Facebook Não é Parâmetro pra Nada!

Por: Júlio César Anjos

Saibam de uma coisa: a maioria silenciosa, de forma esmagadora, tem aversão à política no cotidiano, e só se interessa por eleição em períodos de pleito. Portanto, essa barulheira que os grupos políticos fazem na internet, embora pareça algo grandioso, estrondoso, colossal, na verdade não passa de gritaria de segmento, sendo visualizado somente pelo seleto grupo, não saindo da redoma dos pares, virando algo, no fim, exclusivo e caricato. Por isso que, na política, Facebook não é parâmetro pra nada!

A utilização do Facebook para embasar esse texto é só de caráter lúdico, pois, na verdade, nenhuma plataforma de mídia social da internet é parâmetro para medir e constatar a vitória de político na urna. Todas elas possuem problemas como perfis fakes, bots, crianças fazendo traquinagens, além de idiotas úteis que anabolizam tais streams no cotidiano do cyber espaço. Diante tais fatos, essas distorções criam o problema de métrica em si, no sentido de que não há como tais ferramentas serem dispositivos que atestem popularidade de alguma figura pública, só porque tem grande quantidade de visualizações, ou de engajamento, ou de “curtidas” em sua página. Pode ser tudo falso, diante criação de mecanismo de robozinhos que criam essa artificialidade no conteúdo de mídia de internet.

É por isso que o Macri, na Argentina, embora tivesse menos curtidas em sua página do que a Cristina Kishner (hoje, o atual presidente tem mais curtidas que a ex-presidente), ganhou a eleição presidencial.  A mesma coisa ocorreu aqui no Brasil, em que o Aécio era o campeão até mesmo de engajamento (fora ser campeão em curtidas até hoje), mas perdeu para a Dilma, com menor número de curtidas na página do Zuckerberg. O rito foi idêntico nos EUA, em que o Trump, embora com mais curtidas e engajamento que Hillary, e ter vencido o pleito por colegiado, o republicano “perdeu a eleição” em votos absolutos para a candidata democrata, mostrando que essa distorção é verossímil. E, por fim, Macron, com 1 milhão de curtidas a menos que a Le Pen, no Facebook, e com menor engajamento na internet, virou presidente da França, diante os mesmos fenômenos citados anteriormente.

No entanto, há outras duas distorções além de bots, que advém de parâmetro e de comportamento. Para entender essa falha, é necessária uma exemplificação. Suponha que uma cidade contenha 2 milhões de habitantes e que todos os moradores são aptos a votar em 5 candidatos a prefeito. Mas, por uma razão desconhecida, os 2 milhões curtem a página de todos os candidatos, fazendo uma quantificação de 10 milhões de curtidas em tais páginas, no total entre os cinco candidatos que estão no Facebook. Mas, como há 2 milhões de habitantes, o máximo que um dos candidatos pode chegar é em 2 milhões de votos, não conseguindo 10 milhões de votos, como deveria alcançar pela totalidade, na teoria, se o Facebook fosse parâmetro para fazer tal mensuração de indicativo político. Isso acontece porque uma pessoa física pode curtir várias páginas de políticos, mas possui apenas um voto, fazendo a distorção no Facebook. Outra curiosidade interessante de comportamento é o fenômeno chamado de “internacional extremista”, em que, por exemplo, um eleitor de Bolsonaro curte a página do “bolsomito” no Brasil, mas também do Trump, nos EUA, do Macri, na Argentina, da Le Pen na França, e assim por diante, gerando esse anabolismo em páginas de candidatos extremistas da direita, no ocidente. É um comportamento patológico, embora não é proibitivo, porém está acontecendo com frequência. Portanto, as questões de parâmetro e de comportamento também impedem a ferramenta de mídia social ser algo válido como medidor de sucesso político na urna.

Já na questão da maioria silenciosa estar fora do circuito político, tal grupo está gerando o fenômeno do “outsider”. A maioria silenciosa se identifica com esse político que diz não ser político (isso não existe, mas empolga o imaginário do eleitor), portanto é o que mais se assemelha do eleitor médio que tem aversão da politicagem em geral. Portanto, pela lógica, quanto mais o político tem de joinha em facebook, por exemplo, mais ele tem dificuldade em se eleger por ser justamente politiqueiro e não um outsider.  Parece paradoxal, mas é o que está acontecendo não só no Brasil como também no mundo.

Outro ponto a analisar é sobre quem fica “pendurado” o dia inteiro na internet. Que fique claro que isso não é regra geral, mas um comportamento de maioria, das diversas classes sociais. A camada rica, como se sabe, geralmente é muita atarefada e não fica na internet o tempo todo. Já o pobre não tem condição de ficar na internet, e não desperdiça o tempo precioso que dispõe com política. Resta, então, a classe média, que é a maior consumidora de “internet”. Na maioria absoluta das vezes, as verdadeiras discussões na internet partem da classe média, que gera os reais debates nas mídias sociais. É por isso que o Lula, por exemplo, mesmo com menor curtidas no Facebook que seus concorrentes, ainda é o político que está à frente nas pesquisas, pois a maioria absoluta do eleitorado do Lula é da camada pobre, que não ficam pendurados na internet.

Portanto, a mídia social tem poder de propagação de informação, certamente, mas não é infalível, muito pelo contrário, ela pode falsear sensação de que agentes que se arvoram de populares na internet, talvez não sejam populares na vida real, como o que está acontecendo com os políticos campeões de engajamento na internet, campeões em curtidas e visualizações, mas que na vida real não conseguem o mesmo sucesso do que no mundo irreal. Ser campeão em curtida no Facebook não significa ser eleito até mesmo presidente de um país, pelos embasamentos explicados e justificados no texto. A maioria silenciosa, por exemplo, nem gosta de política, quanto mais ficar “pendurada” na internet escutando sermão de politicagem em geral, em que se sentem até mesmo desgostosos com tais ativistas de internet, que ficam toda hora incomodando o seu bem-estar, ou fazendo a pessoa perder tempo com política, algo que esse grupo não gosta. Enfim, na política, o Facebook não é parâmetro pra nada!





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