uma mosca e
a arma de fogo à raquete mata-mosquito, para dizer que, assim como o
mata-mosquito não é a solução para inibir a proliferação da doença, em que o mais
eficaz é combater a proliferação do mosquito, neste sentido de comparação, a
arma de fogo também é falha para combater o crime, sendo que só se reduz
violência com políticas públicas. O
Stoppa até que está certo na questão da causa e efeito, mas está errado na comparação
esdrúxula que ele fez de um bandido com um mosquito. E a lógica é simples: um
mosquito não tem consciência para saber se em tal lar há mata-mosquito,
eficiente ou não, além de que não sabe também se o dono deste mata-mosquito tem
coragem e paciência para matar mosquitos invasores desta moradia. Com o mundo
da bandidagem, as informações são passadas e repassadas, sendo que só a posse
de arma já gera dúvida no bandido em querer invadir uma residência. A posse de arma
faz essa defesa psicológica de antemão. Coisa que o Stoppa não tem capacidade
para entender. Para o Stoppa, o bandido é um mosquito, sem consciência. Não faz
sentido.
O
maior problema para defender e ser favorável à arma de fogo, desde que o
individuo não tenha problema na cabeça, é a questão de utilidade. A arma de
fogo, para o cidadão comum, só terá duas utilidades: gerar essa falsa segurança
de proteção (explicada no parágrafo anterior); e pra questão, talvez, de
coleção. Portanto, a arma serve só para um propósito: ferir e/ou matar pessoas.
É difícil glamourizar ou romantizar a arma porque é símbolo de guerra, de
catástrofe, de mau agouro, além do carma que traz consigo, diante a
negatividade que ela empreende no ambiente em equilíbrio. E, para comparar com
outra arma, a arma branca, uma faca, por exemplo, não tem esse viés negativo
por causa da sua gama de utilidade, podendo esse instrumento cortar, parafusar,
serrar, virar arma de defesa pessoal, e até mesmo, dependendo do improviso, ser
usado como uma régua para criar uma linha.
Portanto, o problema da arma está em sua nefasta utilidade.
Outro
critério lógico, também, recai no sentido de que os bandidos não ligam para
lei, portanto não estão nem aí para a existência ou não da lei de posse, porte
e transporte de armas, pois eles transgredirem as leis. A lei só “impede”
pessoas de bem de não irem contra a lei, pois elas já são pessoas de bem. Mas,
infelizmente, há uma pequena parcela que é inibida sim por lei, sendo que o
afrouxamento da norma faz esse civil passar do limite. É o mesmo acontecimento
de evento social que aconteceu na greve do Estado do Espirito Santo, por
exemplo, em que algumas pessoas ao verem a falta de segurança, cometeram crimes
como saques de lojas e mercados, pois aquela região estava à revelia. Então,
neste mesmo sentido, algumas pessoas se mostrariam mais perversas ao liberar
indiscriminadamente as questões das armas de fogo. A ação humana sempre é imprevisível. E
infelizmente é por isso que existem algumas burocracias.
Portanto,
se “queres revolver, sou coqueiro”. A arma não é utensílio para satisfazer
fetiche de tarado psicopata ou qualquer doente mental, que queira a liberação
das armas de forma geral. É preciso antes conhecer todo aspecto cultural, social
e político do brasileiro, para determinar o melhor regramento quanto à posse,
ao porte, e ao transporte de armas no Brasil. É necessário entender que ter a
posse de arma de fogo pode ser um direito natural de autodefesa, mas isso não
significa a anarquia de fazer o que quiser, só porque a flexibilidade da lei
assim a permite. Com o entendimento do escritor que vos escreve, portar e
transportar armas seria tão proibitivo que até os lobistas de revolveres não
gostariam deste formato de direito. Mas é o único formato possível, diante o
quadro brasileiro de segurança pública e todo o seu aspecto social. Mas àqueles que tentam convencer outros sobre
a proibição de armas, fazem de forma tão errada, que acaba virando munição para
os armamentistas, como no caso do Stoppa e a sua analogia embusteira, em que o bandido é um pernilongo, portanto sem consciência. Bandido tem consciência sim
e busca sempre facilidades. Isso o Stoppa “esqueceu” de mencionar. Enfim,
Posse, sim! Porte, não!
Atualização (05/05/2017): E o pior de tudo é que a extrema-direita ainda quer romantizar o revolver, ao defender o armamento, criando a expressão: "armas pela vida". E qual será o próximo passo, Inquisição para a salvação? Esse povo precisa de tratamento urgente.
Fonte de pesquisa: http://www.defesa.org/posse-porte-ou-transporte-de-arma-de-fogo/
Atualização (05/05/2017): E o pior de tudo é que a extrema-direita ainda quer romantizar o revolver, ao defender o armamento, criando a expressão: "armas pela vida". E qual será o próximo passo, Inquisição para a salvação? Esse povo precisa de tratamento urgente.
O bandido pernilongo do Stoppa não tem consciência.
Fonte de pesquisa: http://www.defesa.org/posse-porte-ou-transporte-de-arma-de-fogo/

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