O Antiesquisitante e a Sanidatite
Por: Júlio César Anjos
O
mundo louco obriga a você a tomar antiesquisitante para que se pareça normal.
Aí você passa da conta, toma doses cavalares do estipulado em receituário, e acaba
tendo uma overdose de sanidatite. Encerra-se o viver e a vida por não tomar
cuidados básicos de insanidade.
A doença geralmente traz mais ou menos a morte
do brilho da alma, ao virar um autômato da paralisação das articulações da vida,
pela prescrição médica que faz engessamento das atividades, só por ser inusitadinho.
Apenado por ser apenas diferentinho, não se enquadra na claudicante sociedade com o dedo em
riste, que, tentando se segurar para não cair, exala odor de teor alcoólico, baforadas
de preconceito e perseguição.
Afinal,
o que se prescreve a você é a normalidade sem noção, uma hora é ensolarado na
outra é trovão, pois a aleatoriedade não tem nem cor, raça, fenótipo, gênero, cor
ou padrão. Na loucura da sanidade, tudo é igual.
Porém,
se o paciente trabalha, estuda, professa fé, é afável com vizinho e namorada,
tem o afazer todo planejado, seja momento de diversão e de atividade séria, bem
regrado na sociedade, então, o sujeito pode cessar temporariamente o antiesquisitante.
Mas cuidado com as altas taxas de sanidatite após cortar o remedinho do padrão.
Todavia,
o paciente não se encaixa no grupo de escoteiros? 10 gotas de antiesquisitante. Não é
bem-visto no meio dos grupos de estudos? Antiesquisitante antes de dormir. E aos arredores
da igreja, adapta-se facilmente? Neste caso, o paciente terá que fazer tratamento
intensivo e tomar antiesquisitante na veia.
Continuando
com a pesquisa, porém, o sujeito quase foi atropelado, ou roubado, ou pelo
menos avistou um acidente, e, com isso, ficou perturbado? Ah, aí é antiesquisitante
de tempo em tempo, para o resto da vida. Ou da morte, pois tomar antiesquisitante
é não ter vida.
Aos
primeiros sintomas de uma overdose de sanidatite, corte o antiesquisitante,
pois os efeitos colaterais seriam extremos, havendo muito preconceito da
“doença”, já que é melhor de vez em quando passar a ser esquisito do que morrer
de sanidade aguda.
E
quando a patogenia vier pelo ar, muita atenção aos cuidados a tomar, pois a
doença se espraia pelas correntes polares, pela zona de convergência da loucura
do sul. Aí ferrou, terá que tomar antiesquitante todo dia e a vida toda.
Porque,
se não tomar os cuidados da patologia da demência, o fim será a falência
múltipla da sanidade. E isso ninguém é louco de querer.
Normalidade, um mal
terrível.

O Antiesquisitante e a Sanidatite de Júlio César Anjos está licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0 Internacional.
Baseado no trabalho disponível em http://efeitoorloff.blogspot.com.br.

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