"Não existe oposição"



Por: Júlio César Anjos

A maioria das pessoas se queixa da falta de contrariedades contra o governo atual, que, além de péssimo, asfixia o pouco de resistência que ainda grita em prantos, mas sem força alguma. Alguns indivíduos reclamam da falta de oposição no sentido de protesto contra as arbitrariedades do estado. Mas quase a totalidade da sociedade está mais confundindo as coisas, está errando na conclusão, pois faz tempo que os brasileiros são condicionados a ver a oposição se comportar em um determinado padrão.

Uma oposição não atender um padrão de comportamento não significa que não existe. A oposição, tempos atrás, confundia-se com baderna na rua, mistura de reivindicação social com implantação política de um terminado grupo, ia às ruas gerar conflitos contra os opositores (seja polícia, sociedade ou seja lá o que for), e buscava sempre no sistema hostil convencer o povo a apoiá-los.

Um partido político não se confunde com um movimento social, assim como uma ONG ambiental não se confunde com um sindicato. Embora um partido político seja um movimento social, o propósito e o fim são muito diferentes. Um movimento social é pontual, atinge a um determinado assunto, um determinado fim. Já um partido político é holístico, tem por base ideal filosófico, e tal crença ajuda a base partidária a administrar melhor um governo qualquer.     

Pode ocorrer, pela conjuntura de ideal e movimento social, de dois oposicionistas terem o ideal de um mesmo movimento social. Na base ideológica, por exemplo, pode ocorrer dos dois partidos conflitantes serem apoiadores da causa verde, configurando quietude do movimento verde pelo apoio dos dois lados. Por outro lado, pode ocorrer de dois oposicionistas não terem nenhum movimento social convergente, havendo conflito ideológico e acomodação de movimento social para cada ente oposicionista. Por exemplo, a questão dos liberais mais próximos aos tucanos, enquanto que o MST está mais próximo aos petistas.

No Brasil, as pessoas confundem o escasso apelo dos movimentos sociais com a falta de oposição partidária. Oposição partidária no campo da ideologia, em forma diferente de gestão, de visão, de valores existe sim! Embora eu concorde que não existe de fato um partido de direita no Brasil. Mas a direita no Brasil morreu porque o povo confundiu a tirania dos militares com os pensamentos conservadores da época, destruindo na urna qualquer indício da volta dos valores partidários da direita de outrora.

Mas a oposição em números hoje quase não existe. O percentual de oposicionistas do governo corrupto do PT hoje é menor do que do MDB da época do regime de ditadura militar. Na época, era 72% para a ARENA perante 28% do MDB, hoje são 82% de candidatos da situação perante 18% da oposição. Em números, a fraqueza dos contrários faz criar o ambiente de que não existe oposição.

Mas a pessoa que se queixa ou pelo menos nota que não existe oposição, no final das contas, enxerga alguma coisa errada e/ou pede mudanças, nem que seja no subconsciente. Até porque quem é do governo nem liga para o fato de não ter concorrente, oposicionista ou qualquer outra coisa, seja lá o que for, contra os interesses dos poderosos. Então, os indivíduos que sentem que não há oposição são justamente os opositores do governo, pois sentem no fundo que alguma coisa pode estar errada. Cada cidadão é opositor do governo que o desagrada, não há necessidade de ser maioria, a maioria de um (você) já basta, para fazer as mudanças da sociedade e do país como um todo.

Só porque não existe a direita no Brasil não significa também que não há oposição, seja de idéias ou de novas formas do bem administrar, existe sim oposição em várias esferas, só não são perceptíveis como a oposição antiga se comportava. Não fazer baderna na rua não significa falta de contrariedade ao governo, apenas mostra que a oposição atual é diferente da oposição de outrora, que fazia bagunça e chamava a atenção através de medidas contra o bem estar da sociedade. Não ter quantidade significativa de opositores no congresso não significa que não tenha força na política, só mostra que em um dado período de tempo a população buscou experimentar uma convergência de tal grupo político para ver se o país avançava em alguma coisa, embora hoje a própria sociedade esteja triste em ver que estava errada na conclusão. 

Sempre haverá eleições, pois, não importando se há ou não oposição, desde que a democracia seja sempre defendida com unhas e dentes. Se a totalidade converge para um determinado partido político ou outro é distorção que acontece em períodos de tempo. Tempo esse que acabará, e, sendo assim, o povo poderá experimentar vários outros ideais opostos ao ideal que está atualmente no poder. Sempre há o otimismo, nem que leve 30 anos para os  diversos administrarem o Brasil, mas é certo que quando outra corrente conseguir democraticamente o poder, tal corrente ideológica saberá conduzir sabiamente o país, aos moldes dos ideais defendidos.

Até hoje o Brasil não experimentou, por exemplo, a liberdade, o libertarianismo. Quando experimentar será difícil voltar aos vícios antigos, pois a liberdade é a melhor coisa que existe junto com a democracia. Mas por enquanto o Brasil fica “sem oposição”, vendo os petralhas subtraírem o Brasil de tudo quanto que é jeito.

Não existe oposição só para aqueles que de forma subconsciente são subjugados, escravos da tendência da esquerda, em que desde a nascença até a fase adulta escuta só um lado da estória. Está na hora de escutar os outros vários lados da história.


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