O Feminismo Primordial da Música: Breakout - Swing Out Sister
Por: Júlio César Anjos
Música: “Breakout - Swing Out Sister“
A
música: Breakout, do grupo Swing Out Sister (acima), aborda o feminismo de
forma primordial. Primordial por causa da homenagem que faz aos movimentos
feministas primitivos da primeira e segunda onda; e primordial porque é um
ativismo social essencial para a evolução humana, é o bom feminismo, aquele que
promove o sexo feminino a um status de mulher forte. E que fique bem claro que tal abordagem é
totalmente diferente do “feminazismo”, grupo que mais atrapalha do que ajuda as
mulheres. Enfim, o bom feminismo todo mundo quer.
Agora,
a focar a questão informativa do vídeo, se o espectador for um bom observador,
sem precisar saber inglês, somente vendo o clipe, conseguirá entender a
mensagem que a música quer passar: a evolução feminina na indumentária e também
no aspecto de pensamento crítico cultural da sociedade. Repare que no começo do vídeo, a cantora está com
a roupa extremamente fechada (estilo Perpetua, da novela Tieta), mas tem um
insight e começa a fazer criações. Primeiro, a cantora faz homenagem a Simone
de Beauvoir (turbante) da segunda onda feminista, depois faz reverência a Coco
Chanel (corte de cabelo) da primeira onda, e por fim homenageia Vivienne
Westwood da terceira onda, ao estar na passarela, mostrando o ombro desnudado.
E,
vale ressaltar, até a metade dos anos 80, mais ou menos, ombro nu só era usado
por prostitutas (lembrando o filme Bonequinha de Luxo), em que o conservadorismo
em voga daquela época impedia a mulher até mesmo de se livrar da ditadura da
moda. Vivienne Westwood, dona de uma Maison, nos anos 70, resolve inovar e
radicaliza toda a moda feminina, livrando a mulher da escravidão do padrão
cultural de roupagem. E é por isso que o nome da música é: Breakout (na
tradução ao pé da letra é fuja, mas no contexto é “livre-se” ou "liberte-se").
O
leitor não sabe, mas a evolução feminina com os seus movimentos não foi uma linha
histórica retilínea pacífica entre seus pares, pois, os adeptos da segunda onda
criticavam a primeira onda e a terceira onda criticava as outras duas, pelos
erros e o atraso no avanço à garantia dos direitos da mulher. A Simone de Beauvoir
criticava a primeira onda pelo motivo da mulher virar objeto sexual e aceitar o
patriarcado, enquanto que a terceira onda criticava Beauvoir pela forma em que
se vestia, sendo conservadora no padrão de indumentária. O próprio movimento “pinup
girl” era uma corrente contra a pensadora francesa, pois eram as “feminazis” da
segunda onda. E toda essa confusão está
informada no clipe, de forma bem humorada, humor que homenageia o feminismo
como um todo.
Agora,
sobre a questão da letra da música, o que mais realça é a expressão: “don't
stop to ask”, que, para quem é ligado em política, sabe que é um instrumento
parecido com o utilizado pelo: “Mamãe, Falei”, no tal: “Vamos questionar tudo”.
“Não pare de questionar”, verso da música, é a primeira ferramenta a ser
utilizada para romper os paradigmas do status quo. É se rebelar por não aceitar
o que é imposto, por isso os questionamentos. A música também fala sobre não
hesitar, não ter medo, ser confiante e defender o que acredita. São ordens que
estão de acordo ao clipe, portanto a mensagem é sobre as mulheres se libertarem
porque podem, pois são fortes. Por isso que perguntar sobre tudo para perturbar
a ordem é algo que satisfaz a ideia de “wave” (onda). Neste sentido, os
movimentos feministas são compostos por ondas, pois perturbam a ordem “opressora”.
Ao
interpretar a mensagem, a letra da música deixa de ser algo bobinho de simples
criação musical e passa a ser um aviso para um despertar feminino. Soma-se a
isso à qualidade do clipe junto com o talento da cantora, tem-se, então, uma
película formidável e uma música incrível, que influenciou e encantou toda a
geração do final dos anos 90 (punk tardio). Porém, hoje, o nível de
emburrecimento da esquerda está tão grande, que os próprios idealistas não
sabem decodificar a mensagem e nem sabem que essa música é uma bela arte do bom
movimento feminista primordial.
Portanto,
quem acompanha as evoluções sociais sabe o quanto é valoroso o movimento
feminista e toda a sua conquista adquirida com muita luta, garra e dedicação
das mulheres fortes que agiram e agem para ofertar direitos às “Marias” de todo
mundo, soltando-se das amarras e agruras do machismo. O único problema deste
movimento é a erva daninha chamada “feminazismo”, um grupelho que mais atrasa
do que traz avanços aos anseios femininos. Esse vídeo que se tornou base do
posicionamento do texto é uma criação artística que demonstra o poder das
mulheres de uma forma suave, aprazível e bem-humorada, tornando essa música um símbolo
do feminismo e toda a sua boa concepção primordial. O feminismo (o bom), não é
o problema, mas a solução. Viva, às mulheres!
--------------
A
minha música preferida é Toy Soldiers – Martika. A segunda preferida é Psycho
Killer – Talking Heads. E a terceira é essa, Breakout - Swing Out Sister. Esta
última é preferida mais por questão de reminiscência, de volta ao passado, de
saudosismo quando jovem. E a música é agradável também. Então, bora relaxar.

O Feminismo Primordial da Música: Breakout - Swing Out Sister de Júlio César Anjos está licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0 Internacional.
Baseado no trabalho disponível em http://efeitoorloff.blogspot.com.br.
Amei o post! É a minha música preferida!!!❤️
ResponderExcluir