Lei dos Migrantes - Números Arábicos

Por: Júlio César Anjos

Com a discussão da lei da migração em voga, a extrema-direita está a afirmar que a lei de migração significa privilégio para migrar somente árabes; árabes muçulmanos; árabes muçulmanos terroristas; árabes muçulmanos terroristas da sharia. Oh, meu Deus! A lei da migração = árabes muçulmanos terroristas da sharia [Corram para as colinas]. Isso, lógico, não passa de gritaria sem sentido. Seu xenófobo extremista.

Eu não sei se esse povo da extrema-direita é doente mesmo ou são só malandros que querem ganhar algum naco político ao polemizar isso, mas o fato é que eu não estou inventando nada, a narrativa surreal contra a lei da migração é justamente essa. Segundo os extremistas, nenhuma etnia virá para o Brasil, pois eles afirmam categoricamente que somente os árabes muçulmanos terroristas da sharia é que virão pra cá. Somente eles e ponto final. Ai, ai, ai, se contestar.

Mas o interessante é que o maior receio do brasileiro em geral está na mudança cultural, que é o conjunto de crenças e valores, passado de geração para geração, por meio de tradição. Ou seja, a dança, a culinária, o folclore, os conhecimentos gerais, a língua, a indumentária, a fé, os ritos e etc. Então, por questão de lógica dos próprios patriotas defensores de “cultura” ocidental, seriam honestos se tais grupos parassem de usar os números arábicos.

Para o leitor que não sabe, os números arábicos são os algarismos que o mundo todo usa – até o ocidental - no dia a dia. São: 0 (zero); 1 (um); 2(dois); 3(três); 4(quatro); 5 (cinco); 6(seis); 7 (sete); 8 (oito); e 9 (nove). Depois o zero foi incorporado para facilitar ainda mais os cálculos matemáticos. Ou seja, a troca de experiências culturais entre etnias criou essa maravilha do conhecimento, que é utilizado em tudo, hoje em dia.

No entanto, os números arábicos têm algo de sublime. É um algarismo que, em si, fecha circuito, faz equilíbrio perfeito. É algo, realmente, divino, que tende ao sobrenatural. Por que isso? Para explicar o embasamento, antes que se veja essa imagem (ilustração):


É simples: a própria ordem da calculadora do seu teclado é organizada desta forma, com linhas horizontais 123, 456, 789. Fazendo a somatória de 123 + 456 + 789 dá o resultado de 1368. E se fizer o jogo de paralelas e diagonais, como na exemplificação da ilustração, o leitor achará várias outras zerésimas por essa regra de validação.  

Os números arábicos foram apropriados pela cultura ocidental por pura questão utilitária, são algarismos fáceis de serem utilizados. E isso traz uma lição para os defensores culturais, pois, Se os conservadores não querem os árabes em seus convívios, em que até faz sentido tal apelação, ao menos que sejam honestos, e parem de usar os números arábicos no dia a dia, como padrão cultural de conhecimento da matemática ocidental.

E aqui vai um desafio:

Eu até levo um migrante árabe pra casa, como fizeram questão de desafiar. Afinal, se eu abrigar um refugiado, ao menos eu ganharei indenizações mensais da ONU por fazer esse ato humanitário. Mas eu desafio aos “defensores culturais” a abandonarem o uso dos números arábicos na vivência do dia a dia. Portanto, deixe o estado cuidar dos refugiados, pois vocês não conseguem abandonar o uso dos números arábicos. Não sejam hipócritas, é feio demais.

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