Por: Júlio César Anjos
A greve deveria ser o último instrumento para conseguir reivindicar os
direitos. A manifestação pacífica, ordenada, e com propósitos muito bem
compreensíveis é algo raro de se ver no Brasil. As maiorias das paralisações de
trabalho por greve são feitas por outras causas, motivos de caráter duvidoso em
muitas delas. Mas ainda há exceções, pois algumas greves são, de fato, justificáveis.
O Lula, sindicalista idealista, disse uma vez em um comício que se deve
fazer greve quando tudo estiver bem, pois, quando as coisas estiverem em condições
ruins, o empresário não atenderá ás reivindicações e o trabalhador ficaria “a
ver navios”. Pois bem, a prosperidade de uma nação é de responsabilidade de uma
boa administração de um governo, e usar da greve para conseguir benefícios
extraordinários é chantagem (estelionato) contra quem realmente ajuda o país
prosperar, os empreendedores da nação (vulgo capitalista). A greve não pode ser
um artifício político para atingir o segundo setor da economia.
Há muitas manifestações contra o empresário, como se fosse o único tirano
na história, não levam em conta que a falta de poder de compra do trabalhador
se dá através do salário mínimo tão mínimo, que o trabalhador precisa “brigar”
contra o patrão por um aumento. O governo incentiva a greve, mas não aumenta o
salário mínimo? Muito estranho... Parece até malandragem.
Para a greve surtir efeito, o país deve estar ou muito quebrado ou muito
próspero. Muito quebrado faria com que os governantes se mexam para mudar o cenário;
E muito próspero porque há pleno emprego (não há estoque de trabalhadores no
mercado) e porque o profissional é muito qualificado e importante para a
empresa (quase insubstituível). No Brasil, a maioria dos trabalhadores são apêndices
da máquina, facilmente substituíveis. O cenário brasileiro possui uma taxa de
desemprego muito elevada, embora o IBGE seja flexível com a contagem. Isso
significa dizer que para trocar empregados agitadores do sindicato por
empregados que entendam que greve não é algo banal é a coisa mais fácil em um
país subdesenvolvido com o Brasil.
A greve torna o ambiente organizacional insustentável, os funcionários
ficam mal acostumados, achando que só possuem direitos – não precisam atender
os deveres -, e cria uma espécie de conflito entre patrão x empregado, algo que
é muito surreal, já que os dois deveriam estar unidos para fazer uma empresa (e
a nação) prosperar.
Como o governo é flexível com os sindicalistas, então há certa
obrigatoriedade da greve, sendo que àquele que não adere à greve, é
fortemente hostilizado por aqueles que fazem a greve acontecer. A greve também é
uma muleta para férias forçadas, sendo que deixa a nação improdutiva, de tempo
em tempo, para os patrões atenderem as necessidades que às vezes estão acima do
que o patrão pode cumprir.
A produção nacional diminui, a estagnação floresce, desempregos começam
surgir, o trabalhador fica mais revoltado e tudo começa a declinar na economia
nacional.
O cenário caótico, com freqüentes paralisações, reivindicações surreais,
governo fechando os olhos para as coisas erradas, o funcionário ficando mais displicente,
com um clima organizacional hostil, faz o empregador tomar a decisão de fechar as portas da empresa e ir buscar outro lugar que entendam que o empresário não é o inimigo, buscando um lugar menos idílico para fabricar os produtos.
A greve banalizada começa a perder o respeito porque até o trabalhador
começa a ver que não passa de uma massa de manobra dos sindicalistas que
faturam muito mais que as empresas constituídas da nação. Sim, um sindicato
consegue muito mais lucro que uma empresa constituída, por incrível que pareça.
A obra Contra a banalização da greve de Júlio César Anjos foi licenciada com uma Licença Creative Commons - Atribuição - Uso Não Comercial - Obras Derivadas Proibidas 3.0 Não Adaptada.
Com base na obra disponível em efeitoorloff.blogspot.com.
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