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Eleição 2014: Nordeste, Separatismo e Orçamento

Por: Júlio César Anjos

A eleição acabou e a Dilma venceu o pleito. A corrida presidencial deu muitas respostas, ofereceu caminhos, mostrou diferenças entre os políticos concorrentes, com a chancela final do eleitor referendando a candidata da reeleição. Mas o desdobramento do sufrágio mostrou um país de certa forma dividido, assim como desnuda a desunião dos interesses pontuais de cada região. O que, por exemplo, São Paulo quer não é necessariamente a mesma coisa que Maranhão deseja. Antagonismos de um Brasil plural. Diferenças que fazem as pessoas clamarem por separatismo, proferir que tal região não sabe votar, além de mostrar a dificuldade do vencedor em governar. Os próximos quatro anos serão desafiadores.

O PT venceu a eleição, mas perdeu conceito. Só possui o voto de cabresto, do eleitor que precisa da atenção do Estado, pois é dependente pela necessidade. Quem já passou fome, ou morou em favela, sabe que uma bolsa família faz muito a diferença. Por isso que os dois candidatos não iriam mexer nesse ganho real do povo. Quando a situação está ruim, pensar com a barriga não só é lógico, como é verdadeiro e honesto. Mas impedir o desenvolvimento da região, ao achar que somente bolsa família resolve tudo, faz tal político ser perverso, já que dá a sensação que, como disse Aécio, que tal grupo político pretende administrar a miséria ao invés de superá-la. E nesse aspecto, o de superação, o Brasil todo exige eficiência e eficácia do PT daqui pra frente.  Para o PT ganhar conceito, terá que investir no Nordeste, fazer o Brasil prosperar e conseguir novamente cativar o povo pela benevolência, ao invés do terrorismo eleitoral, como criar factoide, por exemplo, de que a oposição tiraria um direito legal que é o bolsa família (mecanismo de transferência de renda, diga-se, criada pelo PSDB).

Diante dos resultados das urnas, as regiões mais prósperas, que não possuem tanta atenção do Estado, revoltaram-se com o Partido do Petrolão (PT). Mas algumas exceções dessa região não fez Aécio Presidente. Sul/sudeste notificaram a causa como culpa da vitória da Dilma pelo aspecto de que o Norte/nordeste não sabem votar. É justamente ao contrário, Norte/Nordeste o que mais sabem fazer é votar, pois possuem atenção do governo federal (mesmo todo mundo sabendo que o bolsa família seja mixaria) porque eles veem que o Estado está presente, ele existe dando dinheiro para o povo necessitado. Ou seja, se juntaram a defender o PT, que pra eles (norte/nordeste), fez bem para a região, dando ampla vantagem na eleição. Quem não sabe votar é justamente sul/sudeste, pois não fazem esse agrupamento consistente, derrotando a Dilma pela ampla votação. Ou seja, se sul/sudeste votam, por exemplo, 70%/30% para Aécio, não importaria ser 100% do nordeste pró Dilma, que Aécio venceria a eleição. Como as regiões não deram ampla vantagem para Aécio, então o nordeste resolveu decidir a eleição pelo agrupamento arregimento pelos pares interessados no pleito. Nordeste faz gangue. Sul/sudeste, não!

E diante esse erro de formação de bloco por parte do sul/sudeste, há uma espécie de vingança dos derrotados, que clamam até mesmo o separatismo. O separatismo até teria legitimidade (não no aspecto legal, mas no âmbito de veracidade) se, ao invés de culpar a distorção orçamentária e de distribuição de renda direta ao nordeste, tais regiões mostrassem que estão sendo desamparadas pela União. Até porque, quando está tudo bem, contribuir um pouquinho com as regiões menos abastadas não faz mal algum; Enquanto que começar a perder fôlego porque há desamparo do governo federal a investir na região é algo muito válido e pode gerar separação, sim. Contribuir um pouquinho com quem precisa nada tem a ver com se revoltar por não estar sendo valorizado como ente federado. Portanto, o separatismo só é valido quando há falta de apoio da união perante o ente federado. 

Mas o pessoal quer o separatismo porque acha errada a distribuição orçamentária. Nada mais falso e errado, pois a distribuição equitativa do orçamento se faz através da sinergia (o que já foi explicado no texto “Contém e Está Contido”) por fazer parte de grupo. A região com opulência contribui com a menos rica, fazendo o local menos abastado prosperar, para fazer todo o país enriquecer e ter o melhoramento social desejado. Até porque ninguém sabe o dia de amanhã, pode ser que a seca vire mar e o mar vire seca, sendo que, por exemplo, possa acontecer do nordeste ser próspero e ter que contribuir para ajudar o sul. Então, no aspecto de orçamento, está certa a distribuição equitativa, desde que as regiões beneficiadas prosperem e a união se faça presente a todos os Estados federados.

Ninguém quer ver o nordeste mal. E também ninguém reclamaria se o nordeste estivesse bem. Ou seja, se o PT não administra a pobreza somente, fazendo o norte/nordeste refém do assistencialismo, por não se desenvolver e deixar de precisar do programa social, redistribuindo o orçamento com todas as regiões prósperas, o Brasil deixaria de ser de terceiro mundo para ser potencia mundial. O problema é que se caso tal situação ocorresse, como o PT ganharia eleição, sendo que não teria como fazer terrorismo eleitoral? Pois é, o nordeste não cresce por causa do PT. Embora o PT esteja presente na vida do nordeste, que agracia a existência votando pelo assistencialismo. O Nordeste sabe votar e o vilão é o PT!

Portanto, quem não sabe votar é o sul/sudeste e não o nordeste, o separatismo só se faz legitimo se houver abandono da união perante o ente federado, e o orçamento, quanto ao conjunto do pacto federativo, está certo em ser distribuído equitativamente, desde que esse plus (sinergia) seja canalizado para investir nos próprios entes federados (e não caixa para turbinar bolivarianismo, com mensalão e petrolão). Pura questão de lógica, basta cobrar quem tem que ser cobrado e se juntar em grupo para conseguir o que se deseja.
  

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Eleição 2014: Nordeste, Separatismo e Orçamento de Júlio César Anjos está licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0 Internacional.
Baseado no trabalho disponível em http://efeitoorloff.blogspot.com.br.

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