O Jazigo



Por: Júlio César Anjos

No imenso verde da paz, um lugar bonito ilustrava a beleza da natureza, com os raios do sol acariciando o retângulo gramíneo, um cemitério qualquer da cidade, o endereço dos mortos, um menino anda entre os túmulos, um ente distante acabara de falecer.

Diz-se que neste dia o menino inocente, lá pelos seus 9 ou 10 anos de idade, peregrinava pelo perímetro do campo santo, testemunhando muitas idas, partidas de entes queridos que transitaram pela terra. Começou a olhar os túmulos, com os seus números em série, informações adicionais e padrões que visavam identificar cada localidade do domicílio dos falecidos.

Ao constatar um padrão, o menino começou a ler as lápides:

- Menino: Jazigo Fonseca, Jazigo Garcia, Jazigo Lima..... Jazigo Rodriguez.....

E foi lendo até o fim. Ao acabar, viu aquela monstruosidade de túmulos e todos os lugares organizados em linha, como metragem padrão de casa popular.

Olhou para um lado, olhou para o outro e, enquanto ficava pensativo, a mãe chega perto do moleque e pergunta:

- Mãe: O que foi meu filho?

- Menino: Nossa, mãe, nunca colocarei esse nome no meu filho, como morre Jazigo! Impressionante....

E a mãe, apesar de amar o filho, cai em gargalhada diante do menino.

E a mãe explica:

- Mãe: Não, meu filho, Jazigo é o lugar, é a sepultura da família, por isso Jazigo Fonseca, Rodriguez e etc.


E o menino rindo também do engano que cometera se dá por satisfeito em saber que não morre tanto Jazigo assim... Ainda bem!

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